Vincent Gelot na Arménia, Irão, Turquemenistão, Omã, Etiópia
| O jovem Vincent com o seu Quatro Latas no Egipto... Visitou também o Sudão, Eritreia, Etiópia e passou logo à Ásia |
Actualizado 24 de Setembro de 2014
Edouard de Mareschal/Le Figaro
Desde o Líbano ao Uzbequistão, passando pela Eritreia, este jovem de 26 anos, de Nantes, visitou as comunidades cristãs ao volante do seu Renault 4L.
Publicou um livro de testemunhos que demonstra a incrível diversidade das Igrejas do Oriente.
No rosto de Vincent Gelot podem ler dois anos de viagem. Dois Verões e um Inverno passados cruzando o Médio Oriente, Ásia Central e o Corno de África.
No total, sessenta mil quilómetros de estradas curtiram a sua pele, dado corpo à sua cabeleira negra e reforçado o seu olhar azul petróleo.
Voltou deste périplo com um imponente livro de coro com a encadernação um pouco desgastada: é o seu tesouro.
Cada pessoa que se cruzou no seu caminho enegreceu as suas páginas em árabe, farsi, russo, amárico… Línguas que traduzem a incrível diversidade das Igrejas do Oriente.
Vincent Gelot partiu para conhecer os cristãos do Oriente. «Um projecto que nasceu de maneira bastante espontânea», explica, sentado numa mesa frente à estação do Norte.
Em Fevereiro de 2012 terminou um Mestrado em Direito Humanitário com umas práticas numa ONG em Beirute. «Não conhecia para nada os cristãos do Oriente», reconhece com sinceridade.
Define-se como católico «a secas». Mas a viagem de Bento XVI ao Líbano desperta o seu interesse. O Papa pronuncia a sua exortação apostólica às Igrejas do Oriente, o que faz que a Vincent lhe pique a curiosidade, - que logo se converteria em paixão -, por estas comunidades.
Decide ir conhecê-las e constrói o seu projecto que baptiza com o nome «Mil e uma fé».
| No Egipto, com o seu Quatro Latas decorado com animais de simbologia cristã |
«Sentia também uma chamada a fazer esta viagem, o sonho de uma aventura à Kessel (de Joseph Kessel, aventureiro, jornalista e novelista francês, nascido em 1898 e falecido em 1979, ndt)».
Como único companheiro de viagem, um Renault 4L redecorado pelo seu amigo artista Agustin Frison-Roche.
«Antes da minha partida não me tomavam muito a sério», recorda. «Só a Obra de Oriente me ajudou com um pequeno financiamento».
Apesar de tudo, empreende a viagem com quinze mil euros emprestados, completados no caminho por uma recolha de fundos pela internet.
Com um A vermelho preso na janela de trás do seu «Habibi mobile» (Habibi em árabe significa "meu amor", ndt), o aprendiz de condutor começa um périplo pelas rotas da Arménia, Irão, Turquemenistão, Omã, Etiópia, Sudão…
E a viagem, que em princípio tinha que durar dez meses, conclui dois anos mais tarde.
Como único companheiro de viagem, um Renault 4L redecorado pelo seu amigo artista Agustin Frison-Roche.
«Antes da minha partida não me tomavam muito a sério», recorda. «Só a Obra de Oriente me ajudou com um pequeno financiamento».
Apesar de tudo, empreende a viagem com quinze mil euros emprestados, completados no caminho por uma recolha de fundos pela internet.
Com um A vermelho preso na janela de trás do seu «Habibi mobile» (Habibi em árabe significa "meu amor", ndt), o aprendiz de condutor começa um périplo pelas rotas da Arménia, Irão, Turquemenistão, Omã, Etiópia, Sudão…
E a viagem, que em princípio tinha que durar dez meses, conclui dois anos mais tarde.
| Na França, ao sair, ainda com o cabelo curto |
Visita comunidades cristãs multiseculares. No Iraque, percorre a planície do Nínive, berço dos assírio-caldeus. «É uma dor espiritual ver o que se passa ali», confia-nos. «A presença cristã nessas terras, que remonta ao século IV, está a ponto de desaparecer».
Em Alquosh é acolhido pelo superior do mosteiro, abuna Waheed Gabriel. «Quem nos protegerá e defenderá a nossa existência neste país?», escreve este sacerdote caldeu no livro de Vincent.
Noutra página, um siríaco realiza um grande retracto de Jesus: nos seus cabelos, pintados com tinta negra, está escrito «Cristo é meu Deus» em arameu.
Vincent conhece também os monges ortodoxos de Mar Mattai, um mosteiro fundado no ano 363 por um eremita que fugia das perseguições romanas.
No Azerbaijão descobre os molokanes, uma pequeníssima comunidade que actualmente conta umas quarenta pessoas.
No Uzbequistão é acolhido por comunidades subterrâneas obrigadas a esconder-se num país onde a prática religiosa está muito restringida.
No Afeganistão, um dos poucos sacerdotes do país, o jesuíta Alexis Koumar, escreve no livro uma longa oração em pashtún. Foi sequestrado em Junho de 2014.
«Ao longo dos meses, este livro ultrapassou-me totalmente» explica. «Esperava receber, mas permitiu-me também dar muito. Todas estas pessoas descobriram elos de uma cadeia quando liam os testemunhos dos homens e mulheres que os tinham precedido».
Mordido no Irão, um acidente de estrada na Etiópia... A aventura estava cheia de tropeços.
Em Alquosh é acolhido pelo superior do mosteiro, abuna Waheed Gabriel. «Quem nos protegerá e defenderá a nossa existência neste país?», escreve este sacerdote caldeu no livro de Vincent.
Noutra página, um siríaco realiza um grande retracto de Jesus: nos seus cabelos, pintados com tinta negra, está escrito «Cristo é meu Deus» em arameu.
Vincent conhece também os monges ortodoxos de Mar Mattai, um mosteiro fundado no ano 363 por um eremita que fugia das perseguições romanas.
No Azerbaijão descobre os molokanes, uma pequeníssima comunidade que actualmente conta umas quarenta pessoas.
No Uzbequistão é acolhido por comunidades subterrâneas obrigadas a esconder-se num país onde a prática religiosa está muito restringida.
No Afeganistão, um dos poucos sacerdotes do país, o jesuíta Alexis Koumar, escreve no livro uma longa oração em pashtún. Foi sequestrado em Junho de 2014.
«Ao longo dos meses, este livro ultrapassou-me totalmente» explica. «Esperava receber, mas permitiu-me também dar muito. Todas estas pessoas descobriram elos de uma cadeia quando liam os testemunhos dos homens e mulheres que os tinham precedido».
Mordido no Irão, um acidente de estrada na Etiópia... A aventura estava cheia de tropeços.
| No
muro que tem encerrados os cristãos de Belém, que requerem mil autorizações das autoridades israelitas para visitar os seus parentes do outro lado |
«Pensava que a viveria como uma progressão até ao cume», relata. «Não foi exactamente assim. Passei por muitos altos e baixos». O combate mais duro o teve com ele mesmo. «Tive que enfrentar a solidão, o desalento».
Sofreu com a lonjura dos seus, sobretudo pelo falecimento da sua avó e o anúncio do matrimónio do seu irmão.
No Irão atacaram-no dois cães pastores alemães e foi hospitalizado com feridas na perna esquerda.
«Os médicos disseram-me sorrindo que não tinham vacina contra a raiva por causa do embargo ocidental, no qual a França participa».
Outro golpe duro: enquanto o seu veículo transitava de Omã para Djibouti, Vincent decidiu ir ao Iémen. Em vão. Passou dois dias em quarentena numa zona de trânsito aeroportuário.
«Estava na lista negra porque sabiam que ia ver os cristãos».
Depois, um camião chocou contra ele na Etiópia.
O clima tampouco o ajudava em nada. Em pleno Inverno de 2012 atravessou Arménia, Geórgia e Azerbaijão. Pela noite, o termómetro deslocava-se até aos -25°C. «Pela manhã, não sentia os meus pés».
Por outro lado, no Verão seguinte encontrava-se preso com regularidade nos engarrafamentos monstruosos das grandes metrópoles do Golfo Pérsico.
«Com uma temperatura de 60°C e sem ar condicionado, acreditava que me tornava louco».
Pouco a pouco, a sua aventura transformou-se numa peregrinação. «Progressivamente fui redescobrindo as raízes da minha fé, da minha identidade. Aprendi a rezar. Esta experiencia aclarou a minha relação com Deus».
Sofreu com a lonjura dos seus, sobretudo pelo falecimento da sua avó e o anúncio do matrimónio do seu irmão.
No Irão atacaram-no dois cães pastores alemães e foi hospitalizado com feridas na perna esquerda.
«Os médicos disseram-me sorrindo que não tinham vacina contra a raiva por causa do embargo ocidental, no qual a França participa».
Outro golpe duro: enquanto o seu veículo transitava de Omã para Djibouti, Vincent decidiu ir ao Iémen. Em vão. Passou dois dias em quarentena numa zona de trânsito aeroportuário.
«Estava na lista negra porque sabiam que ia ver os cristãos».
Depois, um camião chocou contra ele na Etiópia.
O clima tampouco o ajudava em nada. Em pleno Inverno de 2012 atravessou Arménia, Geórgia e Azerbaijão. Pela noite, o termómetro deslocava-se até aos -25°C. «Pela manhã, não sentia os meus pés».
Por outro lado, no Verão seguinte encontrava-se preso com regularidade nos engarrafamentos monstruosos das grandes metrópoles do Golfo Pérsico.
«Com uma temperatura de 60°C e sem ar condicionado, acreditava que me tornava louco».
Pouco a pouco, a sua aventura transformou-se numa peregrinação. «Progressivamente fui redescobrindo as raízes da minha fé, da minha identidade. Aprendi a rezar. Esta experiencia aclarou a minha relação com Deus».
| Vincent
com representantes de diferentes igrejas ortodoxas e católicos de ritos orientais (arménios, maronitas, melequitas, siríacos, coptas...) |
Vincent decidiu, naturalmente, acabar o seu périplo em Jerusalém. «Quando soube que o Papa Francisco ia visitar Israel, vi-o como um sinal. Comecei a minha viagem com Bento XVI no Líbano e terminei-a com Francisco na Terra Santa!».
Triunfo para o seu livro: o Papa argentino escreverá umas palavras em italiano nas últimas páginas.
«No próximo ano confiá-lo-ei aos custódios do Santo Sepulcro em Jerusalém. Deste modo, todos os que contribuíram para o livro estarão reunidos aos pés do túmulo de Cristo».
Entretanto, ele conserva-o para testemunhar a história que viveu e quer realizar uma boa selecção de fotografias.
Sonha também com digitalizar o livro de testemunhos, rebaptizado «Livro do Oriente».
«Pelo menos esta viajem abre-me as portas» comenta.
Onde? Tem já uma certa ideia: Vincent gostaria de ser jornalista.
Triunfo para o seu livro: o Papa argentino escreverá umas palavras em italiano nas últimas páginas.
«No próximo ano confiá-lo-ei aos custódios do Santo Sepulcro em Jerusalém. Deste modo, todos os que contribuíram para o livro estarão reunidos aos pés do túmulo de Cristo».
Entretanto, ele conserva-o para testemunhar a história que viveu e quer realizar uma boa selecção de fotografias.
Sonha também com digitalizar o livro de testemunhos, rebaptizado «Livro do Oriente».
«Pelo menos esta viajem abre-me as portas» comenta.
Onde? Tem já uma certa ideia: Vincent gostaria de ser jornalista.
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