Depois que Francisco leu a mensagem sobre a deportação e extermínio de 1,5 milhão de arménios, Ancara afastou seu embaixador junto à Santa Sé e convocou o Núncio
Roma, 13 de Abril de 2015 (Zenit.org) Sergio Mora
O Santo Padre Francisco durante a missa celebrada no domingo
(12), na Basílica de São Pedro, por ocasião do centenário da deportação
e extermínio de 1,5 milhão de arménios, descreveu o acontecimento
histórico como o primeiro genocídio do século XX, citando uma declaração
assinada por João Paulo II e o Patriarca Arménio Karekin II, em 2001.
Na missa também a Sua Beatitude Nerses Bedros XIX Tarmouni lembrou o
genocídio que começou em 24 de Abril de 1915, e indicou que a Igreja Arménia declarará mártires, dia 23 de Abril próximo, todos aqueles que
aceitaram a morte cristã durante as deportações forçadas.
A Turquia reconhece a morte da população arménia deportada, mas nega
que foi um genocídio e atribui o fato ao resultado da aliança dos arménios com a Rússia e as vicissitudes da Primeira Guerra Mundial.
Um problema que paira sobre o reconhecimento é que se a Turquia
aceitasse o genocídio, surgiria então a necessidade de restituir parte
do território dos arménios que foi ocupado.
Em protesto contra as palavras do Papa, o embaixador junto à Santa
Sé, Mehmet PacacI, foi afastado. O diplomata tinha convocado uma
conferência de imprensa na embaixada para o domingo (12), mas suspendeu
no sábado.
Em 10 de Fevereiro, quando o diplomata convidou para um almoço na
embaixada três jornalistas, Fausto Gasparoni da agência de notícias
ANSA, Andrea Tornielli do La Stampa, e Sergio Mora coordenador de Zenit
em espanhol que assina esta matéria, considerou que a posição da Turquia
sobre a deportação e morte dos arménios tinha começado a mudar com as
recentes declarações do Presidente Erdogan e outras atitudes, mas
admitiu que seria necessário muito tempo para conciliar a versão que
indicam os descendentes dos deportados que sobreviveram.
Por sua parte, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut
Cavusoglu escreveu hoje em sua conta no Twitter: "A posição do Papa,
tanto do ponto de vista histórico como jurídico é simplesmente
inaceitável".
E pouco antes em outro tweet: "As funções religiosas não podem ser um
meio para fomentar o ódio e animosidade através de argumentos
infundados".
O Ministério das Relações Exteriores turco também convocou em Ancara,
o núncio junto à Santa Sé, Dom Antonino Lucibello, para explicações
sobre por que o Papa usou a palavra "genocídio" durante a missa na
Basílica de São Pedro.
Em comunicado citado pela imprensa turca, e retransmitido pela
agência AFP, o Ministério das Relações Exteriores turco manifesta sua
decepção pelas declarações de Francisco, acreditando que ele "tomou
partido", ignorando assim o sofrimento dos muçulmanos e de outros grupos
religiosos no mesmo período. E acrescenta que as declarações do Papa
"contradizem a mensagem de paz, de reconciliação e de diálogo" que
Francisco anunciou em Novembro, durante sua visita à Turquia.
Entre os sinais de abertura, o governo turco autorizou a construção
de uma igreja cristã de rito siríaco no distrito de Yeşilköy, fora de
Istambul, conforme notícia publicada em 5 de Janeiro. É a primeira vez
que isso acontece desde 1928, quando teve início a república, em um país
onde menos de 1 por cento da população é cristã, com diversos ritos.
Ao regressar da Turquia, o Papa durante a Audiência Geral, indicou
que teve a oportunidade de reafirmar a importância da garantia da
liberdade de culto. Também recordou a declaração que assinou com o
Patriarca Ecuménico de Constantinopla, na qual renova o seu compromisso
de trabalhar para restaurar a "plena comunhão".
(13 de Abril de 2015) © Innovative Media Inc.
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