"Fundador dos Pobres Servos e Pobres Servas da Divina Providência. Classificado por Pio XII como campeão da caridade evangélica
Madrid,
04 de Dezembro de 2015
(ZENIT.org)
Dra. Isabel Orellana Vilches
"Providencia existe, Deus é Pai e pensa em nós, sempre que nós
pensamos nele e correspondemos buscando primeiro o Santo Reino de Deus e
Sua justiça". Era profunda a convicção de João, que experimentou
claramente a Providência em sua vida e nela sustentou o carisma de suas
fundações. Era o sétimo filho de uma família cristã humilde que beirava a
pobreza e o acolheu com alegria quando ele nasceu em Verona, Itália, em
08 de outubro de 1873. Seu pai era um sapateiro e sua mãe ganhava a
vida como empregada doméstica. A morte do pai se deu quando João era
adolescente, atrapalhando sua carreira académica, porque teve que
trabalhar para ajudar a sustentar a família. Esta situação afetou o seu
desempenho escolar.
Padre Scarpini, reitor de San Lorenzo, descobriu que o menino
mostrava alguns traços de virtude que o tornava apto a iniciar os
estudos eclesiásticos, e não poupou esforços para que ele entrasse no
seminário. A situação financeira da família só lhe permitiu estudar como
aluno externo, e assim permaneceu por três anos até cumprir o serviço
militar. A madeira era de santo e nos quartéis foram capazes de
constatar isso. Quando ele deixou o serviço militar, muitos,
incentivados por ele, abriram os braços para Deus.
Algumas circunstâncias de sua vida, especialmente a experiência de
precariedade que provou em sua curta existência e o gesto generoso e
atencioso do padre Scarpini, juntamente com suas entranhas de
misericórdia, se entrelaçaram em uma gelada noite frutífera de 1897,
quando, após a visita aos doentes, encontrou uma criança em fuga na
porta de sua casa tremendo de frio. Ele tinha 6 anos e parecia treinado
para mendigar, possivelmente, foi sequestrado na região de Liguria.
Embora realizadas as medidas legais necessárias, assessorado por
Scarpini, ninguém se preocupou em encontrar a criança.
A pobreza, a solidão, a doença, o abandono... seriam para sempre
realidades dramáticas que nunca deixariam o santo impassível. Em vez
disso, dedicou a sua obra por tudo isso, sempre à procura de maneiras
para aliviá-las, envolvendo seminaristas, sacerdotes e leigos. Naquela
noite inesquecível em que ele descobriu a natureza de sua verdadeira
vocação, abrigou a criança em sua própria casa. Alguns meses depois, ele
fundou a "Pia União para a assistência dos pobres doentes".
Desde 1901, ano em que foi ordenado sacerdote, junto ao trabalho
pastoral que realizou na paróquia de Santo Estevão, na casa paroquial de
São Benedito do Monte, os doentes, os idosos, os pobres e quem
precisasse, recebia dele abundantes gestos de caridade. As fundações se
multiplicavam enquanto a Providência acompanhava o seu trabalho
incansável. Acolhia crianças abandonadas; enquanto tentava encontrar um
centro de acolhimento digno para eles, sem sucesso. Em 1906, sua mãe
teve o cuidado de atendê-los de forma tão intensa que ficou gravemente
doente. João recorreu ao conde Francesco Perez. O aristocrata o olhou
convencido de que ele era a pessoa certa para cuidar das crianças. Mas
com sua mãe doente ele não sabia como poderia realizar esse trabalho.
Ele implorou a Deus. Se fosse da Sua vontade que ele se ocupasse das
crianças, o sinal seria a cura de sua mãe por pelo menos um ano. De
repente, ela foi curada.
Em novembro de 1907 fundou o "Instituto Casa Buoni Fanciulli”, a este
trabalho seguiu a fundação da "Congregação dos Pobres Servos da Divina
Providência", formado por um grupo de pessoas que apoiavam a sua ação
apostólica, compartilhando sua própria vocação, e o ramo feminino
"Pobres Servas da Divina Providência". Criou a "Cittadella della
Carita”, a “Família dos irmãos externo” para os leigos, e foi
incentivador de abrigos e hospitais.
Em 1934, estenderam o alicerce para a fundação em Vijayawada (Índia).
Promoveu as vocações e o diálogo inter-religioso, abrindo um caminho ecuménico frutuoso com os protestantes, ortodoxos e judeus. Era um
confessor extraordinário e não hesitou em arriscar a vida salvando
pessoas em perigo, como uma médica hebreia ameaçada de morte pela
perseguição nazista que salvou mantendo-a escondida entre as religiosas
de sua fundação. Alguns dos agraciados, como esta mulher, enviaram
cartas a Roma pedindo que ele fosse elevado aos altares.
João ofereceu a si próprio pela santificação da Igreja e a unidade
dos cristãos e encorajou todos à experiência da vivência do rigor
evangélico. Junto com sua proverbial caridade, estava sua profunda
oração, viveu a gratuidade em tudo o que fez. Na verdade, ele queria que
seus filhos fossem em missão para onde não existisse nada, humanamente,
para recebe-los. Ele apenas pedia "humildade, ‘escondimento’ total,
abandono por inteiro e total na Divina Providência; não pedir nada,
rezar muito; que ninguém receba; proibiu todas as formas de publicidade;
nenhum encontro de beneficência, reconhecimentos públicos, porque Deus
não precisa dessas coisas e Ele cuida desta obra que é inteiramente sua.
Buscamos almas, somente almas".
Gravemente doente e sabendo que Pio XII estava morrendo, ele colocou
sua vida aos pés do Pai por ele. Deus o ouviu. Ele faleceu dia 04 de
dezembro de 1954, quando o pontífice reagiu e sobreviveu mais quatro
anos. Sabendo do gesto de caridade que teve, Pio XII chamou-lhe de
"campeão da caridade evangélica". Por sua parte, o cardeal Schuster
ordenou cunhar o epitáfio no túmulo de João que resume a grandeza e o
impacto de sua admirável virtude e apostolado: “Resplandeceu como um
farol luminoso na Igreja de Deus". Foi beatificado por João Paulo II em
17 de abril de 1988 e canonizado em 18 abril de 1999.
(04 de Dezembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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