O secretário de Estado vaticano reitera o compromisso da Santa Sé em favor das populações que sofrem no Oriente Médio
Roma, 10 de Outubro de 2014 (Zenit.org)
"Não devemos nos esquecer, não devemos nos resignar". O
cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, lançou este
apelo em face das notícias que continuam chegando das áreas em conflito
no Oriente Médio; de forma particular, das zonas sob ocupação do grupo
terrorista Estado Islâmico. Em entrevista publicada hoje no Osservatore
Romano, o purpurado reitera o compromisso da Santa Sé em favor das
populações da região e lembra o consistório do próximo dia 20 de Outubro, que, por desejo do papa Francisco, abordará esta delicada
situação.
O secretário de Estado vaticano recorda na entrevista que o papa
convocou os núncios apostólicos do Oriente Médio a dedicarem uma
reflexão à "dramática situação que há tempo se vive na região e a
manifestarem a solidariedade, dele e de toda a Igreja, para com as
pessoas que sofrem as consequências dos conflitos em andamento".
Neste encontro, "foi possível um rico intercâmbio de informação e uma
avaliação da situação a partir da experiência directa, para ponderar o
que a Igreja pode fazer e o que pode ser pedido à comunidade
internacional".
O cardeal explica, na entrevista, que, durante o encontro com os
núncios, "escutamos com comoção e grande preocupação o testemunho das
atrocidades inauditas perpetradas por muitos, acima de tudo pelos
fundamentalistas do grupo denominado Estado Islâmico: as decapitações, a
venda de mulheres no mercado, o recrutamento de crianças para combates
sangrentos, a destruição de lugares de culto". São pessoas humilhadas em
sua dignidade e submetidas a sofrimentos físicos e morais.
Parolin define a situação como "complexa" e observa que "o caminho da
violência leva apenas à destruição; já o caminho da paz leva à
esperança e ao progresso". Por isso, ele indica que o primeiro passo
urgente em prol da população do Oriente Médio é "depor as armas e
dialogar".
"Há uma obrigação moral, para todos, de dizer um basta a tanto
sofrimento e injustiça e de começar um novo caminho, em que todos
participem com direitos e deveres iguais, como cidadãos comprometidos
com a construção do bem comum, no respeito das diferenças e dos talentos
de cada um".
Por outro lado, o cardeal adverte que, no caso do Estado Islâmico,
"seria necessário prestar atenção às fontes que garantem as suas
actividades terroristas através de apoios políticos mais ou menos claros e
através do comércio ilegal de petróleo e da provisão de armas e de
tecnologia".
Além disso, "é lícito parar o agressor injusto, sempre que seja no
respeito do direito internacional". Parolin acrescenta que "não se pode
confiar a resolução do problema apenas à resposta militar": ele tem que
ser enfrentado mais profundamente, a partir das suas causas, que são
exploradas pela ideologia fundamentalista. Por esta razão, o cardeal
reforça, na entrevista, que a comunidade internacional deverá agir para
evitar possíveis genocídios e para dar assistência a numerosos
refugiados que correm o risco de uma vida de fome e de uma morte lenta,
mas inevitável.
Parolin destaca ainda que os líderes religiosos "podem e devem
desempenhar um papel fundamental para favorecer o diálogo entre as
religiões e as culturas e para incentivar a educação voltada à
compreensão recíproca". Eles devem, além disso, "denunciar claramente a
instrumentalização das religiões como tentativa de justificar a
violência".
O secretário de Estado recorda, ao encerrar a entrevista, que "é
necessária uma renovada vontade de solidariedade por parte da comunidade
internacional e das suas estruturas humanitárias, a fim de se fornecer
comida, água, tecto, educação para os jovens e assistência médica para os
refugiados em todo o Oriente Médio".
(10 de Outubro de 2014) © Innovative Media Inc.
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