O card. Sandri falou ontem no concerto oferecido pelo Patriarcado Arménio Católico na Igreja de São Nicolau de Tolentino
Roma, 13 de Abril de 2015 (Zenit.org)
"Nós nos reunimos para ouvir e meditar por meio dos cantos
da vossa tradição, no final de um dia histórico que viu reunido sob as
abóbadas da Basílica Vaticana os representantes de todo o mundo arménio
espalhado por todo o mundo, juntamente com o Sucessor do Apóstolo Pedro,
o amado Papa Francisco".
Dessa forma começou a falar o cardeal Leonardo Sandri, prefeito da
Congregação para as Igrejas Orientais, no seu discurso aos participante
do concerto oferecido pelo Patriarcado Arménio Católico, realizado ontem
à noite na Igreja de São Nicolau de Tolentino (Pontifício Colégio Arménio).
O evento encerrou o dia de oração pelas vítimas do Metz Yeghern e da
proclamação de São Gregório de Narek como Doutor da Igreja Universal.
Dois coros arménios apresentaram: o Choeur Notre Dame d'Armenie, de
Gumry, na República da Arménia, e o Coral Groung do Patriarcado Católico
da Cilícia dos Arménios.
"As vozes se elevaram principalmente para ressoar os acordes de
gratidão e louvor – disse Sandri – para ser pessoas que expressam a
própria identidade desde o baptismo do 301, pela fidelidade de Deus
mostrada em tantas vicissitudes da história, e por aquela de tantos
filhos e filhas da Nação arménia que passaram pela "grande tribulação",
com o nome de Jesus nos lábios e no coração".
O Cardeal recordou, portanto, "a experiência humana da perseguição e
extermínio atroz” que há cem anos, mas também outras vezes ao longo da
história, colocou o povo arménio perante “o desencadeamento das forças
do mysterium iniquitatis”. Pediu também, para “ser e permanecer
discípulos de Cristo” e “falar ao mundo da misericórdia do Pai”, a
exemplo de Santa Faustina Kowalska.
Porque, ressaltou, "se o pecado e o mal do homem criam como que
abismos, vazios – e o martírio do vosso povo é sem dúvida um desses –,
como crentes em Cristo somos chamados a espalhar sempre o véu da
misericórdia, que nunca é sem verdade e sem justiça. O que cura,
reconcilia é o amor de Deus que nos salvou”.
"Por essa razão - acrescentou o prefeito das Igrejas Orientais -
ninguém tenha medo: quando se perseguem estes altos valores, quando se
restaura um razoável consenso na leitura dos factos históricos, só pode
crescer a dignidade e a grandeza de um povo. Esse só pode ser grande e
se tornar referência para outros na medida em que cuida da própria
história de miséria e nobreza”.
Miséria - explicou Sandri - "quando pisou ou atropelou a inviolável
dignidade da pessoa humana”, nobreza “quando a reconhece, a serve e a
promove, dentro e fora das próprias fronteiras, além das diferentes
visões culturais e religiosas”.
A fé mantida ao longo dos séculos é a prova: "ela nos faz pensar que
em tempos de sofrimento e dor, no" vazio "e no aparente silêncio de
Deus, de seus corações e seus lábios fluam o canto de súplica, de
invocação, e da última entrega”.
"Jesus foi a última palavra nos seus lábios, como aquela dos vinte e
um cristãos coptas assassinatos na costa do Mediterrâneo e como em
análogas situações na África e no Oriente Médio”, sublinhou o cardeal. E
concluiu, invocando ao “nobre” povo da Arménia a intercessão da
"Santíssima Mãe de Deus" e do ''Iluminador e novo Doutor da Igreja, São
Gregório de Narek".
"Que as suas orações obtenham a reconciliação, a paz, e o perdão”,
disse, e “dê consolo, especialmente aos irmãos de Aleppo, aos quais,
desde ontem, começou a cair uma chuva de mísseis que está semeando o
terror e destruição. Perdão, paz e reconciliação: esta é a canção que
flui nesta tarde do coração do povo arménio!”
(13 de Abril de 2015) © Innovative Media Inc.
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