Carta ao G20: Apelo para uma solução pacífica para a crise da Síria
Roma, 05 de Setembro de 2013
O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, desmentiu
nesta manhã a notícia de que o Santo Padre teria falado com o presidente
sírio, Bashar Al Assad, conforme publicado pelo jornal argentino Clarin
que simplesmente citou "fontes do Vaticano”, mas confirmou o envio de
uma carta ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, por ocasião da
reunião do G20 em São Petersburgo que começa hoje.
O Grupo dos 20 (G -20) é um fórum de 19 países mais a União Europeia,
existente desde 1999, e agrupa o G -7 (Canadá, Alemanha, Estados Unidos,
França, Itália, Japão e Reino Unido) mais a Rússia, G -8, e com a
entrada de onze países recém- industrializados compõem o G-20.
Sobre a Síria, o papa Francisco comentou que "o encontro dos chefes
de Estado e de Governo das vinte maiores economias [...] não tem a
segurança internacional como principal objectivo". No entanto, continua o
Santo Padre, não pode deixar de reflectir sobre a situação no Oriente
Médio e, particularmente, na Síria. "Infelizmente, dói ver que muitos
interesses têm prevalecido desde o início do conflito sírio, impedindo
uma solução que evite o massacre desnecessário que estamos presenciando".
Novamente Francisco renovou o seu apelo, desta vez aos líderes do G20,
para encontrar formas de ajudar a superar os diferentes contrastes e
abandonar toda a vã pretensão de uma solução militar. Bem como " um novo
compromisso para prosseguir com coragem e determinação, uma solução
pacífica através do diálogo e da negociação entre as partes
interessadas, com o apoio unânime da comunidade internacional. Além
disso, é um dever moral de todos os governos do mundo encorajar todas as
iniciativas para promover a assistência humanitária às pessoas que sofrem
por causa de conflito dentro e fora do país”.
Na carta o Santo Padre recorda que "o contexto actual, altamente
interdependente, requer ajuste financeiro mundial, com
regras próprias, justas e claras para conseguir um mundo mais
justo, que acabe com a fome, ofereça trabalho digno para todos,
habitação digna e cuidados médicos necessários”.
Ele também fez referência ao compromisso da presidência do G20deste
ano de "consolidação da reforma das organizações financeiras
internacionais e da chegada a um consenso
sobre padrões financeiros adaptados às circunstâncias actuais". Ele
acrescentou que a economia global pode realmente se desenvolver na medida
em que seja capaz de "consentir uma vida digna a todos os irmãos, desde os
mais idosos até às crianças ainda no ventre materno, não apenas aos
cidadãos dos membros do G20, mas para cada pessoa na Terra, mesmo aqueles
que estão em situações sociais difíceis ou em lugares mais perdidos”.
Neste ponto, fez referência aos conflitos armados, lembrando que
criam "divisões profundas e deixam feridas que necessitam muitos anos para
curar". Por isso, recordou o Santo Padre "os muitos conflitos armados que
ainda assolam o mundo nos mostra, a cada dia, uma dramática imagem da
miséria, da fome, da doença e da morte. De facto, sem paz não há qualquer
tipo de desenvolvimento económico. A violência não leva à paz nunca,
nem às condições necessárias para tal desenvolvimento”.
in
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