Uma
das palavras que o Santo Padre nos transmite e repete acerca de S. José é “ternura”.
E tem razão. José apercebe-se da gravidez incompreensível da sua desposada. Haviam
celebrado os esponsais, mas ainda não tinha levado Maria para sua casa. Em vez
de seguir os usos da época e do lugar: denunciar a esposa para que fosse punida,
toma uma atitude de ternura. Parece-lhe impossível haver qualquer falta na
conduta de Maria, pois a conhecia muito bem; por isso não entende a realidade.
Não a julga, não a condena, mas tenciona afastar-se. A ternura que sente por
ela leva-o a ser compreensivo, a não julgar, a perdoar, quem sabe. Sim, sem se
aperceber disso ainda, José iria ser o guardião, o protector daquele que já
tinha chegado à terra para perdoar. Iria colaborar na obra divina do perdão e
da redenção.
Após
o sonho em que um Anjo lhe revela o segredo de sua esposa e a sua vocação de
pai adoptivo do próprio Deus, a sua ternura aumenta e eleva-se: se já era
grande em relação a uma criatura humana, a Virgem Maria, irá manifestar-se de
modo excelente em relação ao Menino Deus. José é humilde (obedece), sensato (é
discreto e cuidadoso), prudente (escolhe as soluções menos arriscadas) e heroico
(suporta incomodidades, o exílio no Egipto, as viagens perigosas, a tristeza ao
perder Jesus no templo). José, ao lado de Maria, é o exemplo do homem justo, é
o modelo do que devem ser os homens: cheios de ternura para com a esposa e filhos
aos quais oferecem a fortaleza da castidade; o sentido da responsabilidade ao não
abandonarem a sua vocação para a santidade; trabalhadores atentos às
necessidades da família; disponíveis para cumprir a vontade de Deus.
S.
José foi um pai responsável pela formação humana do Filho de Deus: ensinou-lhe
um ofício, o seu. Talvez lhe tenha ensinado a dizer “mamã” quando o tinha a seu
lado, na oficina, dentro do berço que ele próprio lhe fizera. Talvez se
enternecesse ao ouvir o Menino chamar repetidamente “mamã, mamã” para que Maria
lhe pegasse ao colo e o mimasse entre as lides da casa. Seria esse o primeiro
rosário? “Mamã, mamã”, como repetimos em cada Avé Maria quando a invocamos. Não
estará S. José presente em cada terço? Não devemos nós ensinar aos nossos filhos
as suas primeiras orações como fez S. José com Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro
Homem?
S.
José teve ternura para com os homens. Entregou-nos Jesus, sabendo que o trataríamos
mal e que O iríamos crucificar, mas perdoou-nos, fazendo como Jesus o faria. Deus
fez que José morresse antes de Jesus para permitir o Seu pleno perdão, esse cumprimento
da promessa divina de salvar os homens das consequências do pecado.
É
isto que vai acontecer em cada confissão de Natal, também pela mão de S. José.
Isabel Vasco Costa

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