Embora a corrupção não seja mencionada
especificamente, o Magistério dá "as coordenadas que permitem iluminar a
solução para esse fenómeno"
Roma,
13 de Novembro de 2015
(ZENIT.org)
"Combater até o fim o câncer da corrupção e o veneno da
ilegalidade" foi o sonoro pedido do papa Francisco a todos em seu
discurso aos fiéis na praça da catedral de Prato, na Itália.
A palavra corrupção vem do latim “corruptio”, por sua vez derivado de
“rumpere”, romper, quebrar. Quem corrompe ou é corrompido rompe um
equilíbrio natural, uma integridade moral, uma harmonia vital. Hoje, o
termo corrupção é geralmente associado à política e às instituições em
suas diversas articulações, mas o estilo de vida que rompe a justiça e a
confiança também se espalha por muitos contextos particulares e
comunitários. Suas raízes estão no interior do indivíduo, prontas para
se ramificar com força toda vez que se perde a relação pessoal com a
verdade de Deus ou, no caso dos não crentes, quando se desvaloriza a
retidão objetiva da própria natureza ontológica.
A corrupção é conscientemente "alicerçada" em tudo o que engana o homem em seus anseios de prestígio e poder, mas também em todo ato externo quotidiano que tende a definir suas relações e funções oficiais ou privadas. Chama a atenção, assim, observa dom Giampaolo Crepaldi, a rara ocorrência desta palavra no Magistério Pontifício, especialmente com o sentido que lhe atribuem as ciências sociais e as diversas pesquisas empíricas.
No entanto, o mesmo dom Crepaldi, ex-secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz, escreve: "Não faríamos um trabalho útil se nos propuséssemos a buscar neste ou naquele lugar do Magistério social uma referência mais ou menos explícita ao fenómeno da corrupção". No entanto, o fenómeno é abordado na Sollicitudo rei socialis, na Centesimus annus, no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (DSI). Dom Crepaldi exorta os que confiam na guia diária da DSI a encontrarem a referência certa para evitar a guilhotina de corrupção e para serem construtores reais de uma sociedade do amor e da justiça, num contexto em que o homem não "rompa" o equilíbrio e a harmonia que o Senhor criou para a realização de cada pessoa.
A corrupção é conscientemente "alicerçada" em tudo o que engana o homem em seus anseios de prestígio e poder, mas também em todo ato externo quotidiano que tende a definir suas relações e funções oficiais ou privadas. Chama a atenção, assim, observa dom Giampaolo Crepaldi, a rara ocorrência desta palavra no Magistério Pontifício, especialmente com o sentido que lhe atribuem as ciências sociais e as diversas pesquisas empíricas.
No entanto, o mesmo dom Crepaldi, ex-secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz, escreve: "Não faríamos um trabalho útil se nos propuséssemos a buscar neste ou naquele lugar do Magistério social uma referência mais ou menos explícita ao fenómeno da corrupção". No entanto, o fenómeno é abordado na Sollicitudo rei socialis, na Centesimus annus, no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (DSI). Dom Crepaldi exorta os que confiam na guia diária da DSI a encontrarem a referência certa para evitar a guilhotina de corrupção e para serem construtores reais de uma sociedade do amor e da justiça, num contexto em que o homem não "rompa" o equilíbrio e a harmonia que o Senhor criou para a realização de cada pessoa.
O arcebispo de Trieste escreve: "Devemos buscar na doutrina social da
Igreja os critérios para abordar o problema, as coordenadas de
princípios e valores que nos permitem iluminar o fenómeno, explicá-lo
não só a partir dos seus dados empíricos, que é tarefa da pesquisa
social, mas na sua conotação ético-social e ético-política, prospectando
possíveis caminhos para uma luta eficaz contra a corrupção. Para esta
luta, precisamos conhecer o fenómeno em toda a sua complexa
fenomenologia empírica, mas também, e mais importante ainda, dentro de
um quadro de natureza ética suficientemente orgânico".
Dom Crepaldi nos dá quatro critérios úteis para combater a
imoralidade. Ele a vê como um fenómeno mundial e imaterial, como um mal
que acarreta custos para a comunidade.
As Sagradas Escrituras não usam muito o termo “corrupção” para falar do fenómeno, mas, direta ou indiretamente, aborda a degeneração do comportamento humano que "rompe" os princípios estabelecidos pelo Senhor para a boa convivência entre os homens.
No Livro dos Reis (1,21), ao falar da "Vinha de Nebot", a prepotência de Jezabel, mulher de Acabe, rei da Samaria, nada mais é que a representação da arrogância que geralmente brota em certos contextos institucionais, ofuscando o trabalho positivo dos outros e nutrindo a sensação de corrupção difusa, portadora de desconfiança em uma sociedade doente. Naboth, que possuía uma vinha perto do palácio real, não hesitou em rejeitar a proposta de compra pelo rei, por se tratar de herança dos pais. Acabe acusou o golpe da rejeição, mas sua esposa lhe propôs ações "corruptoras" junto aos anciãos do reino solicitando falsos testemunhos, que acusassem Nebot, perante o povo, de ter blasfemado contra Deus e contra o rei. O apedrejamento inevitável ocorreu fora da cidade, permitindo que o soberano, graças à pérfida esposa, se apropriasse da vinha tão desejada.
O castigo divino que se seguirá reflete os atos históricos de corrupção, promovidos pela rainha, aprovados pelo rei, oficializados pelos anciãos e pelas falsas testemunhas. Um quadro antigo, mas, infelizmente, muito atual, que só através da verdade do Evangelho, fonte principal de diretrizes sociais e políticas da Doutrina Social da Igreja, pode ser mudado para o progresso e bem-estar social de todo homem.
As Sagradas Escrituras não usam muito o termo “corrupção” para falar do fenómeno, mas, direta ou indiretamente, aborda a degeneração do comportamento humano que "rompe" os princípios estabelecidos pelo Senhor para a boa convivência entre os homens.
No Livro dos Reis (1,21), ao falar da "Vinha de Nebot", a prepotência de Jezabel, mulher de Acabe, rei da Samaria, nada mais é que a representação da arrogância que geralmente brota em certos contextos institucionais, ofuscando o trabalho positivo dos outros e nutrindo a sensação de corrupção difusa, portadora de desconfiança em uma sociedade doente. Naboth, que possuía uma vinha perto do palácio real, não hesitou em rejeitar a proposta de compra pelo rei, por se tratar de herança dos pais. Acabe acusou o golpe da rejeição, mas sua esposa lhe propôs ações "corruptoras" junto aos anciãos do reino solicitando falsos testemunhos, que acusassem Nebot, perante o povo, de ter blasfemado contra Deus e contra o rei. O apedrejamento inevitável ocorreu fora da cidade, permitindo que o soberano, graças à pérfida esposa, se apropriasse da vinha tão desejada.
O castigo divino que se seguirá reflete os atos históricos de corrupção, promovidos pela rainha, aprovados pelo rei, oficializados pelos anciãos e pelas falsas testemunhas. Um quadro antigo, mas, infelizmente, muito atual, que só através da verdade do Evangelho, fonte principal de diretrizes sociais e políticas da Doutrina Social da Igreja, pode ser mudado para o progresso e bem-estar social de todo homem.
(13 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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