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sábado, 2 de agosto de 2014

Museu da Assembleia da República - Peça do Mês - Julho 2014

Coroa real, em madeira de cedro e talha dourada, policromada, de grandes dimensões. Foi concebida pelo escultor Anatole Calmels, em 1866, e executada pelo entalhador Leandro Braga. 

Anatole Célestin Calmels (concepção)
e Leandro Souza Braga (execução),
1866, talha dourada, madeira,
ouro fino, tinta.
A peça é composta por sete arcos fechados que apresentam frisos de pérolas em vulto, convergindo no topo e alargando para a base, rematados em folhas de acanto e intercalados por pináculos de forma ovular. O aro da base é preenchido por sequência simétrica e relevada de losangos, pérolas e óvulos, limitado nas zonas inferior e superior por rebordo convexo. O crucífero apresenta remate canelado e complementado no topo por cruz latina, visualizando-se nesta uma pequena esfera central de onde derivam quatro braços em forma de túlipa. O interior da peça é uma estrutura semicircular e irregular, que recria um forro de veludo carmesim.

A coroa real é o símbolo da autoridade monárquica. Até ao Rei D. Sebastião, ela consistiu num simples aro de ouro com florões, de formato aberto, e inspirada na coroa de duque oriunda da 1.ª dinastia. Este monarca procedeu à sua substituição por uma coroa fechada, pretendendo assim simbolizar a unidade do Estado e do Povo. Desde D. João IV, que consagrou o Reino de Portugal a Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Vila Viçosa, proclamada Rainha de Portugal, os monarcas portugueses deixaram de usar a coroa, sendo a partir daí aclamados. Não chegou aos nossos dias nenhum exemplar de coroa real anterior a D. João VI, e o único que existe, constituído exclusivamente por ouro, foi executado no Brasil, em 1817, tendo sido utilizada posteriormente nas cerimónias de juramento dos monarcas. 

Panorâmica da Sala do Senado, c. 1867,
foto de Francesco Rocchini. Arquivo
Municipal de Lisboa.
Esta peça foi encomendada para a Câmara dos Dignos Pares do Reino, inaugurada em 13 de Janeiro de 1867, tendo aí permanecido a encimar o dossel de suporte do retrato do Rei D. Luís até à implantação da República, altura em que foi substituída pelas insígnias do novo sistema político - a esfera armilar com o escudo. Este espaço adoptou então a designação de Sala do Senado.



 

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