Os Jovens Turcos foi um movimento de diferentes grupos que tinham em comum o desejo de reformar o governo e a administração do Império Otomano.
Iniciado
em 1870, entre estudantes militares,
espalhou-se gradualmente a outros sectores da população que se opunham à monarquia do sultão Abdulamide
II, e promoveram várias iniciativas no sentido de modernização do próprio
regime.
Sucessores
do movimento dos Jovens Otomanos, fundaram o Comitê para a União e o Progresso,
em 1906, partido político que atraiu a maioria dos
Jovens Turcos, cujo movimento conseguiu construir uma forte tradição de
contestação, que marcou a vida artística, intelectual e política até ao final
do período otomano.
Os Três
Paxás, pertencentes aos Jovens Turcos, governaram o império desde o Golpe de 1913 até ao fim
da Primeira Guerra Mundial. Foi neste período,
que teve início o extermínio sistemático
praticado pelo governo otomano contra
os seus súditos arménios, no território que constitui a actual República da Turquia.
O
genocídio foi realizado durante e após a Primeira Guerra Mundial e
executado em duas fases: a matança da população masculina, através de massacres
e recrutamento para exército e para trabalhos forçados,
seguida pela deportação de mulheres, crianças,
idosos e enfermos em longas marchas da morte. Impulsionada por escoltas militares, os
deportados foram privados de comida e água e submetidos a roubos, estupros e massacres periódicos.
O número total de pessoas mortas como resultado do genocídio é estimado entre
800 mil e 1,8 milhão.
Outros grupos étnicos nativos e cristãos, como assírios e gregos otomanos, foram
igualmente, pelo governo sujeitos a semelhante perseguição, o que é considerado
por muitos historiadores como fazendo parte da mesma política, uma limpeza étnica total. “Povoado após povoado,
cidade após cidade, foram esvaziadas de sua população arménia”.
O genocídio arménio é reconhecido como tendo sido
um dos primeiros genocídios modernos, os estudiosos destacam a forma organizada
em que os assassinatos foram realizados a fim de eliminar o povo arménio, e é o
segundo caso mais estudado de genocídio após o Holocausto, promovido pela Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial. Outros porém convém não esquecer, como o Holodomer, na
Ucrânia, na China durante o regime de Mao e o genocídio do Camboja, com Pol Pot.
A Turquia, o Estado sucessor do Império Otomano, nega o
termo "genocídio" como uma definição exata para os assassinatos em massa dos
arménios, que começaram sob o domínio otomano em 1915 e só terminaram no fim da
primeira guerra mundial.
Nos primeiros anos da Republica turca foram
destruídos muitos documentos da época otomana o que dificultou a pesquisa, bem
como encontrar a localização das valas comuns.
O historiador e sociólogo Taner Akçam, apresentou a
sua dissertação sobre o Movimento Nacional Turco e o Genocídio Arménio Contra o
Contexto dos tribunais Militares em Istambul
entre 1919 e 1922. Esta tese aliada a muitos outros trabalhos credíveis de
vários historiadores, não deixaram qualquer espaço de dúvidas sobre a violência
desta “limpeza étnica”.
O genocidio arménio foi um dos
vários que ao longo do século XX foram acontecendo, em todos os continentes. Foram
muitos e todos terríficos…
Genocídio é o extermínio deliberado para aniquilar pessoas, motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas ou sociopolíticas. É
uma forma de eliminar todo o ser humano que se encontra nas condições consideradas
necessárias e prementes para satisfazer interesses ou agendas ideológicas de
uma determinada época.
Este facto histórico, concretizado
pelos Jovens turcos, ansiosos por reformas, não olhando a meios para atingirem
os objectivos que lhes apresentaram, com caracter de urgência e de forma
bárbara, será uma realidade passada?
Ou, estaremos actualmente a
constatar uma estratégia renovada e adaptada sem contornos éticos, em nome duma
camuflada generosidade e avanço civilizacional, insistindo em não reconhecer o
sentido e o valor da vida humana, o maior de todos os valores? Estaremos face a
um novo estilo de genocídio?

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