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domingo, 10 de março de 2013

Mateo Kovacic, o futuro do futebol europeu: «Quando um crê em Cristo, não tem medo do diabo»

Devoto da Virgem e assíduo a Medjugorje

Estrela transferida para o Inter de Milão com somente 18 anos, já triunfava no futebol mas continuava sendo acólito. Grande devoto da Virgem assegura que a oração é a sua fonte.

Actualizado 9 de Março de 2013

Javier Lozano / ReL

Mateo Kovacic passa por ser um dos grandes talentos do futebol europeu que está por vir. Com só 18 anos converteu-se numa das transferências mais caras da temporada. O Inter de Milão pagou nada menos que 15 milhões para ficar com o futebolista croata, depois de que despontara no Dínamo de Zagreb, uma das melhores equipas do país balcânico.

Dentro das suas múltiplas qualidades brilha sobretudo por uma visão de jogo esplêndida, um grande talento como médio-ponta, um último passe demolidor, muito olfacto de golo, e uma fé sólida, inquebrantável. "A minha fé em Deus faz-me mais forte na hora de enfrentar os jogos".

Uma infância peculiar

Kovacic nasceu em 6 de Maio de 1994 em Linz, Áustria. Até aí tinham-se mudado os seus pais em 1991, fugindo da guerra dos Balcãs, procedentes de Kotor Varos, uma cidade eminentemente povoada por ortodoxos e que foi devastada pelos sérvios.

Em terras austríacas deu os seus primeiros passos como futebolista, crescendo no seio de uma educação católica. "Era um menino tranquilo, valente e muito religioso. Ia todos os domingos à missa". Assim o definiam os seus pais, que em 2007 decidiram voltar a casa.

Não foi simples, pois Kovacic já estava chamando a atenção de diversos clubes europeus. A Juventus, o Ajax ou o Stuttgart, que inclusive chegou a oferecer um trabalho aos seus pais, quiseram ficar com os seus serviços. Mas todos decidiram que o melhor era regressar à Croácia.

Um grave tropeço
Logo ao chegar, Kovacic se envolveu nas fileiras do Dínamo de Zagreb, o gigante croata futebolisticamente falando. Ainda que só contasse com 13 anos, logo despertou o interesse de técnicos e aficionados. Foi promovido a uma equipa duas categorias acima do que lhe correspondia pela sua idade.

Mas em 2009, com quinze anos, sofreu um duro revés. Uma dupla fractura da tíbia e perónio, com uma complicada operação, mantiveram-no dez meses sem poder jogar futebol. "Apoiei-me na força de Jesus para passar esse mau momento. Definitivamente, voltei ainda mais forte graças a Ele. São experiências que fazem que a tua cabeça se torne mais forte".

Estrela precoce

E sem dúvida, assim foi. Só um ano depois já debutava na equipa principal do Dínamo, convertendo-se no futebolista mais jovem que chegava à Primeira Divisão de Croácia. Por si fora pouco, no mesmo dia do seu début, em 20 de Novembro, com 16 anos e 198 dias, marcava o seu primeiro golo, o que o convertia no goleador mais jovem de toda a história no futebol croata.

Apesar disso, e da lógica fama que alcançou no seu país, Mateo Kovacic continuava mostrando dia-a-dia a sua fé. Não em vão, apesar de ser a nova estrela na Croácia, continuava não só indo à missa todos os domingos, mas sim que continuava oficiando como acólito.

Na igreja encontrou o amor
Aquilo valeu-lhe algumas partidas dos seus amigos e companheiros de equipa, mas como o mesmo Kovacic afirma, "não me importava, nunca me molestei, e nunca deixei de fazê-lo. Agora o vejo com certo humor...".

Entre outras coisas, porque foi precisamente na igreja onde conheceu a sua namorada. Isabel era corista do coro da paróquia. Uma vida tão reservada a sua que não foi até quando chegou ao Inter neste Janeiro que deu a conhecer o seu nome, para desgosto da imprensa croata, que durante mais de dois anos esteve tratando de investigar de quem se tratava.

Transferência sonhada
Depois de explorar no Dínamo de Zagreb, Mateo Kovacic foi relacionado com várias das melhores equipas da Europa. Entre elas, o Real Madrid. Sem dúvida, o facto de ser escolhido como o melhor futebolista jovem da Europa pelo diário alemão Bild ajudou a isso.

Foi o Inter, no passado 31 de Janeiro, quem finalmente levou o gato à água. Teve que pagar 15 milhões por um jogador que já foi comparado com Messi. Ainda que ele, modesto, rejeite tal analogia. "Não tenho nem 10% do talento de Messi", afirma. "Mas com muito trabalho e a ajuda de Deus posso converter-me num grande futebolista".

Não é raro ouvir essas palavras provenientes do futebolista croata. Desde o primeiro momento de chegar a Itália não teve nenhum problema em falar da sua fé. "Não tenho problemas em dizer que crer me dá força, me ajuda a jogar melhor" nem em reconhecer que "normalmente, debaixo da camisola da equipa, ponho uma camisola com uma imagem de Jesus".

Por isso, ninguém estranhou quando, no dia prévio ao derbi da Madonnina (jogo entre o Milão e o Inter, e que recebe esse nome pela estátua da Virgem Maria situada lá em cima do Duomo), Kovacic declarou que "quando um crê em Jesus, não tem medo do diabo", sobrenome com o que se conhece o Milão.

Habitual em Medjugorje
Como ele mesmo reconheceu em mais de uma ocasião, quando pode vai em peregrinação ao Santuário da Virgem em Medjugorje. De facto, encontrava-se em Herzogovina quando recebeu a chamada do Inter. "É algo realmente maravilhoso para mim. Aqui podes ir à Missa todos os dias. É realmente belo poder estar aqui, e orgulho-me de ver que sempre somos bem recebidos em Herzegovina", afirma Kovacic.

Um futebolista que sonha em converter-se numa das estrelas da Europa, mas que tem claro que deve ir pouco a pouco, e bem acompanhado. "Rezo antes de todos os jogos. Dá-me a força e a inspiração para jogar, e o poder saber que tudo vai estar bem. Como qualquer pessoa normal, tenho as minhas feridas e debilidades, e a oração e a fé ajudam-me a superá-lo".


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