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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Peças soltas ou as duas faces da mesma moeda?

(Intolerância geradora de radicalismo)
 
A França, auto intitulada de laica, adora protestar e reivindicar os seus supostos direitos de declarada perseguição religiosa.

O Tribunal Administrativo de Rennes, na França, acolheu um recurso apresentado pela Federação Nacional de Livre Pensamento, e ordenou a remoção da cruz do monumento dedicado ao Santo Pontífice João Paulo II, instalado em Dezembro de 2006 na praça de Ploërmel, no departamento de Morbihan, na Bretanha, apelando ao princípio de laicidade contido na Constituição e na lei sobre a separação entre Igreja e Estado do dia 9 de dezembro de 1905. A municipalidade dispunha então de seis meses para retirar a cruz. Caso contrário, deveria ser removido todo o monumento.

Mais precisamente, os juízes disseram que não é tanto a estátua de bronze do Papa que incomoda com gravação da frase “Não tenhais medo”  mas também a sua colocação na praça, sob um arco encimado por uma grande cruz.

Segundo o dito tribunal, o monumento, “pela sua colocação e pelas suas dimensões, apresenta-se muito ostensivo” e viola assim a Constituição na qual está consignado o caráter laico da República Francesa.

O prefeito, Patrick Le Diffon, anunciou a sua intenção de interpor recurso no Conselho de Estado contra a ordem: "Percebi que são o arco e a cruz acima que são ostensivos e que tirá-los poderia ser suficiente”, disse, porém, “não posso fazê-lo sem o consentimento do artista”.

O autor da estátua, o russo ateu Zourab Tsereteli, respondeu ao prefeito de Ploërmel informando-o de que se vai opor a qualquer mudança do conjunto da sua obra da arte (protegida pela lei de propriedade intelectual) porque o arco e a cruz são partes integrantes do todo. Mas, segundo os juízes, se a cruz não puder ser tirada da estátua do Papa, será todo o monumento que deverá encontrar outro lugar. Parece então que o problema que tornou a estátua “ilícita”, foi a presença do crucifixo.

Os membros da Federação Nacional de Livre Pensamento exultaram com a decisão. A este propósito, recordemos que a mesma Federação fez remover em Saboia, uma estátua da Virgem Maria, por violar a referida  Lei de 1905 sobre a separação entre Estado e Igreja.

Volvidos escassos meses, os franceses viram-se e vêem-se a braços com outra cruz, bem mais pesada e destrutiva do que a simbólica imagem dum Santo, concebido pelas mãos de um escultor ateu russo, que muito generosamente ofereceu a sua obra àquela cidade francesa - note-se que o monumento não foi sequer construído a expensas do governo, mas sim uma oferta simbólica…

E agora: qual será a dimensão da cruz que carregam os inocentes e familiares das vítimas dos vários atentados naquele país de governo laico mas de cristão fiéis e de tantos outros praticante dos muitos credos religiosos cujo fim é simplesmente amar o seu Deus? Não esquecendo ainda todos os ateus ou agnósticos que por sua inteira liberdade de escolha optam não por não ter religião, mas não fazem mal a ninguém, nem tão pouco importunam quem pratica. Tanto ódio e tanta virulência contrastam declaradamente com o simbolismo francês de Igualdade, Fraternidade e Liberdade.

Na Catedral de Notre Dame, entre outros locais de culto, as “fémen”, passeiam-se em moldes de fazer inveja a qualquer reclame de um bom SPA, no Parlamento esgrimem-se para conquistar a liberdade para matar antes de nascer e antes de morrer, desunham-se para dissolver tudo o que lhes possa cheirar a cristianismo, família, casamento, valores e virtudes, esquecendo-se que, paredes meias, têm a seu lado quem os considera o “satã do ocidente” e não se coíbe de agir de forma violenta, em nome do que acreditam.

Um pouco por todo o lado sabemos bem o que tem vindo a acontecer e que fizemos? As armas, o petróleo, o dinheiro, as manobras político-económicas, as crises, e por fim, o drama do século XXI - o terrorismo.

Mas fixemo-nos na mensagem dita e repetida vezes sem conta ao logo do Evangelho e tão querida a S. João Paulo II – “Não tenhais medo”, a cruz é grande, mas o Senhor é o nosso Cireneu.

Ontem, como hoje e amanhã, o mal não tem a última palavra e Deus não perde batalhas, mas vigiai, orai e rezai o terço, pediu a Virgem Maria, em Lourdes e em Fátima.

Maria Susana Mexia

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