Afirmar simplesmente que o papa Francisco não priorizou no seu pontificado a questão doutrinária ou moral, e contrapô-lo, assim, ao Papa Bento XVI é um erro grande.
Brasília, 10 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Thácio Siqueira
No dia 24 de Novembro desse ano comemoramos 1 ano da
Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco. Nela, o santo
padre recolheu os trabalhos do sínodo dedicado à nova evangelização para
a transmissão da fé, celebrado de 7 a 28 de Outubro de 2012, no
Vaticano.
Com um ano de distância, porém, podemos notar que essa exortação
tem sido um verdadeiro programa de pontificado. Ao longo dos 300 pontos
do documento, o pontífice falou da sua visão da Igreja e do mundo,
aprofundando em ideias que ele tem constantemente repetido em suas
pregações.
Francisco exprimiu o seu "sonho com uma opção missionária capaz de
transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a
linguagem e toda a estrutura eclesial se transforme num canal adequado
para a evangelização do mundo actual, mais do que para a auto-preservação".
Massimo Introvigne, sociólogo italiano autor de O Segredo do Papa Francisco (Milão,
2013) e pai da teoria do "efeito Francisco", disse no ano passado à
ZENIT que o papa já trouxe de volta à Igreja fiéis que estavam
afastados.
“Vamos olhar para o título: ele fala de evangelização e de alegria. O
papa repete: todos devem evangelizar. Com este documento, que é
verdadeiramente histórico, a Igreja passa para uma etapa que, em inglês,
é chamada de evangelical, na qual não se foca na administração
dos fiéis que vão à missa, mas na capacidade de buscar e de converter
aqueles que não vão à igreja”, disse Introvigne em entrevista à ZENIT.
Entre os muitos aplausos recebidos no mundo, a exortação apostólica Evangelii Gaudium, do papa Francisco, recebeu também em 2013 o
"interesse e apreço" do Conselho Ecuménico das Igrejas (WCC, na sigla
em inglês), que a qualificou como "um documento desafiador e
estimulante".
Conforme relatado pela mesma Rádio Vaticano, o secretário geral do
WCC, o pastor norueguês Olav Fykse Tveit, declarou: "A exortação
apostólica é mais do que apenas um texto que transmite a mensagem do
sínodo sobre a evangelização. Ela aborda a necessidade de renovação da
Igreja em todos os níveis, do ponto de vista do chamado a ser uma igreja
em missão, usando um tom aberto e ao mesmo tempo desafiador e
estimulante".
Por outro lado, o Rabino David Rosen, director para assuntos inter-religiosos do Comitê Judaico Americano, declarou
também em 2013 a sua apreciação pelas partes dedicadas ao diálogo
inter-religioso, em particular nas relações com o judaísmo. "A ênfase
dada à importância dos valores do judaísmo para os cristãos - disse
Rosen - é particularmente importante para a evolução nas relações entre a
Igreja Católica e o povo judeu". De acordo com o rabino, que já se
encontrou quatro vezes com o papa Francisco, desde a sua eleição em Março, a referência à importância do diálogo inter-religioso para a
promoção da paz e para aprender a aceitar os outros e as diferenças, é
um "incentivo eficaz para um maior respeito e harmonia em nosso mundo".
Afirmar simplesmente que o papa Francisco não priorizou no seu
pontificado a questão doutrinária ou moral, e contrapô-lo, assim, ao
Papa Bento XVI é um erro grande. O mesmo cardeal Dom Raymundo Damasceno,
em entrevista a ZENIT,
dizia: “Quanto aos temas morais, o Papa Francisco tem dado uma
abordagem mais propositiva sem, contudo, mudar a doutrina da Igreja.”,
esclareceu o cardeal.
Num mundo marcado pelo relativismo, disse Dom Raymundo: “Devemos
lembrar das palavras de Cristo aos seus apóstolos: “quem vos escuta, a
mim escuta.” (Lc 10,16). Por isso, os fiéis devem receber com docilidade
os ensinamentos e as directrizes que o Papa e os Bispos lhes dão sob
diferentes formas”, afirmando que o católico não só pode, como deve
confiar no Papa Francisco.
Portanto, o Papa Francisco tem seguido fielmente a inspiração do
Espírito Santo para o seu pontificado. Escreveu um programa de
pontificado com a Evangelii Gaudium e o cumpriu brilhantemente,
demonstrando que essa exortação estava mais no seu coração do que em
suas letras ou escritos. Não se contrapôs a nenhum dos seus
predecessores, e mais ainda, reconquistou para Cristo muitos católicos
que estavam afastados da Igreja.
(10 de Setembro de 2014) © Innovative Media Inc.
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