Muitos preservativos e retrovirais, pouca educação e mudança
| Edward
Green, é epidemiólogo e antropólogo e crê que a chave contra a Sida é mudar os comportamentos... Em África não baixam os contágios, só os mortos |
Actualizado 15 de Setembro de 2014
Benedetta Frigerio / Tempi.it
Continuar inundando África de preservativos e fármacos anti-retrovirais? Não é científico suster que este é o melhor modo de combater a SIDA no continente.
Pior: é uma ilusão que, paradoxalmente, corre o risco de piorar as coisas, favorecendo a difusão do contágio por HIV.
É a tese do investigador estadunidense Edward Green, autoridade internacional na matéria, obstaculizado pelo "seu" mundo progressista precisamente por ter defendido posições anticonformistas no que respeita às campanhas anti-SIDA.
Apoiou Bento XVI com dados científicos
Green causou sensação em todo o mundo quando, em 2009, proporcionou dados que demonstravam a verdade das palavras pronunciadas pelo Papa Bento XVI precisamente em África: «O problema da SIDA não se resolve com a distribuição de preservativos que, pelo contrário, pioram o problema».
[Chamou a atenção o seu artigo em 29 de Março de 2009 em The Washington Post "The Pope May Be Right" - O Papa pode estar certo -; ndReL]
Foi despedido pelo Centro de Investigação para a prevenção da SIDA de Harvard, que ele mesmo dirigia.
[Uma nota da Universidade em Abril de 2009 declarou que se acabariam os fundos do projecto em Abril de 2010 e que não tinha relação com a postura de Green. NdReL]
Green susteve de novo com força a sua postura em 2012, com uma abundante apresentação de dados científicos, no seu livro Broken Promises (Promessas quebradas, ndt) que denuncia a "traição" dos países em via de desenvolvimento por parte do "establishment" da SIDA.
Agora, com um artigo publicado na "National Review" de 29 de Agosto de 2014 volta ao ataque junto com a sua colega Allison Rualk para responder à intervenção de Donald McNeil aparecida no "New York Times" em 25 de Agosto e intitulada “Os progressos contra a SIDA na África do Sul estão em perigo”.
Progressos na África do Sul? Não há progressos
Segundo McNeil, a diminuição dos investimentos do governo estadunidense centrados na difusão dos fármacos anti-retrovirais estaria invertendo a tendência positiva registrada na África do Sul na luta contra a SIDA.
Para Green e Rualk, por outro lado, isto não sucederá simplesmente porque na África do Sul «não houve nunca progresso algum» na luta contra a difusão da SIDA.
Os dados discutidos na Conferência da África do Sul de 2013 demonstraram melhor a diminuição do índice de mortalidade pela SIDA, não da sua incidência.
Mas «o êxito nos tratamentos médicos na África do Sul e, portanto, a diminuição da taxa de mortalidade não devem ser confundidos com um êxito na prevenção», um equívoco demasiado difundido, «não só na África do Sul».
Houve diminuição antes dos retrovirais
Ante tudo, a diminuição do HIV em África depois do pico no final dos anos noventa, recordam Green e Rualk, é um fenómeno que se manifestou «antes que os anti-retrovirais fossem amplamente acessíveis».
E «a outra conclusão» do "New York Times" que há que desmitificar porque não está sustida por dados, continuam os dois estudiosos, é aquela segundo a qual «os preservativos são a causa, ou estão vinculados, à diminuição do índice de infecção por HIV na África do Sul».
A este propósito, os investigadores recordam «o primeiro e maior caso de êxito contra a SIDA» de toda a África: Uganda, onde graças ao foco educativo baseado na abstinência e na fidelidade «os índices de infecção diminuíram ainda antes que os preservativos estivessem disponíveis fora da capital Kampala».
E se por outro lado hoje «o Uganda não está indo tão bem», observam Green e Rualk, «provavelmente é devido à pressão dos benfeitores ocidentais sobre os seus governantes para que deixem de dissuadir sobre os comportamentos de risco – principalmente as relações com diferentes pares — e confiem por outro lado nos fármacos, as análises e os preservativos».
O que funciona: reduzir o número de pares
Se o índice de difusão do vírus em África se reduziu é graças à “partner education”, quer dizer, à reeducação dos pares sexuais, insistem Green e Rualk.
E parece também «provável que o ensinamento e a exortação procedentes da base do país, especialmente das igrejas e das mesquitas, tenham reforçado a reacção natural que levou as pessoas a prestar mais atenção ao comportamento sexual».
Teses um pouco fortes para um intelectual progressista?
«Dizem que me converti numa pessoa religiosa – disse Green numa entrevista à Lifesitenews.com – mas somos nós os que apresentamos dados científicos. Eles são presa da ideologia».
Se como sustém o "New York Times", na África do Sul os progressos da luta contra a SIDA estão em risco, a verdadeira razão a mostram melhor as revelações sobre os comportamentos nacionais, dos quais emerge que «na última década aumentou a percentagem de sul-africanos que tem múltiplos pares sexuais (dois ou mais no último ano)».
Portanto, parece ser que «paradoxalmente o maior acesso aos tratamentos médicos contra a SIDA dos últimos anos poderia ter trazido uma menor cautela nos comportamentos (…), fazendo pensar as pessoas que a SIDA já não coincide com uma sentença de morte».
Quando se pensava em educar mais que em medicar
Quando Green foi membro de 2003 a 2007 do Conselho Assessor do presidente para o HIV, - relata ele mesmo no artigo assinado com a colega -, a totalidade dos 27 membros acordaram com ele que a estratégia da difusão do preservativo e dos tratamentos médicos «tinha sido um sonho irrealizável».
Tanto que «inclusive o então administrador delegado da farmacêutica Pfizer, Hank McKinnell, escreveu um livro junto com o resto do Conselho assessor que planeava a necessidade de promover mudanças no comportamento sexual, de impulsionar a circuncisão masculina (pelo menos em África) e de tomar outras medidas necessárias para a prevenção da SIDA».
Sem dúvida, desgraçadamente, os escassos fundos para os programas educativos assinados durante o governo Bush «desapareceram durante a administração Obama».
(Tradução de Helena Faccia Serrano, Alcalá de Henares)
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