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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Ser família

Quando começámos a namorar, conversámos sobre que família gostaríamos de ser. Agora constatamos quão importante foi conhecer-nos mutuamente relativamente a este sonho, consequência e finalidade natural, se tudo corresse bem. Felizmente estávamos de acordo no fundamental.
 
Namorámos quase cinco anos, com calma e respeito, muitas horas de conversa e debate, muitas alegrias, ultrapassando dificuldades, sempre certos de que através dos dons do Espírito Santo saberíamos crescer juntos, se Deus nos tivesse criados para uma mesma carne. Tal como o Papa Francisco refere na audiência geral de 27/5/2015 “o matrimónio é antes de tudo a descoberta de uma chamada de Deus” e “a liberdade do vínculo [...] requer um caminho”.
 
Casámos pela Igreja e com Ela casamos todos os dias pois ao amarmo-nos somos sinal da presença viva de Cristo. Sermos família baseia-se numa construção diária que só é possível quando os dois procuram primeiramente a alegria, a santificação e o crescimento (a todos os níveis) do outro. Nem todos os dias são sucesso, mas, mesmo nos menos bons, a vontade e a força que sentimos é de que a família cresça em qualidade e quantidade.
 
No nosso dia a dia não há regras pré-definidas nem preconceitos que não sejam conversáveis. Temos de estar unidos para levar a cabo a árdua tarefa, pelo que tentamos tirar do caminho os obstáculos dispensáveis, para nos focarmos naqueles que fazemos questão de ultrapassar. Até hoje, um a um, nenhum ficou por superar. Não há uma receita, nem há dois dias iguais. Não é apenas ter filhos; é uma vida nova e maravilhosa, desafiante e engrandecedora, onde têm lugar as infâncias e bases afetivas e mentais de futuros homens e mulheres que queremos felizes.
 
Hoje somos família quase numerosa e experienciamos que, para nós pais, a família é lugar de realização, de sentir-se útil e necessário, de sentir-se amado e de ser-se desafiado à perfeição. Com a geração do primeiro filho passámos a ser pais e a nossa existência tornou-se mais significante.
 
Entre o casal, pela falta de tempo a sós e pela atenção permanente aos filhos, praticamente acabaram os desperdícios, as discussões ou mal-humores por motivos insignificantes. Por outro lado, procuramos qualidade em todos os momentos e olhares, valorizamos a presença e atenção mútua. Inventámos novas formas de nos mantermos casal e cultivarmos a nossa relação e a isso passámos a dar mais valor.
 
Ser família, para todos, é lugar de alegria, de felizes infâncias, de partilha íntima, de brincadeiras, de aprender, de ensinar e de transmitir valores através da forma de viver.
 
Não há nada que se compare a ter uma família. Que maravilha o dom que recebemos, termo-nos descoberto e a Vida que floresce.
 
Ser família não se explica, vive-se.

Maria Catarina Queirós
Educadora de Infância e Professora do Primeiro Ciclo do Ensino Básico

Luís Frederico Fonseca
Engenheiro Civil




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