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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Deturpar para enganar

Uma nova cultura reivindica o direito de realizar tudo o que é tecnologicamente possível. Esta ideia com destino trágico na cultura ocidental conduz a dilemas praticamente insolúveis com os quais a bioética é actualmente confrontada. Numa aposta forte de desconstrução das consciências semeia intencionalmente uma confusão onde a maioria das pessoas já tem dificuldade em distinguir o bem do mal, situação perigosa porque facilmente é manipulável. 

Numa democracia representativa tradicional, as políticas dos Governos devem reflectir a vontade dos cidadãos. Para que a democracia mantenha a sua legitimidade, a vontade dos cidadãos deve, ela própria, tender à procura da verdade, do bem e dos outros parâmetros da universalidade. Quando esses parâmetros deixam de inspirar a democracia, o Governo perde a sua autoridade moral. Torna-se assim fácil aos protagonistas não estatais tomar o poder.

Grupos de pressão `participativos´ adquiriram um status e uma influência que colocam a democracia em perigo. Os novos padrões políticos não partem do princípio da representação democrática, que dependia daquilo a que se chamava ´valores universais´, mas estão ligados à nova ética pós-moderna da livre escolha. (…) A ética global coloca-se acima de tudo: acima da soberania nacional, da autoridade de pais e professores, até dos ensinamentos das grandes religiões do mundo. Ela ultrapassa toda a hierarquia legítima. Cria uma ligação directa com o cidadão individual – o que, como sabemos - é próprio de uma ditadura.

Sem nome nem rosto, exercendo a sua influência de forma indirecta nos bastidores antes das decisões, sem serem submetidos ao controlo democrático, um pequeno grupo trabalha para ´sensibilizar´/ manipular o pacato cidadão, de acordo com os seus absurdos objectivos.

O poder sociopolítico que as técnicas de engenharia social vieram a adquirir nas últimas décadas levou a que, de mansinho, sem ninguém dar conta, tenham imposto a sua agenda, aparentemente pela via dos consensos, resultado duma forte manipulação e lavagem ao cérebro.

A desconstrução da família, a educação sexual nas escolas, a legalização do aborto, o direito ao seu corpo, o casamento unissexo, a adopção de crianças por casais gay e outros afins semelhantes, são consequência deste subterrâneo poder que agora vem ao palco com mais um acto encenado: eutanásia.

Porque é bom saber onde está a origem de tudo, aqui fica um alerta para o leitor/a não se distrair com palavrinhas mansas…e antes que nos acenem com uma outra ´liberdade/direito´ - a ideologia do género que, parece também já estar agendada para breve.

Nota
Este texto foi escrito com base no livro - A Globalização da Revolução Cultural Ocidental, de Marguerite Peeters
 

José M. Esteves

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