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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Igrejas nas estradas e áreas de serviço, novo método para atraírem a Deus os afastados

Exitosa iniciativa ecuménica na Alemanha 

Uma das igrejas nas auto-estradas
Actualizado 12 de Setembro de 2013

Javier Lozano / ReL

A secularização cresce de maneira vertiginosa na Europa e ameaça converter o continente num deserto espiritual. Para lutar contra isto estão-se produzindo numerosas iniciativas para revitalizar a fé e inclusive para o que seria já um primeiro anúncio. Uma evangelização a tempo e fora de tempo.

É o que está ocorrendo na Alemanha. Os cristãos, tanto católicos como protestantes, estão vendo como as igrejas se vão esvaziando e como a prática religiosa vai caindo a níveis não conhecidos até agora. Deste modo, decidiram unir-se nesta frente comum contra a descristianização do seu país e levaram a cabo uma curiosa iniciativa. Se as pessoas não vão às igrejas, estas irão directamente às pessoas.

Luta contra a secularização
Assim, foram crescendo como setas pequenos templos aos pés das auto-estradas alemãs ou nas áreas de descanso onde se concentram um bom número de condutores e famílias.

Esta experiência leva vários anos levando-se a cabo e não pára de crescer. Algumas destas capelas são católicas, outras protestantes e em alguns lugares foram financiadas por ambas as comunidades, alternando-se os serviços religiosos.

Pelo teor dos dados, as “igrejas das auto-estradas” estão sendo um êxito e sobretudo estão servindo de instrumento para levar a Deus aos afastados, pois muitos entraram pela primeira vez por curiosidade e agora rezam frequentemente nelas.

Milhares de visitas por ano
Um exemplo dela é esta curiosa capela na auto-estrada em Medenbach. Acolhe 45.000 pessoas cada ano. Uma dezena de fiéis encarrega-se de manter e cuidar o templo assim como a acolher os visitantes que chegam e vão. “O lugar deve ser um oásis de calma e tranquilidade para aqueles que desejem escapar por um momento do turbilhão da vida quotidiana e encontrar a paz na oração”, assegura um dos responsáveis.

Neste templo tem cabida tanto católicos como protestantes. Puseram em marcha o ecumenismo como um mecanismo de defesa mútuo perante a secularização. De facto, contam que “o altar foi financiado conjuntamente pela Igreja Evangélica de Hesse e Nassau e a Diocese Católica de Limburgo”. De facto, sacerdotes católicos e pastores protestantes vão-se alternando nos serviços religiosos para atender as necessidades dos que ali acodem. De igual modo, a arquitectura destas igrejas de estrada está pensada para respeitar a tradição católica e protestante.

A curiosidade, principal gancho
Os frutos destas iniciativas começam a florescer, ainda que sejam pequenas gotas no mar. São muitos viajantes e turistas os que pararam nestas igrejas e passaram a orar, a isolar-se do ruído do mundo. “Muitos vêm por curiosidade mas este é um primeiro passo até à vida espiritual”, assegura um sacerdote.

Edmund Urbanek é um dos milhares de pessoas que descobriram estes templos aos pés da estrada. Tem 61 anos e é católico. Sempre se detêm em Medenbach. Ali entra e reza por longo tempo. O faz uma vez por semana. “Faço 10.000 milhas por mês e rezo para que Deus me proteja durante as viagens longas e vele pela minha família”, relata.

Próximo dele está Ulrika. É protestante mas igualmente se detém regularmente neste templo a caminho do seu trabalho. “Não vou à igreja aos domingos mas aprecio a serenidade do lugar de culto”, afirma. E é que afirma que este lugar é simples “mas tem algo especial que por sua vez enche o meu coração”.

O descobrimento de muitas famílias
Mas este lugar não só responde ao ecumenismo mas sim que serve como ferramenta para a nova evangelização. É o caso de Jochen Hallmann e a sua família, para os que este estranho templo foi todo um descobrimento nas suas vidas.

Jochen confessa que “não estava interessado para nada na religião” e indo de viagem detiveram-se por casualidade nesta área de serviço. “Estacionámos o carro e dei-me conta do edifício”, recorda. E é que o lugar nessa paragem parecia tranquilo para comer. “A curiosidade das crianças provocou que a família entrasse na igreja antes de partir. Todos nos sentámos e estivemos um pedaço em silêncio e foi uma experiência completamente rejuvenescedora”, conta o pai de família que não estava interessado na religião.

"Intercâmbio entre paroquianos e viajantes"
Estas experiências ajudaram muita gente. Inclusive esta igreja de Medenbach nasceu financiada por uma destas pessoas. Um laico, Alfred Weigle, visitou um destes templos de estrada. Era uma igreja católica numa auto-estrada em Baden-Württemberg.

Esta visita impressionou-o e ajudou-o pelo que por sua vez quis colaborar na construção destes templos pois é um empresário de êxito. Mas foi depois da morte da sua mulher devido a um cancro quando viu o apoio e a força que lhe deu a fé. Desde então quis investir o seu dinheiro para o enriquecimento espiritual através destes templos ecuménicos.

“Já seja católica ou protestante, a igreja é um lugar privilegiado para o encontro com Deus”, afirma um dos responsáveis, que além disso acrescenta que esta iniciativa é "uma oportunidade para o intercâmbio entre os paroquianos e os viajantes".


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