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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Beato Marco António Durando - 10 de dezembro

Membro da Congregação da Missão. Sonhava em levar o Evangelho para a China, mas os planos de Deus eram outros


A vida de entrega nem sempre passa através dos canais sonhados. Este beato pensou na China, mas sua jornada espiritual e apostólica teve como cenário a Itália, sua terra natal. Ele nasceu em Mondovi dia 22 de maio de 1801. Ele pertencia a uma família rica, influente e numerosa; de dez crianças sobreviveram oito, alguns se dedicaram a vida militar e na política ocuparam posições importantes. Quando jovem, Marco António se comprometeu com a fé em um ambiente improvável, dado que seu pai professava um laicismo de viés anticlerical. Mas como sua mãe tinha fé e cuidava de sua educação, despertando nele o espírito religioso. Graças à sua influência, aos 14 anos entrou para o seminário em Mondovi, mas seu desejo era evangelizar a China.

Através da obediência, a vontade de Deus se manifesta e, apesar de, muitas vezes, não coincidir com a pessoal, gera grandes frutos, como aconteceu com Marco António. Ele carregava a China em seu coração. Como membro da Congregação da Missão e, sendo jovem, quase adolescente, com 15 anos de idade confidenciou a seus superiores o seu zelo missionário, pedindo para ser enviado para lá. Mas sua insistente demanda não foi aceita, porque eles tinham outros planos para o menino. Então, ele continuou seus estudos em Sarzana, mostrando sinais de virtude em todo o seu trabalho.

Não era saudável. Por isso, em 1822 teve de fazer uma pausa no período formativo, que coincidiu com a perda dolorosa de sua mãe. Ela já não teria a alegria de vê-lo sacerdote. Fato que teve lugar na Catedral de Fossano em 12 de junho de 1824. Depois, em Casale Monferrato, o beato revitalizou apostolicamente a região do Piemonte com o seu zelo apostólico, despertando o fervor das pessoas simples que não paravam de chegar para ouvir suas vibrantes pregações, embora trabalhassem em estabelecimentos públicos e tivessem que fechá-los para isso. No final das missões, quando chegava a hora de dizer adeus ao famoso missionário, não escondiam a grande tristeza.

Em 1830 ele foi nomeado superior da casa de Turim, lugar onde permaneceu até o fim de seus dias. Era um homem ponderado, com enorme tato e caridade que deu muitas provas de sua temperança em situações difíceis e dolorosas que teve de enfrentar por razões históricas e políticas. Quando alguns bens foram confiscados, ele atendeu fraternalmente a muitos religiosos afetados; tentava recuperar os pertences de sua comunidade, superando os obstáculos e as dificuldades e agindo no momento certo. Sua missão era a de intensificar as ações próprias de seu carisma, transmitidas através de missões populares, mas também junto ao clero em sucessivas conferências e retiros, conforme estabelecido por São Vicente de Paulo. Seguindo o seu exemplo, assistiu espiritualmente e materialmente os pobres.

Foi um grande diretor espiritual, procurado por pessoas de todas as classes sociais, incluindo os principais membros da igreja e da nobreza. A ele se deve o estabelecimento das Filhas da Caridade em Piedmont. Superando preconceitos de alguns clérigos, a elas confiou o cuidado com os feridos, tanto no hospital militar como no campo de batalha, um ato de coragem e fé que foi recompensado pessoalmente pelo rei Carlo Alberto. Entre outras ações, ele ajudou a difundir entre os jovens a Associação da Medalha Milagrosa, despertando numerosas vocações e vinte fundações. Ele fundou os centros de caridade 'Misericórdia’, uma rede extraordinária que foi dividida em várias frentes: asilos, hospícios, escolas, etc., tudo para ajudar os doentes e necessitados.

Em 1837, foi nomeado visitador da província da Alta Itália dos Padres Vicentinos (Lombardia), incomum dada a sua juventude, e serviu admiravelmente essa missão por mais de quarenta anos, até a morte. Em 1855, ele fundou o seminário Brignole-Sale para a formação de sacerdotes. Em 1865 com Luisa Borgiotti fundou as Irmãs de Jesus Nazareno com um grupo de jovens que se aproximaram dele porque queriam dedicar a vida a Deus. A elas ofereceu o lema: "Orai, obedecei e sejam santas!", orientando a assistência aos enfermos em casa, a tempo integral, e também a juventude abandonada, tendo como modelo a Paixão de Jesus. O beato era um homem bem relacionado, capaz de extrair de suas amizades frutos apostólicos. Intimamente, e ao mesmo tempo mostrando grande força, ele teve que combater o desânimo. Era humilde e gentil, soube combinar sabiamente compreensão com rigor. Muitas vezes, ele sofreu com as incompreensões. Com a saúde bastante debilitada, não foi poupado de sua missão: "Inclinado sob o peso dos anos, sentado em uma cadeira, com o rosto sempre suave e sorridente", diziam sobre ele nessa fase de sua vida. Assim chegou aos 79 anos e faleceu no dia 10 de dezembro de 1880. Foi beatificado por João Paulo II em 20 de outubro de 2002.


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