1. Emigrantes e cidadania
No dia 7 de Junho realizou-se um referendo no Luxemburgo para saber a opinião dos luxemburgueses sobre vários assuntos, sendo um deles sobre os direitos políticos dos estrangeiros, que são cerca de 46% da população do Luxemburgo, sendo 16% portugueses. O resultado deste referendo exclui os estrangeiros do direito de voto, mesmo os provenientes de países da Comunidade Europeia. Tratando-se de um país da Comunidade Europeia, que tem como objetivo a livre circulação de pessoas e mercadorias, penso que foi um passo atrás na construção da Comunidade. A livre circulação, que se limite aos direitos de residência e trabalho, não é perfeita. Não pode haver cidadãos de primeira e de segunda.
No dia 7 de Junho realizou-se um referendo no Luxemburgo para saber a opinião dos luxemburgueses sobre vários assuntos, sendo um deles sobre os direitos políticos dos estrangeiros, que são cerca de 46% da população do Luxemburgo, sendo 16% portugueses. O resultado deste referendo exclui os estrangeiros do direito de voto, mesmo os provenientes de países da Comunidade Europeia. Tratando-se de um país da Comunidade Europeia, que tem como objetivo a livre circulação de pessoas e mercadorias, penso que foi um passo atrás na construção da Comunidade. A livre circulação, que se limite aos direitos de residência e trabalho, não é perfeita. Não pode haver cidadãos de primeira e de segunda.
Na última nota refletia sobre a língua como a nossa pátria. Mas não pode ser o único critério de cidadania, embora importante e fundamental. Os cidadãos comunitários, ao mudar do país de origem para outro da Comunidade, após um tempo de adaptação e integração, não devem continuar a ser considerados como estrangeiros, apenas como mão de obra, mas cidadãos de pleno direito, sendo um deles a escolha dos seus representantes no país onde trabalham e vivem. Em vários países da Comunidade já é possível exercer esse direito, desde que se esteja inscrito nos cadernos eleitorais desse país. Compreende-se a reação dos luxemburgueses, que estão na iminência de serem minoritários no seu próprio país, mas isso não justifica a decisão popular. Ainda bem que os seus governantes digam que irão respeitar esta decisão, mas tudo farão para, no futuro, tentarem mudá-la.
Mas, por outro lado, aos direitos correspondem deveres de cidadania. A maioria dos nossos emigrantes ainda não adquiriu esta consciência e daí ficarem indiferentes a este referendo. Resta-nos um longo caminho de consciência e integração comunitária a percorrer. Todo o sistema educativo, os governos, as instituições culturais, sociais e religiosas, assim como os meios de comunicação social devem dar o seu contributo para formar esta nova cidadania europeia.
A Igreja, desde os seus inícios evangélicos que forma as consciências dos cristãos para a liberdade dos filhos de Deus, onde não pode haver acepção de pessoas, nem escravos ou estrangeiros, mas concidadãos. Este é também o tema da Mensagem papal para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado deste ano: Igreja sem fronteiras, Mãe de todos. Inspirado nesta Mensagem é também o lema da Semana das Migrações de 9 a 16 de Agosto deste ano e da peregrinação dos migrantes a Fátima, a 12 e 13 de Agosto: Igreja sem fronteiras, somos um só corpo.
Apesar dos contratempos e obstáculos não desistamos do caminho.
2. Convivência pacífica na diversidade
No Sábado, dia 6, o Papa Francisco visitou Sarajevo, na Bósnia Herzegovina, onde há poucos anos aconteceu uma guerra civil violenta, com muitos refugiados e mortes, território muito disputado pela Croácia e pela Sérvia, que antes faziam parte da Jugoslávia, que, após a queda do muro de Berlim, se foi esboroando e dando origem a vários países, uns com maioria da população católica (Croácia) ou ortodoxa (Sérvia), outros com mistura de várias etnias e religiões: muçulmanos, judeus, ortodoxos, católicos, etc. O Papa tem procurado visitar países onde há diversidade de etnias e religiões, como a Bósnia, a Albânia, a Turquia, a Palestina, etc., para acentuar a necessidade de construir a paz no respeito pela diferença e na convivência pacífica entre as diferentes etnias e religiões.
2. Convivência pacífica na diversidade
No Sábado, dia 6, o Papa Francisco visitou Sarajevo, na Bósnia Herzegovina, onde há poucos anos aconteceu uma guerra civil violenta, com muitos refugiados e mortes, território muito disputado pela Croácia e pela Sérvia, que antes faziam parte da Jugoslávia, que, após a queda do muro de Berlim, se foi esboroando e dando origem a vários países, uns com maioria da população católica (Croácia) ou ortodoxa (Sérvia), outros com mistura de várias etnias e religiões: muçulmanos, judeus, ortodoxos, católicos, etc. O Papa tem procurado visitar países onde há diversidade de etnias e religiões, como a Bósnia, a Albânia, a Turquia, a Palestina, etc., para acentuar a necessidade de construir a paz no respeito pela diferença e na convivência pacífica entre as diferentes etnias e religiões.
Nos seus discursos acentua este aspeto e exorta os ouvintes a saber perdoar, para construir um futuro de paz, que possibilite o desenvolvimento. Isto não quer dizer que se deva esquecer ou pôr de parte a história, mesmo que trágica. Lembrar os horrores da guerra, para não os repetir, não por medo, mas porque se deseja o bem de todos, procurando caminhos de perdão e reconciliação, no respeito pelas diferenças étnicas e religiosas. O choque das civilizações ou das religiões não pode acontecer. Como cristãos devemos tudo fazer para que se construa uma nova civilização, baseada no amor, no perdão, na reconciliação, na misericórdia, onde as diferenças passam a ser uma riqueza e não um motivo de conflito.
Estou convencido que o verdadeiro choque de civilizações poderá ser motivado pelas crescentes desigualdades entre países pobres e ricos e dentro do mesmo país o fosso entre ricos e pobres. As desigualdades económicas, visíveis e sensíveis aos olhos de todos, geram conflitos. Muitos aproveitam-se de credos religiosos para justificar a luta pelo poder. Como diz frequentemente o Papa Francisco e Bento XVI também o afirmava, ninguém pode invocar Deus para fazer guerra. Deus é Pai de todos e não quer ver os seus filhos desavindos. Invocá-lo para fazer a guerra é um sacrilégio, uma blasfémia.
Para um cristão, que se diz discípulo de Jesus Cristo, isso nunca pode acontecer. Ele mandou-nos amar e perdoar aos inimigos e a nunca retribuir o mal com a mesma moeda. Várias bem-aventuranças realçam esta atitude dos seus verdadeiros seguidores. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus... (Mt 5, 7 ss). O Ano Jubilar da Misericórdia que se avizinha ajudar-nos-á a fomentar a reconciliação baseada no amor misericordioso.
† António Vitalino, bispo de Beja
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