Apresentado em Roma o livro que reúne os discursos que o Papa Emérito Bento XVI pronunciou nos Sínodos
Roma, 07 de Maio de 2014 (Zenit.org)
Foi apresentado em Roma, no dia 29 de Abril, no Instituto
Patrístico Augustinianum o livro escrito pelo arcebispo Nikola Eterović
com o título Joseph Ratzinger – Benedetto XVI e Il Sinodo dei Vescovi (Joseph Ratzinger – Bento XVI e o Sínodo dos Bispos), publicado pela Libreria Editrice Vaticana.
No livro monsenhor Eterović, já secretário geral do Sínodo dos
Bispos e o actual Núncio Apostólico na Alemanha, reuniu todos os
discursos sinodais de 1977 a 2012 pronunciados pelo cardeal Joseph
Ratzinger e depois aqueles do Papa Bento XVI, percorrendo umas 20
Assembleias Sinodais.
Na apresentação falaram, junto com o autor, o cardeal Camillo Ruini,
presidente da Comissão Científica da Fundação Vaticana Joseph Ratzinger -
Bento XVI, o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação
para a Doutrina da Fé e organizador da Opera omnia de Joseph Ratzinger, e
o historiador Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio,
que também moderou os trabalhos.
Em seu discurso, o Cardeal Ruini destacou as palavras do Papa Emérito
no Sínodo de 2012, dedicado à Nova Evangelização. Falando do Concílio
Vaticano II e da palavra "aggiornamento” (actualização) (lançado por João XXIII de forma quase programática e que retorna
constantemente nos trabalhos conciliares) Bento XVI explicou que a
intuição de João XXIII, resumida naquela palavra, foi e ainda é
"profundamente correta".
O cristianismo, de fato, não é "algo do passado” porque Jesus Cristo é
ontem, hoje e sempre (Heb 13, 8). O cristianismo é marcado pela
presença do Deus eterno, que entrou no tempo e está presente em cada
momento. Portanto, o cristianismo é sempre novo, é sempre jovem. E esta actualidade, este contínuo "aggiornamento" não significa uma ruptura com a tradição, mas manifesta a sua vitalidade contínua.
"Em outras palavras - disse Ruini - não significa reduzir a fé
reduzindo-a à moda dos tempos, mas, pelo contrário, requer levar o hoje
que estamos vivendo à medida do evento cristão para colocá-lo no hoje de
Deus, como fizeram os Padres do Concílio Vaticano II”.
"A partir deste discurso - disse o prelado - emerge claramente como
Joseph Ratzinger - Bento XVI não seja, para nada, um conservador no
sentido estrito do termo, mas seja, pelo contrário, de forma unitária e
profundamente evangélica, inovador porque conservador e conservador
porque inovador”.
No que diz respeito à colegialidade da qual tanto se tem discutido
até hoje, o cardeal Ruini disse: "Contra a tendência de falar muito e
viver um pouco, infelizmente muito comum hoje em dia, continuam a ser
decisivas as palavras de São Cipriano: ‘Não dizemos grandes coisas, mas
as vivemos’ (De bono patientiae, 3).
A Igreja, por sua natureza, "não é um conselho ou concílio
permanente, mas é uma comunhão e o conselho deve servir para a
comunhão”. Finalmente, parece “estritamente necessário", afirma
Ratzinger, que "a voz da Igreja universal, através do Sínodo, se levante
na unidade e na força da unidade sobre os grandes problemas do nosso
tempo".
Aproveitando o livro de monsenhor Eterović, o Cardeal Müller
esclareceu que “o ensinamento de Bento XVI é um valioso património para a
Igreja, que não pode ser arquivado com a conclusão do seu pontificado”.
"É – continuou ele – de uma riqueza de doutrina que, se de um lado já
é amplamente conhecido e estimado, por outro lado, ainda está à espera
de ser descoberto em sua plenitude e profundidade. Tal doutrina, de
fato, nasce de uma inteligência e de um coração que tendem a valorizar e
servir a vida da Igreja, guiados por um grande Amor pela Verdade”.
"A doutrina - concluiu o prefeito do Santo Ofício - em vez de se opor
à vida e à prática, tem exactamente o objectivo de preservar os conteúdos
e a identidade que a vida nos dá, para evitar que cada realidade
decisiva para o homem seja afogada no mar do indistinto e do provisório,
ou seja instrumentalizada pela mera utilidade ou interesses
partidários".
"A verdade - concluiu Muller - que, no fim, é Jesus Cristo (cf. Jo 14
, 6), tem um carácter vital que visa cativar a liberdade humana e
proporcionar-lhe caminhos seguros, para impedi-la de perder-se ou de
reduzir-se a ferramentas para estratégias que não estão de acordo com os
seus altos ideais".
(Editado por Antonio Gaspari / Tradução Thácio Siqueira)
(07 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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