Universidade Europeia de Roma: atletas de diversos países testemunharão que o desporto une, educa e promove a solidariedade e a paz
Roma, 08 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Antonio Gaspari
Para ser campeão, não é suficiente ter talento: são
necessários também o empenho, o trabalho duro, a determinação, a
humildade e uma série de proeminentes valores humanos e morais. É
preciso indicar às novas gerações quais são as formas de educação que
nos levam a superar os grandes desafios que o mundo moderno impõe. A
Universidade Europeia de Roma, em parceria com a rede internacional das
quinze universidades Anáhuac, do México, organiza no dia 25 de Outubro,
em Roma, a conferência mundial "O desporto, muito mais que
entretenimento".
Dezassete campeões de Jogos Olímpicos e de outros campeonatos
mundiais contarão as suas experiências de vida e falarão dos seus projectos. Entre eles, o atleta do futebol aquático Alessandro Campagna,
hoje treinador da selecção italiana, que ressalta que o trabalho em
equipe é essencial para educar na “rectidão como conduta moral, na
lucidez para competir com o outro, no valor do grupo, no respeito da
pessoa e no evitar o protagonismo pessoal em prol de toda a equipe”.
Também estará presente o campeão europeu de boxe Vincenzo Cantatore,
que afirmou: “Competir na dinâmica da confrontação exige o exercício de
algumas virtudes: a gratuitidade em que se deve desenvolver o encontro, ou
seja, afastar com generosidade a ideia da auto-afirmação pura e simples,
bem como o reconhecimento dos outros”.
Daniele Masala, nadador e atleta do pentatlo, campeão mundial e
olímpico, afirma que “o homem consegue avaliar a si mesmo na acção, na
dinâmica do esforço físico, libertador e ao mesmo tempo esgotador”.
Para Aldo Montanaro, campeão de esgrima, “a importância e o valor das
regras são expressões da honestidade para consigo mesmo e do respeito
pelos outros”.
Clemente Russo, também campeão de boxe, acrescenta: “O desporto nos
empurra para além dos nossos limites; a vitória é uma expressão de
muitos sacrifícios”.
Abdon Pamich, atleta italiano de marcha e um dos mais condecorados do
país com medalhas nos Jogos Olímpicos, enfatiza que o desporto é para
toda a vida porque expressa “o valor da continuidade, a expressão da
dignidade e a beleza de cada situação e de cada etapa da vida”.
Para a vencedora croata de salto em altura Blanka Vlasic, “a família é
o terreno fértil em que se nasce campeão. O amor e o apoio da família
são, com frequência, a principal fonte para sustentar e transformar os
sonhos em realidade”.
Para o ex-comandante da equipe aeronáutica italiana “As Flechas
Tricolores”, Massimo Tammaro, atualmente na Ferrari, "os valores do desporto podem ajudar também as pessoas que encaram trabalhos exigentes e
intelectuais".
Participarão do evento, além deles, o surfista Nikolaus Von Rupp e a
cantora e campeã para-olímpica Annalisa Minetti. Outro participante é
Hilario di Buó, arqueiro italiano duas vezes medalhista de prata nos
Jogos Olímpicos, que falará da beleza do desporto pessoal, ou seja, “de
tomar consciência de si mesmo nas relações com a realidade e na
percepção do próprio potencial”.
O remador italiano Lorenzo Porzio, campeão do mundo e medalhista de
bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, hoje pianista, intérprete,
compositor e diretor de orquestra, contará como o desporto "contribui
para a livre expressão unitária, já que ele é uma harmonia de formas, de
corpo e de música”.
Luca Pancalli, atleta do pentatlo que ficou paraplégico devido a uma
queda de cavalo e que hoje é presidente do Comité Para-olímpico Italiano e
Grande Oficial do Mérito da República Italiana, contará a sua
experiência no desporto para portadores de necessidades especiais: “uma
oportunidade de encontro e de fraternidade e uma motivação psicológica
para recuperar a vida”.
Santo Rullo, psiquiatra e campeão mundial da hospitalidade e da
sociabilidade, um dos inventores do futebol social, descreverá a “forte
dimensão social” do desporto em virtude de uma linguagem "compreensível
para todos". O desporto, para ele, é “um lugar de encontro e um convite a
entrar em contextos onde existem realidades de falta de adaptação
mental e social”.
Alessia Lucchini, finalista nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000 com a
equipe italiana de natação sincronizada, está actualmente comprometida
com o projecto Filípides, de formação e preparação, no desporto de
competição, para pessoas com síndrome de Down e outras síndromes raras
relacionadas com ela. A atleta afirma que “a harmonia das formas, a
ginástica, a coreografia e a música são componentes importantes do mundo
do desporto feminino, capazes de criar admiração e assombro. O
entusiasmo com o desporto pode ser uma fonte de satisfação e de
felicidade, mesmo quando não se foca mais no resultado, porque [o desporto] se transforma em oportunidade para servir aos outros”.
O evento da Universidade Europeia de Roma coincide com o desejo do
papa Francisco de “fazer com que o desporto seja o veículo da cultura do
encontro e contribua para uma válida e frutífera convivência pacífica de
todos os povos, repudiando toda discriminação de raça, idioma e
religião” (alocução do papa, em 1º de Setembro deste ano, aos jogadores
de futebol que participariam da Partida Inter-Religiosa pela Paz, na
mesma data, em Roma).
(08 de Setembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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