Papa adverte que uma cultura que rejeita o outro acaba gerando violência e morte
Roma, 12 de Janeiro de 2015 (Zenit.org)
Cerca de sessenta personalidades políticas, chefes de Estado
e de Governo e representantes de organizações internacionais
reuniram-se ontem para um protesto em massa contra a violência em Paris.
O francês François Hollande, a alemã Angela Merkel, o britânico David
Cameron, o espanhol Mariano Rajoy, o húngaro Viktor Orban, a
dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt, os primeiros ministros da Itália,
Portugal, Bélgica, Grécia, o primeiro-ministro israelense Benjamin
Netanyahu e o presidente da Autoridade Palestina, Abu Mazen; o ministro
russo dos Negócios Estrangeiros e presidente de Kosovo, o presidente de
Mali, Ibrahim Boubacar Keita, os presidentes de vários países africanos,
o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, entre outros; a
lista é muito longa. Tudo isso sem contar os inúmeros embaixadores,
representantes de organizações internacionais e representantes de
diferentes denominações religiosas presentes no país.
O número de participantes superou todas as expectativas: 1,5 milhão
de pessoas foram às ruas contra a barbárie terrorista na capital
francesa e dois milhões em outras cidades. Mas os protagonistas desta
acção contra o terror foram os sobreviventes da revista satírica Charlie
Hebdo, dizimada pelo ataque jihadista de quarta-feira, que provocou a
morte de 12 pessoas, e também os parentes das vítimas do atentado
terrorista e do sequestro de sexta-feira no Supermercado Cacher, de
comida Kosher, onde quatro pessoas da comunidade judaica foram mortas.
Os participantes do protesto, apesar dos momentos em silêncio, não
deixaram de aplaudir incessantemente a procissão, e também ao ver alguns
carros de polícia (três membros das forças de segurança foram mortos
esta semana).
Um dos momentos mais comoventes foi quando Hollande se dirigiu ao
grupo de familiares e amigos das vítimas para abraçar Patrick Pelloux,
médico e membro da equipe da revista; um policial de Marseille, irmão do
agente assassinado após o ataque à revista e parentes dos quatro judeus
assassinados na sexta-feira.
No último minuto, o presidente francês e outros líderes se deslocaram
para a Grande Sinagoga de Paris, onde participaram de uma cerimónia em
luto pelos mortos. Antes da marcha, Hollande recebeu vários líderes
desta comunidade. "Estamos determinados a continuar vivendo o nosso
judaísmo. Não vamos ceder à violência", disse Roger Cukieman, presidente
do Conselho Representativo das Instituições Judaicas na França.
Além da participação maciça em Paris, mais de 200.000 pessoas foram
às ruas em Lyon; 100.000 em Bordeaux; mais de 40.000 em Perpignan e
Saint-Etienne; mais de 14 mil em Tarbes; e cerca de 10.000 em Dammartin,
a cidade há 40 quilómetros ao norte de Paris, onde foram mortos na
sexta-feira os irmãos Cherif e Kouachi, autores do ataque contra Charlie
Hebdo. A manifestação foi precedida por outra espontânea realizada na
quarta-feira, horas depois do ataque contra a revista, e sexta-feira,
com mais de 700.000 participantes.
Enquanto isso, o Papa Francisco na segunda-feira reiterou a sua firme
condenação aos ataques terroristas na França. Durante uma audiência com
o corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, disse que “uma cultura
que rejeita o outro, rompe os vínculos mais íntimos e verdadeiros,
acabando por dissolver e desagregar toda a sociedade, gerando violência e
morte”- e acrescentou- “um triste eco disso mesmo, encontramo-lo em
numerosos factos referidos nas notícias quotidianas, como o trágico
massacre que há dias sucedeu em Paris”.
Os outros «deixam de ser sentidos como seres de igual dignidade, como
irmãos e irmãs em humanidade, passando a ser vistos como objectos»
(Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 08 de Dezembro de 2014).
“São perigos que quis salientar na Mensagem para o recente Dia
Mundial da Paz, dedicada à problemática das múltiplas escravidões
modernas. Estas nascem dum coração corrupto, incapaz de ver e fazer o
bem, de buscar a paz”, destacou o Papa em seu discurso.
(12 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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