Durante o encontro com o clero romano, o papa Francisco lembrou que o melhor antídoto para o cansaço da vida sacerdotal é o encontro com Cristo no tabernáculo
Roma, 16 de Setembro de 2013
Um dia importante no pontificado do Papa Francisco: esta
manhã, na Basílica de São João de Latrão, o Papa reuniu-se pela primeira
vez com os sacerdotes da Diocese de Roma.
O Papa chegou na catedral romana pouco depois de 09h30, com cerca
de 20 minutos antes do previsto, a bordo do já familiar Ford Focus azul.
Depois de dar um breve discurso introdutório, o Papa escutou as
perguntas dos párocos, vigários paroquiais, diáconos, capelães e outros
representantes do clero romano, que vieram a São João de Latrão.
Foi um encontro privado, no qual Bergoglio exortou os sacerdotes
romanos a realizarem "uma pastoral criativa" e demonstrarem "grande
hospitalidade e gentileza".
Papa Francisco também recomendou que se "conserve sempre no coração a
alegria de ser sacerdotes” e falou de “sentir-se sacerdote” ele mesmo,
apesar de ter se tornado o sucessor de Pedro.
Durante a reunião, que durou cerca de duas horas, o Papa centrou-se
especialmente sobre a "fadiga" de ser um sacerdote hoje, diante de fiéis
com exigências cada vez mais complexas .
"Fadigoso", para os sacerdotes de hoje, é, por exemplo, a renúncia da
paternidade biológica, mas o sacerdote pode superar todos esses
obstáculos, graças à oração e à proximidade dos outros. O principal
antídoto para o cansaço, porém, é a visita a Cristo no Tabernáculo,
especialmente no final do dia, disse o Santo Padre.
Respondendo às perguntas dos sacerdotes da Diocese de Roma, o Papa
Francisco recomendou ter sempre uma atitude pastoral juntamente com uma
atitude de acolhida, encorajando-os a experimentar novas formas de
evangelização, quando elas se revelem eficazes.
Os leigos também têm uma grande responsabilidade no mostrar o rosto
acolhedor da Igreja e devem estar envolvidos em todas as iniciativas
possíveis, dos cursos pré-batismais às missões de bairro.
Os destinatários das pastorais e dos apostolados, por sua vez, devem
ter a certeza de que não se encontram na frente de funcionários com
interesses económicos e não espirituais.
As igrejas deveriam estar o máximo possível abertas durante todo o
dia, oferecer acolhida a todos, melhor ainda se com um confessor sempre à
disposição.
Cada sacerdote, continuou Bergoglio, deve manter viva a memória da
origem da sua própria vocação, para que não caia no risco da mundanidade
espiritual. Por outro lado, uma igreja sem memória não pode ter futuro.
Outro ponto essencial é nunca deixar sozinhas as pessoas com
dificuldades, não exagerando nem a rigidez, nem a condescendência e
acompanhando-as sempre, como fez Jesus com os discípulos de Emaús.
A Igreja, acrescentou o Santo Padre, não desmorona nunca, nem sequer
no meio de seus escândalos mais graves, como o de pedofilia. Ela
continua de pé, graças também à santidade diária de tantos cristãos
desconhecidos: esta santidade é muito mais forte que os escândalos.
Respondendo à algumas perguntas sobre “periferias existenciais”, o
Pontífice voltou ao seu recente discurso no Centro Astalli, no qual
tinha encorajado os institutos religiosos com poucas vocações a não
venderem os seus institutos mas a abri-los aos necessitados. A
realidade, acrescentou, é melhor entendida a partir da periferia, em vez
do centro, que, pelo contrário, corre o risco da atrofia.
Outro tema importante tratado pelo papa Francisco é a questão da
nulidade do matrimónio, sobre o qual, disse, existem estudos em
andamento e que serão objectos de discussões dos oito cardeais da
comissão especial para a reforma da Cúria Romana, e do próximo Sínodo
dos Bispos.
Também o tema da nulidade do matrimónio, disse o Bispo de Roma, é
comparável ao das "periferias existenciais” e requer coragem pastoral na
verdade e na justiça. Não é apenas um problema relativo a que os
divorciados possam ou não receber a comunhão, mas implica uma
"responsabilidade da Igreja com relação às famílias que vivem nesta
situação".
Em preparação para o encontro com o Santo Padre, o Cardeal Vigário
para a Diocese de Roma, Agostino Vallini, enviou aos sacerdotes romanos
uma meditação, escrita em 2008 pelo então cardeal Bergoglio comentando o
Documento de Aparecida, nascido da V Conferência do episcopado
latino-americano.
Em sua reflexão Bergoglio aludia às mudanças históricas no mundo e na
sociedade, e a necessidade de não nos iludirmos com o possível retorno
ao "status quo".
O então arcebispo de Buenos Aires, além do mais, convidava os párocos
latino-americanos a serem “pastores do povo e não clérigos do Estado”, e
a serem “ardentes missionários que vivem o constante desejo de ir ao
encontro do todos os que estão distantes da fé e não se contentarem com a
simples administração da paróquia”.
Antes de se despedir do clero da Diocese de Roma, o Santo Padre
recebeu em homenagem um ícone, pintado pelo Pe. Massimo Tellan, que
retrata São Francisco sustentando a Igreja.
in
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