A Comunidade de Santo Egídio pede para as autoridades italianas e europeias que restaurem a operação de resgate Mare Nostrum. Exige mudanças na política migratória da UE
Roma, 11 de Fevereiro de 2015 (Zenit.org) Ivan de Vargas
Pelo menos 29 imigrantes morreram de frio durante a
travessia em um barco no qual tentavam chegar às costas da Itália. Além
disso, outros 300 desapareceram em um naufrágio ao cruzar o Canal da
Sicília. Podem ter morrido depois de dois dias no mar, com base nos
depoimentos das nove pessoas resgatadas que viajavam com eles. Após a
chegada em Lampedusa, os sobreviventes garantiram que a violenta
tempestade que irrompeu na segunda-feira levou seus companheiros, disse
esta quarta-feira um porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas
para os Refugiados (ACNUR).
Em um comunicado, a Comunidade de Santo Egídio, expressou "sua dor e
suas condolências às famílias dos que perderam a vida pela enésima
tragédia do mar no Canal da Sicília". "29 vítimas confirmadas, mas
talvez são muitas mais. Acrescentam-se quem sabe quantas outras, desde o
começo de 2015, pela incapacidade de prestar socorro além das 30 milhas
da costa italiana, definidas pela operação Tritón”, lamentou.
No dia 1 de Novembro do ano passado o operativo do Resgate Mare
Nostrum foi substituído por uma nova missão conjunta da Agência Europeia
para a Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos
Estados-Membros da União (FRONTEX), denominada Tritón, que conta com
menos embarcações e também não pode aproximar-se das costas da Líbia.
"Distanciando o auxílio – denunciou esta realidade eclesial – não
deixam de existir as tragédias: o efeito é só o de escondê-las da vista
de todos”. “Só nos damos conta dessas embarcações miseráveis - continuou
– quando se aproximam das nossas costas”. “Mas então, como aconteceu
nesta segunda, é dolorosamente muito tarde”, enfatizou no seu escrito.
Diante desta situação, a Comunidade de Santo Egídio lançou ontem
mesmo “ um forte apelo às autoridades italianas e europeias”. “Se fica
pelo menos um pouco de piedade, é preciso actuar já em duas direcções
diferentes”, destacou a instituição católica. Em primeira instância,
devem-se “deter os estragos restabelecendo imediatamente a operação Mare
Nostrum”. E em segundo lugar, deve-se “conseguir imediatamente um
sistema europeu que permita entradas regulares e controladas”.
(11 de Fevereiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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