Primeiras votações
Actualizado 12 de Março de 2013
ReL
O Conclave inicia-se hoje e 115 cardeais eleitores escutarão com atenção a pregação do ancião cardeal maltês Próspero Grech na Capela Sistina, depois de ressoar a invocação do "Veni Creator Spiritu" e as ladainhas dos santos.
Num pré-conclave sem seguranças e com muitas incertezas, ressoaram muito numerosos nomes. Mas há dez nomes que se destacam por encarnar distintas possibilidades e entre os que com mais probabilidade se encontra o novo Papa.
I - Marc Oullet, Canadá, 68 anos
É provavelmente o melhor situado. Nascido em Quebec, fala perfeitamente inglês e francês; aprendeu o espanhol sendo professor de sacerdotes na Colômbia durante 9 anos, o seu carisma próprio como religioso sulpiciano.
Fala também o alemão e o italiano e foi o responsável da Congregação para os Bispos, o que lhe permitiu conhecer os líderes e pastores da Igreja de todo o mundo.
É tranquilo, simples e afável. Foi arcebispo no Quebec, o mais descristianizado do continente americano. Seria o primeiro Papa americano, e um Papa não-europeu, mas sem deixar de ser ocidental.
II - Angelo Scola, Itália, 71 anos
Foi Patriarca de Veneza e agora arcebispo de Milão, a maior diocese de Itália e da Europa, da qual saíram vários Papas. Muito próximo intelectualmente de Bento XVI, aparecerá no seu papel de mestre e teólogo.
Muitos o encontram denso nos seus discursos, ainda que no diálogo é muito mais fluído. A espiritualidade do movimento Comunhão e Libertação nutriu-o vivencialmente, mas esta relação com esta realidade eclesial pode prejudicá-lo já que nos últimos tempos se relacionou com algumas polémicas sobre política local e financiamento em Itália.
III - Sean Patrick O´Malley, Estados Unidos, 69 anos
Quando alguns elementos da Cúria temem a chegada de um "Papa sheriff" se referem a ele: um arcebispo que fez limpeza em Boston, que tomou uma diocese prostrada e arruinada pela crise dos abusos sexuais, deu-lhe a volta, voltou a encher os seminários e as paróquias e a converteu num sítio mais seguro.
Veste sempre o seu hábito capuchinho e vive numa austera habitação monástica depois de vender o palácio episcopal. Foi um grande evangelizador nos ambientes de imigrantes hispânicos e é um enamorado dos santos espanhóis. Tem Twitter e um blogue e é todo um renovador da Igreja.
Inclusive para os entusiastas de um Papa norte-americano e extrovertido como poderia ser o arcebispo Dolan, de Nova Iorque, O´Malley aparece como uma alternativa: igual de vigoroso e eficaz, mas menos exuberante nos seus gestos e expressão.
IV - Odilo Pedro Scherer, Brasil, 63 anos
O pastor dos 6 milhões de católicos de São Paulo não desconhece a Cúria e é membro dos Pontifícios Conselhos da Família, Nova Evangelização e a Congregação para o clero. Muitos consideram-no como o mais europeu dos candidatos latino-americanos, pelo seu ascendente alemão.
É um bom comunicador. Com uma JMJ prevista para o Brasil dentro de 5 meses, e logo os Jogos Olímpicos, um Papa brasileiro significaria um impulso num país chave da América.
V - Leonardo Sandri, Argentina, 69 anos
Como Scherer, trata-se de um americano-europeu, um argentino filho de italianos que desde os 27 anos trabalhou em Itália. Realizou tarefas para a diplomacia vaticana em Madagáscar, Venezuela, México e Estados Unidos. Fala inglês, francês, alemão, italiano e espanhol, tem muitos amigos, personalidade amigável e não se lhe conhecem inimigos.
Muitos curiais italianos vêm-no como "um dos nossos", enquanto outros precisamente o vêem como "um curial diferente". Não tem um perfil profético nem carismático, mas saberia gerir a Igreja cujas complexidades internas (em Roma e na Igreja global, especialmente Hispano-americana e as Igrejas orientais perseguidas) conhece bem.
VI - George Pell, Austrália, 71 anos
É conservador e criativo, intimidador, valente campeão da ortodoxia, acostumado aos debates, a televisão, as colunas de opinião, a polémica pública. Expressa-se com sinceridade e agilidade. Manejou com êxito a JMJ de Sidney e também a pós-JMJ, com vocações e conversões.
Tem grande experiência pastoral e nos últimos anos visitou continuamente Roma pelos diversos cargos curiais que ostenta. Prega com agilidade e relevância e sabe enfrentar-se à pós-modernidade no seu próprio campo. Tem muitas possibilidades se os cardeais procuram dinamismo e coragem.
VII - Mauro Piacenza, Itália, 68 anos
Foi durante anos secretário da Congregação para o Clero e depois chegou a ser o seu presidente. É um homem da confiança de Bento XVI, com uma visão teológica muito similar.
Especializou-se em estudar o ateísmo moderno e a cultura do século XX. Poderia ser a opção para aqueles que procuram um "Ratzinger à italiana". Outros pensam que seria um bom Secretário de Estado, um complemento italiano para um Papa não italiano.
VIII - Peter Erdö, Hungria, 60 anos
Se há um país que tenta recuperar a marchas forçadas a sua vocação europeia e tradição cristã depois de 40 anos de opressão comunista é a Hungria. O cardeal de Budapeste, Peter Erdö, é dos mais jovens, mas viveu a queda do comunismo, as pressões contra os seus pais por serem cristãos, e agora vive o desencanto do povo perante as promessas do materialismo e o consumismo que não enchem a alma.
É um grande canonista, preside o Conselho de Conferências Episcopais Europeias, e poderia ser uma base para uma Nova Evangelização centrada na Europa descrente, a Oriental e a Ocidental, com sensibilidade para a dor dos cristãos perseguidos pelo Islão ou o comunismo na Ásia. Cardeais que procurem um europeu não italiano podem apostar por esta opção.
IX - Peter Turkson, Gana, 64 anos
O cardeal africano mais mediático da história, foi o "ministro da justiça social" de Bento XVI, e desde o Pontifício Conselho Justiça e Paz criticou o capitalismo selvagem, propôs alternativas criativas e, no geral, não convenceu os católicos do capitalismo mais ortodoxo. Conhece o que é crescer numa família numerosa africana e pobre (10 irmãos).
É ágil com os meios de comunicação e tem simpatia e encanto pessoal. O seu nome foi citado uma e outra vez, sobretudo nos meios anglo-falantes. Significaria uma revolução cultural, e talvez também em doutrina socioeconómica.
X - Luis Antonio Tagle, Filipinas, 55 anos
É o segundo cardeal mais jovem e a sua simpatia pessoal e capacidade comunicativa é inegável. Leva anos com grande êxito como comentarista bíblico na televisão filipina, e o seu Facebook é o mais seguido do episcopado mundial: 124.000 seguidores.
Filho de mãe chinesa, há quem o considere um "Wojtyla asiático", capaz de lançar mensagens proféticas a toda a Ásia, incluindo a China comunista e a diáspora chinesa da Ásia. Seria um "Papa do Terceiro Mundo", um Papa global.
Contra ele, diz-se que seria "um Papa eterno": caberia esperar dele 30 anos de activo Pontificado. Mas num mundo de lideranças efémeras, quando os presidentes do mundo mudam cada 4 ou 8 anos, uma liderança a 30 anos tem as suas vantagens para pilotar processos ecuménicos de longa duração... Ou transições culturais na China e outros países.
Actualizado 12 de Março de 2013
ReL
O Conclave inicia-se hoje e 115 cardeais eleitores escutarão com atenção a pregação do ancião cardeal maltês Próspero Grech na Capela Sistina, depois de ressoar a invocação do "Veni Creator Spiritu" e as ladainhas dos santos.
Num pré-conclave sem seguranças e com muitas incertezas, ressoaram muito numerosos nomes. Mas há dez nomes que se destacam por encarnar distintas possibilidades e entre os que com mais probabilidade se encontra o novo Papa.
I - Marc Oullet, Canadá, 68 anos
É provavelmente o melhor situado. Nascido em Quebec, fala perfeitamente inglês e francês; aprendeu o espanhol sendo professor de sacerdotes na Colômbia durante 9 anos, o seu carisma próprio como religioso sulpiciano.
Fala também o alemão e o italiano e foi o responsável da Congregação para os Bispos, o que lhe permitiu conhecer os líderes e pastores da Igreja de todo o mundo.
É tranquilo, simples e afável. Foi arcebispo no Quebec, o mais descristianizado do continente americano. Seria o primeiro Papa americano, e um Papa não-europeu, mas sem deixar de ser ocidental.
II - Angelo Scola, Itália, 71 anos
Foi Patriarca de Veneza e agora arcebispo de Milão, a maior diocese de Itália e da Europa, da qual saíram vários Papas. Muito próximo intelectualmente de Bento XVI, aparecerá no seu papel de mestre e teólogo.
Muitos o encontram denso nos seus discursos, ainda que no diálogo é muito mais fluído. A espiritualidade do movimento Comunhão e Libertação nutriu-o vivencialmente, mas esta relação com esta realidade eclesial pode prejudicá-lo já que nos últimos tempos se relacionou com algumas polémicas sobre política local e financiamento em Itália.
III - Sean Patrick O´Malley, Estados Unidos, 69 anos
Quando alguns elementos da Cúria temem a chegada de um "Papa sheriff" se referem a ele: um arcebispo que fez limpeza em Boston, que tomou uma diocese prostrada e arruinada pela crise dos abusos sexuais, deu-lhe a volta, voltou a encher os seminários e as paróquias e a converteu num sítio mais seguro.
Veste sempre o seu hábito capuchinho e vive numa austera habitação monástica depois de vender o palácio episcopal. Foi um grande evangelizador nos ambientes de imigrantes hispânicos e é um enamorado dos santos espanhóis. Tem Twitter e um blogue e é todo um renovador da Igreja.
Inclusive para os entusiastas de um Papa norte-americano e extrovertido como poderia ser o arcebispo Dolan, de Nova Iorque, O´Malley aparece como uma alternativa: igual de vigoroso e eficaz, mas menos exuberante nos seus gestos e expressão.
IV - Odilo Pedro Scherer, Brasil, 63 anos
O pastor dos 6 milhões de católicos de São Paulo não desconhece a Cúria e é membro dos Pontifícios Conselhos da Família, Nova Evangelização e a Congregação para o clero. Muitos consideram-no como o mais europeu dos candidatos latino-americanos, pelo seu ascendente alemão.
É um bom comunicador. Com uma JMJ prevista para o Brasil dentro de 5 meses, e logo os Jogos Olímpicos, um Papa brasileiro significaria um impulso num país chave da América.
V - Leonardo Sandri, Argentina, 69 anos
Como Scherer, trata-se de um americano-europeu, um argentino filho de italianos que desde os 27 anos trabalhou em Itália. Realizou tarefas para a diplomacia vaticana em Madagáscar, Venezuela, México e Estados Unidos. Fala inglês, francês, alemão, italiano e espanhol, tem muitos amigos, personalidade amigável e não se lhe conhecem inimigos.
Muitos curiais italianos vêm-no como "um dos nossos", enquanto outros precisamente o vêem como "um curial diferente". Não tem um perfil profético nem carismático, mas saberia gerir a Igreja cujas complexidades internas (em Roma e na Igreja global, especialmente Hispano-americana e as Igrejas orientais perseguidas) conhece bem.
VI - George Pell, Austrália, 71 anos
É conservador e criativo, intimidador, valente campeão da ortodoxia, acostumado aos debates, a televisão, as colunas de opinião, a polémica pública. Expressa-se com sinceridade e agilidade. Manejou com êxito a JMJ de Sidney e também a pós-JMJ, com vocações e conversões.
Tem grande experiência pastoral e nos últimos anos visitou continuamente Roma pelos diversos cargos curiais que ostenta. Prega com agilidade e relevância e sabe enfrentar-se à pós-modernidade no seu próprio campo. Tem muitas possibilidades se os cardeais procuram dinamismo e coragem.
VII - Mauro Piacenza, Itália, 68 anos
Foi durante anos secretário da Congregação para o Clero e depois chegou a ser o seu presidente. É um homem da confiança de Bento XVI, com uma visão teológica muito similar.
Especializou-se em estudar o ateísmo moderno e a cultura do século XX. Poderia ser a opção para aqueles que procuram um "Ratzinger à italiana". Outros pensam que seria um bom Secretário de Estado, um complemento italiano para um Papa não italiano.
VIII - Peter Erdö, Hungria, 60 anos
Se há um país que tenta recuperar a marchas forçadas a sua vocação europeia e tradição cristã depois de 40 anos de opressão comunista é a Hungria. O cardeal de Budapeste, Peter Erdö, é dos mais jovens, mas viveu a queda do comunismo, as pressões contra os seus pais por serem cristãos, e agora vive o desencanto do povo perante as promessas do materialismo e o consumismo que não enchem a alma.
É um grande canonista, preside o Conselho de Conferências Episcopais Europeias, e poderia ser uma base para uma Nova Evangelização centrada na Europa descrente, a Oriental e a Ocidental, com sensibilidade para a dor dos cristãos perseguidos pelo Islão ou o comunismo na Ásia. Cardeais que procurem um europeu não italiano podem apostar por esta opção.
IX - Peter Turkson, Gana, 64 anos
O cardeal africano mais mediático da história, foi o "ministro da justiça social" de Bento XVI, e desde o Pontifício Conselho Justiça e Paz criticou o capitalismo selvagem, propôs alternativas criativas e, no geral, não convenceu os católicos do capitalismo mais ortodoxo. Conhece o que é crescer numa família numerosa africana e pobre (10 irmãos).
É ágil com os meios de comunicação e tem simpatia e encanto pessoal. O seu nome foi citado uma e outra vez, sobretudo nos meios anglo-falantes. Significaria uma revolução cultural, e talvez também em doutrina socioeconómica.
X - Luis Antonio Tagle, Filipinas, 55 anos
É o segundo cardeal mais jovem e a sua simpatia pessoal e capacidade comunicativa é inegável. Leva anos com grande êxito como comentarista bíblico na televisão filipina, e o seu Facebook é o mais seguido do episcopado mundial: 124.000 seguidores.
Filho de mãe chinesa, há quem o considere um "Wojtyla asiático", capaz de lançar mensagens proféticas a toda a Ásia, incluindo a China comunista e a diáspora chinesa da Ásia. Seria um "Papa do Terceiro Mundo", um Papa global.
Contra ele, diz-se que seria "um Papa eterno": caberia esperar dele 30 anos de activo Pontificado. Mas num mundo de lideranças efémeras, quando os presidentes do mundo mudam cada 4 ou 8 anos, uma liderança a 30 anos tem as suas vantagens para pilotar processos ecuménicos de longa duração... Ou transições culturais na China e outros países.
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