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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

De Marrakech e Cuba a indispensabilidade do diálogo inter-religioso

A “Declaração de Marrakech” e a Declaração Comum do Papa e Kirill colocam as bases para um compromisso renovado das relações geopolíticas de paz, acolhida e respeito às minorias



Nesses dias foram redigidos dois documentos-chaves para o desenvolvimento do diálogo entre as religiões e as culturas: a “Declaração de Marrakesh” e a Declaração Comum assinada pelo Papa Francisco e pelo Patriarca de Moscovo Kirill. Ambos colocam as bases para um renovado compromisso na estruturação das relações geopolíticas de paz, de acolhida e de respeito das minorias religiosas.

A “Declaração de Marrakech”, para a protecção dos direitos das minorias religiosas nos Estados Islâmicos é o produto da prestigiosa conferência internacional que ocorreu na capital de Marrocos do 25 ao 27 de Janeiro passados e foi organizada  com o patrocínio do Rei do Marrocos, Mohammed VI, do Ministério dos Assuntos Islâmicos do Reino do Marrocos e do Fórum para a Promoção da paz nas sociedades muçulmanas.

Mais de 250 líderes de países muçulmanos, bem como muftis, estudiosos e académicos (pela Itália participou o prof. Antonio Furcillo, professor de Direito Eclesiástico em Nápoles) decidiram recordar os 1.400 anos da “Constituição de Medina” assinando um papel comum no qual se garante a tutela das minorias religiosas e se reconhece igual dignidade a todas as confissões.

O convite contido na Declaração é o de desenvolver um conceito de cidadania “inclusiva” dos diferentes grupos culturais e sociais, sem trair os princípios da jurisprudência islâmica. Além do mais, pede-se aos representantes das religiões para “lutarem contra todas formas de fanatismo religioso, difamação e ultraje do que as pessoas consideram sagrado, bem como todos os discursos que promovem ódio e fanatismo”.

O ponto decisivo do documento continua a ser a afirmação de que “é inconcebível usar a religião para atacar os direitos das minorias religiosas nos países muçulmanos.”

A Declaração Conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Kirill de Moscovo foi a assinatura em Cuba, lugar emblemático da “encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste”, e definido “como símbolo das esperanças o Novo Mundo”. Igreja Católica e patriarca ortodoxo de Moscovo constroem as suas relação sobre a atenção comum das minorias religiosas perseguidas no mundo. Pedem paz, respeito pelas minorias cristãs nos Países Islâmico, compromisso da comunidade internacional em acções de protecção humanitária.

E é especialmente uma passagem o que liga este último documento à Declaração de Marrakesh. “Nas circunstâncias actuais – lê-se – , os líderes religiosos têm a responsabilidade particular de educar os seus fieis em um espírito respeitoso das convicções daqueles que pertencem a outras tradições religiosas”. E, portanto, o compromisso para as pessoas de “diferentes credos” de viver na paz e na harmonia, com a condenação de qualquer tentativa de “justificar acções criminosas com slogans religiosos”.

Em suma, quase completamente inesperadamente e, muito provavelmente, inconscientemente, as declarações de Marrakech e Cuba unem o mundo islâmico e o mundo cristão na visão comum da indispensabilidade de um fecundo diálogo inter-religioso para a promoção de um futuro de paz. De um extremo ao outro do mundo muçulmanos e cristãos podem trabalhar juntos para um futuro de esperança.


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