Páginas

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A revolução global para um novo humanismo

Um manifesto pelo fortalecimento e democratização da ONU

Roma, 09 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Alessandro de Vecchi

"Não é um livro; é um estudo, uma pesquisa, um projeto de revolução global pacífica para dar início a um novo humanismo. Uma espécie de nova ágora aberta a todos", declarou Orazio Parisotto, funcionário do Parlamento Europeu durante muitos anos, ao apresentar a sua mais recente publicação: “La rivoluzione globale per un nuovo umanesimo” [“A revolução global para um novo humanismo”, ainda não lançado em português].

É uma ideia ambiciosa de fortalecimento e democratização da Organização das Nações Unidas a fim de criar instituições internacionais capazes de gerir a globalização com os princípios do respeito entre culturas e religiões, da liberdade e dos direitos humanos, da economia e das finanças com limites éticos precisos e da proteção do meio ambiente.


A obra tem apoio da Unipax, organização não-governamental fundada por Parisotto em 1984 e associada ao Departamento de Informação Pública das Nações Unidas.


"No século XV, o humanismo mudou a visão do universo de teocêntrica para antropocêntrica. Afirmou a ideia do homem como artífice do próprio destino. Agora que, nas palavras de Albert Einstein, ‘a modernidade falhou’, é preciso um novo humanismo para redescobrir o pluralismo das origens da civilização europeia e combater as emergências globais. Não há mais tempo para parar e apreciar a vida que vivemos. A Europa tem de acordar. Temos de acordar porque a Europa somos nós".


"Este livro é dedicado aos agentes e às associações de paz. Então, como Unipax, foi natural apoiar o projeto. Este trabalho tem uma qualidade fundamental para nós: é totalmente apartidário, aconfessional e sem referência a nenhum credo económico".


"Estamos numa época de caos, em que falta uma ideia real de como organizar o nosso futuro. Os países mais fortes continuam imprimindo dinheiro sem lastro na economia real e isto põe em dificuldades os países mais fracos. Temos de superar a ideia do primado da soberania nacional para construir um projeto de federação mundial. A ONU foi um passo importante para a definição de um verdadeiro direito internacional, mas precisa ser atualizada para as necessidades do novo século, democratizada e fortalecida para fazer cumprir as regras e direitos fundamentais no mundo inteiro".


A ideia do autor é partir de petições on-line, envolvendo cada vez mais organizações do mundo todo, para exercer pressão sobre governos e instituições internacionais. "Transformar a ONU em uma Câmara dos Povos, na qual todos sejam igualmente representados. Ela tem de eleger um Conselho de Segurança sem poder de veto, ao qual estariam ligados um exército de paz e de intervenção humanitária e uma agência para o desarmamento mundial progressivo".


Essa ONU renovada teria força para afirmar princípios de proteção ambiental, sustentabilidade, educação intercultural e inter-religiosa, bem como de economia e finanças com limites éticos precisos, incluindo a aplicação de uma taxa sobre transações financeiras em nível global, cujas receitas seriam destinadas em parte à ONU e em parte aos países-membros. "Um mundo em que todos possam sentir-se irmãos, como defendeu o papa Francisco em seu recente discurso no Congresso dos Estados Unidos".


"Este livro dá uma estrutura orgânica e sistemática a problemas mundiais como a inadequação de alguns organismos supranacionais. Penso na ONU, mas também na União Europeia, que não consegue lidar com a crise económica e com a emergência da imigração. Esta proposta quer transformar o modelo cultural, artístico e filosófico do humanismo em paradigma político. Vivemos num mundo sem regras, com as grandes empresas multinacionais como Google se comportando quase como superpotências políticas. As instituições internacionais existentes hoje não podem fazer muito contra elas. Os Estados Unidos já não são capazes de ser os guardiões do mundo. A União Europeia não tem uma verdadeira liderança interna compartilhada. Não tem mais os ideais das suas origens nem personalidades como De Gasperi, Adenauer, Mitterand e Kohl".


O caminho rumo a uma economia com mais ética também é longo e difícil: "O próprio papa Francisco está tentando reformar as finanças do Vaticano, mas encontra muitas resistências".

(09 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
in


Sem comentários:

Enviar um comentário