Páginas

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Francisco: não podemos renunciar à identidade para viver em harmonia

Sri Lanka: o Santo Padre participa de encontro inter-religioso com budistas, hinduístas, muçulmanos e cristãos


Cidade do Vaticano, 13 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Rocio Lancho García


O papa Francisco visitou nesta tarde o novo presidente da República do Sri Lanka, Maithripala Sirisena. Na residência presidencial, depois de assinar o Livro de Honra, o papa e o presidente tiveram uma conversa privada seguida pela tradicional troca de presentes.

Em seguida, o papa se dirigiu ao centro de congressos Bandaranaike Memorial International Conference Hall para o encontro inter-religioso, no qual falou de cooperação inter-religiosa e ecuménica como caminho para a reconciliação e para o respeito entre os povos. Ele também condenou a violência que tenta se justificar com crenças religiosas.

Participaram do encontro expoentes das principais religiões do Sri Lanka: a budista, a hinduísta, a muçulmana e algumas confissões cristãs. Após as boas-vindas com músicas tradicionais, dom Cletus Chandrasiri Pereira, bispo de Ratnapura e responsável pelo diálogo inter-religioso na Conferência Episcopal do Sri Lanka, apresentou o papa e os participantes do encontro. Seguiu-se um canto budista, uma bênção hinduísta e muçulmana, uma oração do grupo ecuménico e o discurso de um monge budista.

Especialmente significativa foi a fala do representante muçulmano, que condenou os atentados em Paris e no Paquistão e recordou que o islão é uma religião de paz, amor e harmonia e não tem relação com o racismo, o terrorismo e o extremismo. Por sua vez, o representante hinduísta deu ao Santo Padre um manto laranja, que ele usou para cobriu os ombros e manteve durante o resto do encontro.

Francisco lembrou que, no Concílio Vaticano II, a Igreja católica declarou seu profundo e permanente respeito pelas demais religiões. Hoje o pontífice reafirmou “o sincero respeito da Igreja por vocês, pelas suas tradições e crenças”. Deste modo, manifestou o desejo de que a sua visita “ajude a impulsionar e aprofundar as diversas formas de cooperação inter-religiosa e ecuménica que foram empreendidas nos últimos anos”. A este propósito, o Santo Padre precisou que, para que este diálogo seja eficaz, ele “deve basear-se numa apresentação completa e franca das nossas respectivas convicções”. Se formos honestos na apresentação das nossas convicções, explicou ele, seremos capazes de ver com mais clareza o que temos em comum. E assim “serão abertos novos caminhos para o mútuo apreço, para a cooperação e, certamente, para a amizade”.

O papa falou em seguida sobre a situação concreta do Sri Lanka e recordou que, durante muitos anos, os habitantes do país foram vitimas de conflitos civis e violência. “Precisamos agora da recuperação e da unidade, não de novos enfrentamentos e divisões”, afirmou, expressando o seu desejo de que a cooperação inter-religiosa e ecuménica demonstre que “os homens e as mulheres não têm que renunciar à sua identidade, seja étnica ou religiosa, para viver em harmonia com os seus irmãos e irmãs”.

Francisco também disse que, pelo bem da paz, “nunca se deve permitir que as crenças religiosas sejam utilizadas para justificar a violência e a guerra”.  Ele afirmou que temos que exigir das nossas comunidades, “com clareza e sem equívocos, que elas vivam plenamente os princípios da paz e da convivência que existem em cada religião, bem como denunciar os actos de violência que vierem a ser cometidos”.

Sem comentários:

Enviar um comentário