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terça-feira, 14 de maio de 2013

Bob Dylan, peregrino do Rock, procurava a verdade na música e assim encontrou Jesus Cristo

58 discos publicados

Com meio século no mundo da música e 58 discos publicados, Bob Dylan parece culminar uma carreira na qual mudou várias vezes de registo. Na sua procura da verdade através da música encontrou o tesouro do cristianismo, que lhe serviu de inspiração para compor de forma explícita três dos seus discos.

Actualizado 8 de Maio de 2013

Jesús García/ReL


Em 1962 saiu à luz um dos discos mais importantes na história da música. Intitulava-se Bob Dylan e se tem um lugar privilegiado na discoteca de coleccionistas e aficionados, não é pela qualidade das suas canções, mas sim por ser o primeiro da carreira do génio de Minnessota.

Só dois dos temas daquela apresentação foram compostos pelo próprio Dylan. Sem dúvida, no ano seguinte e dentro do álbum The Freewheelin’ Bob Dylan, o mundo escutou um hino que desde então trespassou fronteiras, derrubando muros e unindo gerações como se uma brisa de vento interminável o levasse flutuando além donde se necessita.

Com o tema Blowin’ in the wind (‘Flutuando no vento’) nasceu o profeta da revolução juvenil, o autor por excelência da canção de protesto, que ampliará a sua fama e o seu peso no panorama internacional um ano depois, em 1964, com o seu terceiro álbum: The times they are a-changin’ (‘Os tempos estão mudando’).

O certo é que Bob Dylan nem se chama Bob nem se apelida Dylan. A sua verdadeira identidade é Robert Allen Zimmerman. Mas Bob quis deixar atrás Robert e sepultou o apelido judeu da sua família em honra do poeta britânico Dylan Thomas, para passar à história como Bob Dylan, nascido em 24 de Maio de 1941, em Duluth, Minnessota.

Conversão
As mudanças de direcção no rumo vital de Dylan não acabaram na sua identidade. Aos seus fans custou-lhes digerir que deixasse a guitarra acústica e o folk para ligar-se à eléctrica e o rock uns quantos discos mais tarde. Isso ocorreu em 1965, com o álbum Highway 61 Revisited, sexto da sua carreira.


Mas os protestos pela mudança de registo sucumbiram perante a arrebatadora canção Like a rolling stone.

Muito poucos teriam apostado que o genial Dylan chegasse a cantar alguma vez perante um Papa. Mas a história de Dylan escreve-se assim, como a de um ‘canto rodado’ e a golpes de inspiração, em ocasiões, como no caso da sua conversão ao cristianismo, parece que inspiração divina.

Época dura e frutífera
Depois de sofrer a separação da sua mulher, com a qual teve quatro filhos, um Dylan quarentão sofre uma crise existencial que o leva a descobrir o valor da Cruz e a redenção.

Foi uma época dura para o cantor, mas tremendamente frutífera para a sua discografia. Assim, em 1979, 1980 e 1981, publica três discos seguidos que são conhecidos pelos seus biógrafos como os ‘discos cristãos’: Slow train coming (O trem que vem devagar), Saved (Salvado) e Shot of love (Impacto de amor).

Neles escutam-se, mesclados com acordes desgarrados e tensos toques, letras de canções tão explícitas como When He returns (Quando Ele regressar):

“Entrega a tua coroa sobre esta terra manchada de sangue; tira a máscara; Ele vê os teus actos; Ele sabe as tuas necessidades antes de que tu lhe peças; Quanto tempo podes falsear e negar qual é a Verdade?”.

E continua:

“De cada plano terreno que o homem faz para servir-se, Ele não se preocupa; Ele tem planos para instalar o Seu trono; quando Ele regressar”.
1997 foi outro ano escuro para Dylan, que chegou a temer pela sua vida ao ser internado de urgência por uma infecção cardíaca.

Nesse mesmo ano, João Paulo II deu-lhe um sorriso ao convidá-lo a tocar perante 300.000 jovens durante a celebração do Congresso Eucarístico de Bolonha.

Um só caminho

O convite supôs um desacordo entre o Papa e o então cardeal Ratzinger, que não via conveniente a actuação, no marco do Congresso, de “esse tipo de profetas”.

Mas o velho Papa polaco era capaz então de ver mais além das aparências, servindo-se da letra mais conhecida do poeta, logo depois de que a cantara, para evangelizar.

A primeira estrofe de Blowin’ in the wind pergunta: “Quantos caminhos deve percorrer um homem antes de converter-se em homem?”, ao que João Paulo II lançou a sua resposta ao vento, para que perdurar no tempo tanto como a canção: “Quantos caminhos? Há um só: Cristo é o caminho que o homem tem que percorrer antes de ser chamado homem!”.

Bob Dylan tem 71 anos, dos quais dedicou 50 à música, e 58 discos às suas costas, dos quais vendeu mais de 90 milhões de cópias.

As suas voltas musicais deram várias vezes a volta ao mundo. É uma lenda viva, atrevida, cansada mas sempre em marcha. É um peregrino do rock que vive a sua vida disposto a rectificar, mas mantendo algo inamovível: a sua fé.

“Sou alguém que crê - manifestou depois de cantar perante o Papa -. Vivo-o assim e manifestei-o nas minhas canções.

Uma vez escrevi que Deus não é um ‘fetiche’ para as necessidades do homem, e sigo pensando-o. Sinceramente, não mudou nada, não tenho nada novo que acrescentar. Eu sou crente”.




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