O pe. Lombardi explica as etapas que antecedem o tão esperado "Habemus Papam"
Roma,
Na véspera do conclave, o porta-voz vaticano, pe. Federico Lombardi, dedicou a maior parte do briefing com os jornalistas a ilustrar os destaques deste evento que afecta não apenas a Igreja Católica, mas o mundo inteiro.
O director da Sala de Imprensa da Santa Sé falou sobre a procissão
dos 115 cardeais eleitores entre a Capela Paulina, depois de um breve
momento de oração, e a Capela Sistina, na tarde desta terça-feira (16h30
no horário de Roma - 12h30 no horário de Brasília). A procissão segue
as disposições pormenorizadas na Ordo Rituum Conclavis.
Abrirão a procissão a cruz e os castiçais, seguidos pelos cantores da
Capela Sistina. Seguem alguns prelados e o secretário do conclave, o
cardeal maltês Prosper Grech, que, depois, já dentro da capela, dirigirá
a meditação dos cardeais após a proclamação do “Extra Omnes”, a fórmula
em latim que significa “todos para fora” e que ordena a saída de todos
da capela, excepto os cardeais eleitores.
Participam da procissão, naturalmente, todos os demais cardeais, por
ordem inversa de precedência, ou seja: vão à frente os últimos na
precedência estabelecida pelas diversas ordens (diáconos, presbíteros e
bispos). Os primeiros, assim, são os cardeais Harvey e Versaldi. Com
base neste mesmo critério, fecha a procissão o cardeal Re, o mais velho
da ordem dos bispos, e, portanto, o primeiro na ordem de precedência. Re
é o celebrante da procissão e da cerimónia de juramento na Capela
Sistina. Quem o acompanha é o mestre de cerimónias, mons. Marini.
O momento da procissão se torna ainda mais solene com o canto da
Ladainha dos Santos, de algumas invocações e do célebre Veni Creator
Spiritus, o grande hino de invocação do Espírito Santo. Cantando, os
cardeais entram na Sistina e se dirigem ao próprio lugar para pronunciar
o juramento, conforme previsto na constituição apostólica.
Depois que o celebrante principal, cardeal Re, recita uma longa
fórmula introdutória em latim, cada cardeal, de acordo com a ordem de
precedência, vai até o púlpito no centro da Capela Sistina, sobre o qual
repousa o evangeliário aberto. Com a mão sobre a Palavra de Deus, cada
cardeal pronuncia o seu nome e a fórmula de adesão ao juramento.
Logo depois, "todos para fora!": segue-se a fórmula “Extra Omnes”,
pronunciada pelo mestre de cerimónias. Todos se retiram da Sistina, com
excepção dos cardeais eleitores, do cardeal encarregado da meditação
(Grech) e do próprio mestre de cerimónias. Uma vez fechadas as portas da
capela, tem-se a meditação, após a qual os eleitores podem escolher se
realizam de imediato a primeira votação.
“Esta votação”, explica o padre Lombardi, “sendo a primeira,
dificilmente terá um resultado positivo”. A primeira fumaça, quase
certamente, será preta. Os cardeais encerram o primeiro dia do conclave
com a celebração comum das vésperas, antes de voltar para a Casa Santa
Marta para jantar.
Na Capela Sistina, cada cardeal encontra em seu assento a Ordo Rituum
Conclavis, uma cópia da constituição apostólica e o livro da Liturgia
das Horas, para os diversos momentos de oração.
Lombardi explica ainda o que acontece quando é atingido o quorum de
2/3, que, na actual eleição, equivale aos 77 votos necessários para
eleger o novo papa. Uma série de cerimónias curtas passa a ser realizada
na Capela Sistina a partir desse momento.Primeiro, o "Rito de
Aceitação": o cardeal decano (neste caso, o presidente da assembleia,
que é o cardeal Re) aborda o eleito com a pergunta: "Aceitas a tua
eleição canónica para Sumo Pontífice?". Segue-se a resposta e, em
seguida, a segunda pergunta: que nome o candidato escolhe como papa.
As cédulas de votação são queimadas e, com elas, surge a esperada
fumaça, que, se for branca, indica a aceitação do candidato escolhido. O
novo papa se dirige então à Sala das Lágrimas, assim chamada porque,
segundo a tradição, o papa recém-eleito pode ali dar vazão às suas
emoções diante da importante missão que acaba de assumir. É nesta sala
que ele receberá as vestes papais, já preparadas pelo alfaiate
Gammarelli.
O pontífice retorna logo depois à Capela Sistina, onde acontece outra
pequena cerimónia, com a leitura de uma passagem do Evangelho sobre o
ministério petrino e uma oração feita pelos primeiros representantes da
ordem dos diáconos, da ordem dos presbíteros e da ordem dos bispos.
Todos os cardeais, então, realizam o ato de homenagem em que juram
lealdade ao novo papa.
Contando-se todos estes diversos momentos, o director da Sala de
Imprensa do Vaticano estima que "provavelmente transcorram 45 minutos
desde a fumaça branca até o toque dos sinos e o anúncio feito pelo
protodiácono”. Mais dez minutos e o novo papa aparece para a multidão.
Após o canto do "Te Deum" na Capela Sistina, chega-se ao momento
culminante do conclave: o Habemus Papam. O protodiácono sai à sacada da
basílica de São Pedro e anuncia, para a multidão de fiéis que está
reunida na praça desde que surgiu a fumaça branca, o nome do novo
pontífice.
Uma novidade neste ano, relatou o porta-voz vaticano, é que o papa
recém-eleito, ao deixar a Capela Sistina antes de se dirigir à sacada de
São Pedro, fará uma pausa na Capela Paulina, onde, diante do Santíssimo
Sacramento, rezará de modo "breve, pessoal e silencioso". Uma vez na
sacada, o papa saudará o povo de Deus e dará a sua primeira bênção Urbi
et Orbi. Nesta ocasião, o protodiácono anuncia também a concessão da
indulgência, como na Páscoa e no natal.
Uma última informação importante dada pelo pe. Lombardi é que a missa
de inauguração do pontificado poderá ser celebrada mesmo em dia de
semana. A primeira celebração do novo papa não precisa necessariamente
acontecer no domingo: ela depende da duração do conclave e do tempo
disponível para as delegações estrangeiras que queiram participar.
in
Sem comentários:
Enviar um comentário