Coroa real, em madeira de
cedro e talha dourada, policromada, de grandes dimensões. Foi concebida
pelo escultor Anatole Calmels, em 1866, e executada pelo entalhador
Leandro Braga.
| Anatole Célestin Calmels (concepção) e Leandro Souza Braga (execução), 1866, talha dourada, madeira, ouro fino, tinta. |
A peça é composta por
sete arcos fechados que apresentam frisos de pérolas em vulto,
convergindo no topo e alargando para a base, rematados em folhas de
acanto e intercalados por pináculos de forma ovular. O aro da base é
preenchido por sequência simétrica e relevada de losangos, pérolas e
óvulos, limitado nas zonas inferior e superior por rebordo convexo. O
crucífero apresenta remate canelado e complementado no topo por cruz
latina, visualizando-se nesta uma pequena esfera central de onde derivam
quatro braços em forma de túlipa. O interior da peça é uma estrutura
semicircular e irregular, que recria um forro de veludo carmesim.
A
coroa real é o símbolo da autoridade monárquica. Até ao Rei D.
Sebastião, ela consistiu num simples aro de ouro com florões, de formato
aberto, e inspirada na coroa de duque oriunda da 1.ª dinastia. Este
monarca procedeu à sua substituição por uma coroa fechada, pretendendo
assim simbolizar a unidade do Estado e do Povo. Desde D. João IV, que
consagrou o Reino de Portugal a Nossa Senhora da Imaculada Conceição -
Vila Viçosa, proclamada Rainha de Portugal, os monarcas portugueses
deixaram de usar a coroa, sendo a partir daí aclamados. Não chegou aos
nossos dias nenhum exemplar de coroa real anterior a D. João VI, e o
único que existe, constituído exclusivamente por ouro, foi executado no
Brasil, em 1817, tendo sido utilizada posteriormente nas cerimónias de
juramento dos monarcas.
| Panorâmica da Sala do Senado, c. 1867, foto de Francesco Rocchini. Arquivo Municipal de Lisboa. |
Esta peça foi encomendada para a Câmara
dos Dignos Pares do Reino, inaugurada em 13 de Janeiro de 1867, tendo aí
permanecido a encimar o dossel de suporte do retrato do Rei D. Luís até
à implantação da República, altura em que foi substituída pelas
insígnias do novo sistema político - a esfera armilar com o escudo. Este
espaço adoptou então a designação de Sala do Senado.
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