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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Arábia Saudita rompe relações com o Irão

Decisão do reino foi tomada após ataque à embaixada no Irão, provocado pela execução de um líder religioso xiita


O Ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Adel al Jubeir disse que seu governo cortou os laços com o regime de Hasan Rohani devido ao ataque à embaixada e fixou um prazo de 48 horas para que os membros da missão diplomática iraniana deixem o país.

A execução do clérigo xiita Nimr al Nimr, juntamente com outros 46 acusados ​​de terrorismo, anunciada no sábado pela Arábia Saudita, agravou a já tensa relação entre os dois rivais e entre as maiores potências mundiais do petróleo.

Os xiitas, que são maioria no Irão e constituem 10 por cento da população do reino saudita, protestaram em vários países do Oriente Médio.

No Irão, centenas de manifestantes xiitas protestaram sábado na embaixada saudita na capital, provocando um incêndio com bombas molotov.

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irão, ameaçou: "a vingança divina cairá sobre os políticos sauditos" e o presidente iraniano, Hassan Rohani, criticou a morte do clérigo, mas condenou o ataque à embaixada, que deteve 40 pessoas.

O porta-voz iraniano, Hossein Ansari, disse que Riad "utiliza apenas a linguagem das execuções e a repressão" e acusou-os de "apoiar os extremistas e terroristas".

Na Arábia Saudita, um país de maioria sunita, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Osama al Nugali, escreveu em sua conta no Twitter que a punição não ocorreu porque eram xiitas, mas terroristas. O Ministério das Relações Exteriores respondeu que "o regime iraniano é o último no mundo que pode acusar os outros de apoiar o terrorismo, porque é um Estado que patrocina o terrorismo e está condenado pelas Nações Unidas e muitos outros países".

Internacionalmente, o medo é de que o conflito entre sunitas e xiitas prejudique a coligação contra o Estado islâmico.

Para a organização britânica de direitos humanos Reprieve, presente na região, as execuções no país de maioria sunita são "alarmantes" e considerou que Al Nimr e pelo menos quatro outras pessoas foram executadas por razões políticas.
Alemanha, Itália, Inglaterra e França condenaram o uso da pena de morte e os EUA e a ONU manifestaram preocupação com a possível escalada de conflitos na região.


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