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segunda-feira, 11 de março de 2013

A cativante carta do cardeal Dolan na qual revela que nome soa mais para o Conclave

Enviada aos seus paroquianos de Nova Iorque desde Roma

O arcebispo de Nova Iorque conta que os cardeais sentem-se como no Cenáculo e revela do que realmente falam, contando uma graciosa anedota com uma jornalista

Actualizado 10 de Março de 2013

Javier Lozano / ReL

O cardeal arcebispo de Nova Iorque encontra-se em Roma desde que chegou para se despedir de Bento XVI. Nostálgico da sua terra escreveu uma carta aos seus paroquianos na qual lhes conta como está vivendo todo este tempo desde a capital italiana ante o iminente Conclave.

Da carta muitos médios centraram-se em que supostamente o cardeal Timothy Dolan augura uma mudança radical na Igreja com o próximo Papa e sem dúvida perdem uma carta do mais cativante que além disso resume na perfeição o que ali se está vivendo.

Apesar de tudo, Dolan não pode deixar de lado o seu sentido de humor e evoca canções como “I wanna go home” para dizer que anseia Nova Iorque. Igualmente, assegura que vai achar falta de todos especialmente no dia de São Patrício, o próximo 17 de Março e brincando assegura que em Roma “não pôde encontrar nenhum pão irlandês, carne assada e uísque” (Aclara que é uma brincadeira).

O nome que mais soa: Cristo

Neste sentido, relata aos diocesanos de Nova Iorque algo que muitos jornalistas queriam saber: de quem se fala mais quando se reúnem os cardeais. Consciente de que estes dias circulam numerosos nomes de cardeais, Dolan afirma que “claro” que surgem nomes mas “o mais nomeado” entre os cardeais é sem dúvida o de “nosso Senhor Jesus Cristo”. E conta-o assim sabendo que muitos estão obviando que o centro de tudo é Cristo. Por isso pede aos nova-iorquinos que peçam a este “tão nomeado” para que envie aos príncipes da Igreja a sua “graça”.

Sobre os seus dias em Roma, o arcebispo de Nova Iorque é sincero de uma maneira comovedora e assegura que uma pessoa mais velha lhe disse que o final de um Pontificado e a eleição de um novo Papa “são como os dias em Jerusalém depois da Ascensão de Nosso Senhor aos céus. Toda a Igreja orava, orava muito, rezou longo tempo, unidos aos apóstolos e à Mãe de Jesus, que estavam encerrados no Cenáculo, à espera do dom supremo do Espírito Santo”. “Isso está sucedendo agora”, afirma.

Os cardeais, como no Cenáculo
Por isso, explica-lhes na carta que “os cardeais estão rezando muito e todos os dias cada um de nós começa com a oração mais eficaz de todas, o Santo Sacrifício da Missa”.

Deste modo, indica que na realidade o Colégio de Cardeais mas também toda a Igreja “estamos de volta nesse Cenáculo com a Virgem e os apóstolos e os desafios que nós – e o novo São Pedro - enfrentamos são, surpreendentemente, similares aos do primeiro Papa ante o primeiro Pentecostes: como apresentar à pessoa a mensagem e o convite de Jesus a um mundo que, durante a procura da salvação e a verdade eterna, também às vezes dúvida, é demasiado céptico e está ocupado ou frustrado”.

Neste sentido, estragou a festa aos que pensavam em conspirações e lutas entre os cardeais. “Podes ficar surpreendido ao ouvir – relata - que passamos a maior parte de nosso tempo comentando temas como a pregação, o ensinamento da fé, os sacramentos… E assim Dolan citou aos enfermos, religiosos, seminaristas, afastados da fé, organizações caritativas, famílias, casais, vida, aborto…E deixa muito claro que isso são os “grandes temas” e não outros.

De que falam realmente os cardeais?
O cardeal estadunidense avisa os paroquianos da sua diocese que ainda que lhes custe crê-lo, pois na rua aparece que só se fala de corrupção no Vaticano, abusos sexuais e dinheiro, estes não são os “grandes temas”. “Estes temas saem? Sim! São os que dominam? Não!”. Mais claro, a água.

Para acabar a carta, o arcebispo de Nova Iorque conta a anedota que lhe ocorreu com um dos 5000 jornalistas que estão em Roma estes dias e que estão ávidos de qualquer tipo de notícia. Este facto além disso mostra a sua personalidade e a sua curiosa forma de actuar.

A anedota com a jornalista
Afirma que um deles perguntou-lhe se o novo Papa poderia trazer uma “mudança radical” à Igreja. Conta monsenhor Dolan que respondeu que sim perante a surpresa da repórter. “Pelo menos tinha toda a sua atenção. Então procedi à aclaração de que a Igreja é de ‘grandes mudanças, quer dizer, uma mudança no coração humano, que Jesus chamou arrependimento ou conversão”. Assim começou a catequiza-la e a explicar-lhe que o trabalho do bispo de Roma é o de “conservar a fé, as verdades que foram reveladas por Deus, sobretudo através do seu filho, Jesus, fielmente transmitida pela Sua Igreja nestes últimos 2000 anos e a de renovar o convite de Jesus a uma mudança de coração”. Parece-te uma mudança pequena?

Pouco depois e depois de fazer-se pública a data do Conclave fez um pedido aos seus diocesanos para que ilumine a todos os cardeais neste momento tão importante para a Igreja. Convida-os a rezar a Novena a São José, para que junto à Virgem Maria os ajude e exorte neste tempo, festa que se celebra em 19 de Março.


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