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Francisco chegou o Azerbaijão, com programa dedicado ao diálogo inter-religioso
Tbilisi, Geórgia, 02 out 2016 (Ecclesia) – O Papa encerrou hoje a sua
primeira visita à Geórgia, iniciada na sexta-feira, onde deixou várias
mensagens em favor da reconciliação de católicos e ortodoxos.
Francisco despediu-se no aerporto internacional de Tbilisi, onde foi
recebido pelo presidente georgiano, Giorgi Margvelashvili, e pelo
patriarca ortodoxo, Elias II.
Este sábado, num encontro com responsáveis católicos na capital do
país, Tbilisi, Francisco rejeitou qualquer “proselitismo” face aos fiéis
da Igreja Ortodoxa, considerando essa atitude “um grande pecado”.
“Nunca se deve fazer proselitismo com os ortodoxos! São irmãos e irmãs
nossas, discípulos de Jesus Cristo, que por situações histórias muito
complexas se tornaram assim. Eles e nós acreditamos no Pai, no Filho e
no Espírito Santo, acreditamos na Santa Mãe de Deus”, explicou.
O Papa defendeu a importância da “amizade” e da oração, do trabalho
conjunto entre cristãos de várias Igrejas, sem “nunca condenar um irmão
ou uma irmã”.
A segunda visita de um pontífice católico à Geórgia (João Paulo II
esteve no país em 1999) foi acompanhado por manifestações de protesto
contra o papado e o Vaticano por parte de membros da Igreja Ortodoxa.
Francisco concluiu o programa oficial, na tarde de sábado, com uma
visita à catedral patriarcal Svetyskhoveli, em Mtsketa, antiga capital
do país, considerada o coração espiritual do mundo ortodoxo georgiano.
Este é o local onde, de acordo com a tradição, se conserva a Túnica de Jesus, venerada no dia 1 de outubro.
O Papa encontrou-se pelo segundo dia consecutivo com o patriarca ortodoxo, Elias II, a quem agradeceu pelo seu acolhimento.
“Que a partilha da comunhão, na oração e na união das almas, nas
alegrias e nas angústias, seja sinal da atitude cristã fraterna, que
marca o nosso caminho comum”, desejou.
Francisco confessou “grande amargura” pelas divisões que se criaram
entre os cristãos ao longo da história, apelando “à mútua compreensão e a
um espírito fraterno e cristão”.
“Somos chamados a ser um só em Cristo Jesus, não colocando em primeiro
lugar as discórdias e divisões, porque é muito mais o que nos une do que
o que nos divide”, concluiu.
Na Geórgia, o Papa apelou à coexistência pacífica entre povos, religiões e Estados no Cáucaso, além de rezar pelas vítimas dos conflitos na Síria e Iraque, numa inédita oração com a comunidade assírio-caldeia.
Francisco seguiu ao início da manhã de domingo para Bacu, capital do
Azerbaijão, localizada nas margens do Mar Cáspio, onde chegou às 09h11
(menos três horas em Lisboa).
O pontifíce argentino seguiu imediatamente para a Igreja da Imaculada
Conceição, junto ao centro salesiano da capital azeri, para presidir à
Missa junto da comunidade católica, que representa 0,01% da população.
Numa visita de 10 horas, o Papa vai almoçar com a comunidade salesiana,
ainda antes da cerimónia oficial de boas-vindas, na praça do palácio
presidencial de Ganjlik, de uma visita ao Monumento aos Mortos pela
Independência e do encontro com as autoridades no Centro ‘Heydar Aliyev’
- nome do terceiro presidente do Azerbaijão após a queda da URSS.
Francisco transfere-se em seguida para a Grande Mesquita de Bacu, que
recebe um encontro inter-religioso, acolhido pelo xeque dos muçulmanos
do Cáucaso.
O avião que transporta o pontífice argentino sai de Bacu às 19h15 para
aterrar em Roma, às 22h00 locais (menos uma hora em Lisboa) de domingo.
O Papa Francisco visitou a Arménia entre os dias 24 e 26 de junho deste ano, naquela que foi a sua primeira visita ao Cáucaso.
OC
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