“Querem cristãos? Eis uma.”
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| Interior da Basílica de Santa Maria del Mar. Foto: José Luiz Bernardes Ribeiro |
Há 1726 anos nascia Eulália, final do século III – início do século
IV, nas proximidades da cidade de Barcelona – Espanha. Provinha de uma
família da nobreza espanhola e seus pais viviam numa vasta propriedade
daquela movimentada corte.
Mais nobre ainda eram suas virtudes. Era facilmente reconhecida pela
sua humildade, sabedoria, prudência e inteligência. Eulália era a
caridade em pessoa e externava um extremo amor à Jesus Cristo, para o
qual despendia muitas horas do seu dia em virtuosas orações. Gostava
também de ficar no seu simples quarto, reunida com suas amigas, e ali
entoavam cânticos e hinos de louvor ao Senhor, depois elas saiam para
distribuir seus melhores pertences às crianças pobres.
Olhando somente para esses fatos da vida de Eulália, já poderíamos
dizer: “Uma Santa!”. Mas os santos, como de costume, sempre nos
surpreendem. E com Eulália não foi diferente…
Quando Eulália tinha 13 anos, começou em Barcelona uma grande
perseguição aos cristãos, decretada pelos imperadores do Império Romano,
Diocleciano e Maximiano. Esses imperadores se sentiram incomodados
quando souberam da rápida propagação da fé cristã, nas longínquas terras
espanholas, onde até então era rara esta fé. E mandaram o mais cruel e
feroz de seus juízes, chamado Daciano, para acabar com aquela
“superstição”.
Temendo pela vida de Eulália, seus pais decidiram levá-la para outra
propriedade mais afastada, onde poderia ficar longe dos soldados que
andavam pelas ruas a procura dos cristãos. Porém, Eulália considerou
covardia fugir do poder que exterminava os seus irmãos cristãos. E
assim, com sua intrepidez saiu altas horas da noite, e sem que sua
família soubesse se apresentou espontaneamente ao temido juiz, como
cristã. Consta inclusive que teria dito ao juiz Daciano: “Querem cristãos? Eis uma”.
Eulália foi levada a julgamento por ordem dos imperadores romanos.
Estes ordenaram que ela adorasse um deus pagão, dando-lhe sal e incenso,
para que depositasse ao pé do altar. Ela, ao invés, derrubou a estátua
do deus pagão, espalhando para longe os grãos de incenso e sal. A sua
recusa a oferecer os sacrifícios deixou furioso Daciano, que mandou
chicoteá-la até que seu corpo todo ficasse em chagas e sangrando.
Depois foi queimada viva aos 14 anos, no dia 12 de Fevereiro de 304, com as tochas dos carrascos. E em chama testemunhou: “Agora, vejo em mim as marcas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Com essa história de nos tirar o fôlego, para nós, hoje, é um exemplo
de ousadia e de uma fé inabalável. Não renunciou a Jesus em meio ao
sofrimento, a tanta dor, e aos deuses impostos.
O Papa Francisco na Missa celebrada dia 4 de Fevereiro disse que:
“A fé é a maior herança que o homem pode deixar. É precisamente a fé
que nos convida a não ter medo da morte. Que é só o início de outra
vida”. Que esta herança que Santa Eulália nos deixou, nos
remeta a uma profunda e corajosa reflexão de nossas vidas como cristãos.
E nos perguntarmos: Como estamos vivendo nosso cristianismo? Quais sãos
os imperadores romanos que ameaçam nossa fé em Cristo nos dias de hoje?
E como temos nos comportados diante desses deuses que nos assolam?
Que todos nós possamos como Santa Eulália, deixar com a nossa vida, como melhor herança, a fé de que o único Senhor, o Rei dos reis, o Senhor de todos os dominadores, é Jesus Cristo de Nazaré!
Santa Eulália, rogai por nós!
in

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