Em pauta, desafios da família, necessidade de preparação adequada para o matrimónio e reflexão sobre o casamento entre crentes e não crentes
Cidade do Vaticano, 13 de Outubro de 2014 (Zenit.org)
A décima congregação geral do sínodo sobre a família contou
com a participação de sete “delegados fraternos”, representantes de
diversas confissões cristãs não católicas romanas. O pronunciamento do
oitavo delegado, o metropolita Hilarion, presidente do Departamento para
as Relações Exteriores do Patriarcado de Moscovo, acontecerá nos
próximos dias.
Em seus discursos, os delegados fraternos expressaram ao Santo
Padre e aos padres sinodais a gratidão pelo convite a participar da
assembleia. Em seguida, cada um apresentou a situação da família no
âmbito da própria confissão cristã.
No conjunto, foram destacados os desafios e as esperanças do núcleo
familiar que são comuns a todos os cristãos: a família é essencial para a
sociedade e é a base fundamental da comunhão na justiça. As
dificuldades, entretanto, também não faltam em todos os contextos, com
maior ou menor intensidade conforme cada caso: crise económica, meios de
comunicação reduzindo os momentos de diálogo doméstico, modelos que
induzem ao adultério, guerras, migrações, globalização, drama de doenças
como a sida e o ebola, fundamentalismo islâmico especificamente em alguns
países. Todos esses desafios põem continuamente em risco o bem da
família.
Observou-se ainda que, entre os cristãos, é comum a necessidade de
uma preparação adequada para o matrimónio e de uma reflexão adequada
sobre o casamento entre crentes e não crentes.
Quanto aos divorciados recasados, afirmou-se que o seu acolhimento
adequado por parte da Igreja pode trazer novas esperanças e mais
inspiração para a vida familiar como base da sociedade. É essencial,
portanto, escutar aqueles que se encontram em situações familiares
difíceis, em cujas situações são necessárias a misericórdia e a
compaixão, dado que as Igrejas sempre querem ser de ajuda para os que
sofrem, aplicando a Sagrada Escritura aos problemas da
contemporaneidade.
Manifestou-se também a vontade de ouvir e compreender, sem qualquer
tipo de condenação, as pessoas homossexuais, mesmo reafirmando-se que o matrimónio consiste na união entre um homem e uma mulher. Dedicou-se
atenção particular às crianças nascidas em contextos difíceis e às
vítimas da violência, em especial as mulheres e os menores.
Outro tema central nos discursos dos delegados fraternos foi o
anúncio do evangelho: a família é a primeira escola da fé, o lugar onde
se aprende a conhecer e a difundir a Boa Notícia. Portanto, é essencial
que os cristãos compartilhem a "alegria do evangelho", o “evangelii
gaudium” ressaltado pelo papa Francisco.
Houve algumas diferenças de postura, por exemplo, quanto às políticas
de controle dos nascimentos, destacando-se a liberdade de consciência
dos crentes, sempre no respeito do amor e do matrimónio.
Os delegados fraternos das Igrejas presentes no Oriente Médio fizeram
um agradecimento ao Santo Padre pela vigília de oração pela paz na
Síria e no resto do mundo, celebrada em 7 de Setembro de 2013. Neste
contexto, reiterou-se a responsabilidade das famílias cristãs para com a
evangelização nos ambientes de maioria islâmica.
Todas as intervenções se encerraram com o desejo de que o sínodo
extraordinário sobre a família tenha êxito, inclusive em vista da
assembleia ordinária programada para 2015.
(13 de Outubro de 2014) © Innovative Media Inc.
in
Sem comentários:
Enviar um comentário