Encontro com bispos africanos: destaque para o testemunho de caridade na emergência do ebola
Cidade do Vaticano, 09 de Fevereiro de 2015 (Zenit.org)
Em seu discurso aos participantes do Simpósio das
Conferências Episcopais da África e de Madagáscar (SECAM), o papa
exortou os bispos africanos a “permanecerem fiéis à própria identidade” e
a “serem uma experiência viva de comunhão e de serviço, especialmente
para com os mais pobres”.
“O serviço tem o objectivo de dar respostas comuns aos novos
desafios do continente, para que a Igreja possa falar ‘a uma só voz’,
dando testemunho da sua vocação e sendo sinal e instrumento de salvação,
de paz, de diálogo, de reconciliação”.
Para realizar esta missão, disse o Santo Padre, é preciso que os
pastores estejam livres de toda preocupação mundana e política e
reforcem os vínculos de comunhão com o papa através da colaboração com
as nunciaturas apostólicas. Isto exige “comunicação fluída e directa com
as outras instâncias da Igreja”, observou Francisco, acrescentando que é
necessário manter “as experiências eclesiais ao alcance de todos”, bem
como “estruturas pastorais sóbrias”, porque “as grandes estruturas
burocráticas analisam os problemas de forma abstracta e correm o risco de
deixar a Igreja distante das pessoas".
Quanto às novas gerações, o Santo Padre afirmou que, “na África, o
futuro está nas mãos dos jovens e eles hoje são chamados a se defender
de novas e inescrupulosas formas de colonização, como o sucesso, a
riqueza e o poder a todo custo, mas também do fundamentalismo, do uso
distorcido da religião e das ideologias novas que destroem a identidade
das pessoas e das famílias”. O caminho mais eficaz para superar a
tentação de ceder a esses estilos de vida tão perigosos é investir na
educação. Por isso, o bispo de Roma afirmou que é necessário “oferecer
uma proposta educativa que ensine os jovens a pensar criticamente, assim
como um percurso de amadurecimento dos valores” através de uma pastoral
escolástica, que combine a tarefa educativa com o anúncio explícito do
Evangelho.
No tocante à família, Francisco citou São João Paulo II e recordou
que “a Igreja é chamada a avaliar e incentivar todas as iniciativas em
favor da família como fonte privilegiada de toda fraternidade, como
fundamento e via primária da paz”. Ele citou as obras de tantos
sacerdotes, religiosos e leigos em sustento da família, em especial dos
idosos, doentes e portadores de deficiências: “Particularmente nas
regiões mais isoladas e remotas, suas Igrejas têm proclamado o Evangelho
da vida e, seguindo o exemplo do bom samaritano, têm socorrido os mais
necessitados”.
O papa também destacou o “estupendo testemunho de caridade” da Igreja
na África diante da recente emergência do vírus do ebola. Ele ressaltou
a acção de tantos missionários africanos que “ofereceram a vida para
permanecer do lado dos enfermos”.
Ao terminar seu discurso, o papa valorizou a “preciosa contribuição”
de tantos sacerdotes, religiosos e fiéis leigos no anúncio do Evangelho e
no progresso social das populações, além de recordar que “a
evangelização implica a conversão, ou seja, a mudança interior”.
(09 de Fevereiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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