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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Há 10 anos, os gumuz não tinham ouvido falar de Jesus… Até que chegou o padre González Núñez

Uma missão de primeiro anúncio no Nilo Azul 

O padre González Núñez numa das missões dos Gumuz, na Etiópia

Actualizado 16 de Setembro de 2014

OMPRess

Juan Antonio González Núñez é um missionário comboniano nascido em Chandreja de Queija, Orense, que está vinculado à Etiópia desde há nada menos que 38 anos.

Conta a OMPress que há 10 anos voltou ao norte do Nilo Azul, na Etiópia, para uma nova missão que se estava abrindo. Era numa zona totalmente marginal, sem presença da Igreja, com uma tribo sudanesa, os gumuz, que, pela sua procedência estrangeira, se viu marginalizada e desprezada pelo resto dos etíopes.

Hoje, dez anos depois, Juan Antonio conta como, depois de chegar à região de Bahr-Dar, no noroeste do país, dentro da imensa diocese de Addis Abeba, tudo começava do zero, passo a passo.

Foi o começo de uma verdadeira missão ad gentes, uma primeira evangelização.

A missão está em Guelguel Beles. As missionárias combonianas também chegaram e puseram em marcha escolas e dispensários.

Logicamente, com só uma década, a Igreja desta zona é muito jovem, e o Evangelho não tem todavia uma incidência na mudança dos costumes.

Certo, comenta Juan Antonio, que há costumes que são perfeitamente assumíveis desde o Evangelho. Outras, nem tanto.

Refere-se, por exemplo, ao facto de que os matrimónios não se fazem por dote ou livremente, como em outras partes de África, mas sim por intercâmbio, criando situações difíceis, raptos de mulheres e outras práticas.

O “momento evangelizador” são as catequeses que se dão nos diferentes povoados. Sai-se ao entardecer até os povoados e tem-se a noite, porque é quando todos estão reunidos, despois de passarem a jornada no campo, depois de voltarem das suas tarefas.

A Juan Antonio ilumina-se-lhe a cara quando fala das catequeses. 

Catequeses pela tarde com os gumuz
Claro que nem tudo é tão fácil. A estação das chuvas torna os caminhos todavia mais impraticáveis. O barro domina tudo.

Perante as dificuldades que sofrem para chegar aos povoados, um dia perguntou a um catequista como faziam as pessoas para mover-se durante a estação das chuvas.

O catequista que o acompanhava disse-lhe que as pessoas nesse período não se deslocavam a não ser que fossem coisas extraordinárias. Como nós, disse-lhe, que “estamos anunciando Jesus Cristo e isto é algo extraordinário”.

Até o presente abriram-se duas missões entre os gumuz.

Além da de Guelguel Beles, com as combonianas, há uma segunda, em Gublak, com religiosas franciscanas, todas etíopes.

O futuro, está por ver-se, porque a norte do Nilo Azul, próximo da fronteira está-se construindo a maior barragem de África, pelo que as terras dos gumuz, por ser uma região sumamente marginal, atraem agora mais a atenção... O que está mudando e mudará a fisionomia social da região.

Mais informação sobre a missão com os gumuz e possibilidades de ajudar esta igreja que há 10 anos não tinha ouvido falar de Jesus em: www.mundonegrodigital.es/mnd/proyecto



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