Entrevista com D. Ignacio Kaigama, Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria
Roma, 14 de Maio de 2014 (Zenit.org)
Na noite de 14 de Abril, cerca de 275 meninas foram raptadas
de uma escola pública, na cidade de Chibok, no estado de Borno, Nigéria. O grupo extremista Boko Haram assumiu a responsabilidade do
sequestro.
A Fundação AIS falou com D. Ignacio Kaigama, Arcebispo de Jos e Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria:
Fundação AIS: Mons. Kaigama, esta não é a primeira vez que o grupo
Boko Haram comete um acto de violência contra vítimas inocentes na
Nigéria, mas desta vez o golpe chocou o mundo.
Mons. Kaigama: Eles queriam ferir o coração da Nigéria. Estou muito
preocupado. Essas meninas nunca saíram da cidade e agora encontram-se na
selva. Rezo para que os valores religiosos que o grupo Boko Haram
defende sejam suficientes para respeitarem a dignidade dessas meninas.
Elas são simplesmente meninas inocentes. A vida é sagrada.
Fundação AIS: É trágico que tenha de acontecer algo tão terrível para atrair a atenção do mundo.
Mons. Kaigama: Sim, o grupo Boko Haram tem cometido uma série de
ataques e já mataram milhares de pessoas desde 2009. Na minha própria
diocese de Jos, já sofremos vários ataques, por exemplo, contra a igreja
católica de St. Finbarr, onde morreram 14 pessoas. Em Fevereiro, o
grupo terrorista assassinou mais de 100 homens cristãos nas aldeias de
Doron Baga Izghe, mas a comunidade internacional não reagiu. Desta vez
foi diferente porque se trata de meninas inocentes e também porque
afecta directamente o sofrimento de mulheres, as mães dessas meninas. E
as mulheres podem identificar-se melhor com o sofrimento dos outros. As
mulheres começaram a organizar manifestações: tanto com cristãos como
com muçulmanos.
Fundação AIS: Apesar do grupo Boko Haram perseguir os cristãos e
tentar islamizar todo o país, não é verdade que cada vez mais a
perseguição e a violência afectam também a comunidade muçulmana?
Mons. Kaigama: Sim. No início, a ideia principal era destruir o
Cristianismo, os denominados "valores ocidentais" e implementar a lei da
Sharia, no norte da Nigéria. Os ataques dirigiram-se não só contra os
cristãos, como também contra a polícia e outras instituições
representativas dos valores ocidentais. Mas agora ninguém pode dizer que
eles atacam apenas os Cristãos. O grupo Boko Haram matou também
clérigos muçulmanos. Neste momento, não se trata apenas de uma luta
entre norte e sul, nem tão pouco entre muçulmanos e cristãos. Trata-se
de seres humanos. Os nigerianos estão juntos pela liberdade e dignidade;
está a crescer uma única voz, uma voz que diz: «a violência não é a
solução.
(Fonte: Departamento de Informação da Fundação AIS)
(14 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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