Pouco antes da sua morte o conhecido exorcista escreveu um livro-entrevista no qual exorta a não se entregar na batalha contra as potências das trevas
Roma, 04 de Setembro de 2013
O padre franciscano Matteo La Grua (1914-2012) foi um
renomado exorcista de fama internacional. A sua longa vida foi marcada
por muitas virtudes e carismas especiais, desde as capacidades
taumatúrgicas até o dom de expulsar demónios.
Os últimos 40 anos da sua vida, padre Matteo passou na direcção dos
grupos palermitanos da Renovação Carismática, onde existe a oração de
libertação.
Dele, padre Gabriele Amorth disse: "Nunca existiu exorcista mais poderoso".
Poucos meses antes de morrer, muito velho e doente, mas lucidíssimo,
padre La Grua confiou à jornalista Roberta Ruscica a tarefa de criar um
livro-entrevista com ele. Uma espécie de testamento espiritual,
fortemente desejado por ele, no qual o exorcista narra a sua actividade e
exorta sacerdotes e leigos a nunca desistirem da batalha contra o
maligno.
Daí resultou o livro Contra Satanás. A minha luta para vencer as potências das trevas (Piemme, 2012 - ainda não traduzido para o português, ndt). Sobre o conteúdo do livro-entrevista, ZENIT entrevistou Roberta Ruscica .
ZENIT: Padre Matteo La Grua faleceu quase com cem anos em Janeiro de 2012. Por qual motivo, sentindo que o fim se aproximava, ele
sentiu a necessidade de ser entrevistado não com um simples artigo, mas
com um livro de mais de 200 páginas?
Roberta Ruscica : Esta jornada começou na manhã em que bati na porta
da sua secretaria. Ou melhor, no laboratório dos milagres, porque são
inumeráveis as curas – não somente espirituais – que acontecem também
hoje. Naquele dia eu me apresentei como uma jornalista que queria vencer
mais um "desafio" porque o frei da Noce "expulsava" os repórteres
curiosos e chatos ... Para mim, primeiro abriu a porta do seu cenáculo,
depois aquela do seu coração. Padre Matteo não escolheu uma jornalista,
mas uma filha que se deixa guiar por aquela Porta Estreita, que foi o
seu ministério.
Os frades conventuais e muitos sacerdotes disseram que o
livro-entrevista publicado pela Piemme é o seu testamento. Ele me disse :
"Com noventa e sete anos percebi que o tempo do silêncio tinha acabado.
Só tenho um pouco de voz para falar da minha pobre vida de frade”.
Padre Matteo deixou um “instrumento” capaz de chegar ao coração daqueles
que sofrem no corpo e no espírito.
ZENIT: Fala-se muito de exorcismos e de exorcistas em chave espectacular e morbosa, esquecendo-se de que um exorcista é
principalmente um homem de Deus, com a função de restaurar a Sua Graça e
de desafiar o poder das trevas. Padre Matteo era esse tipo de homem?
Roberta Ruscica: Padre Matteo não queria aparecer como um exorcista
conhecido pelas suas libertações. Fugia diante dos reflectores da media
ou das reuniões sociais. Embora na porta do Convento aparecessem
personagens famosos do mundo do espectáculo, da mais alta nobreza
europeia ou juízes, homens das Forças armadas. Todos vinham em grande
segredo.
Como ele me explicou: "Primeiro acolhia o pobre. Depois o rico que ia
para pedir uma bênção, mas não queria a libertação. Muitos preferiam
permanecer ao serviço de Satanás”.
Sem dúvida o cenáculo da Noce, um dos bairros mais pobres de
Palermo, podia transformar-se em um lugar de grande peregrinação. Mas,
padre Matteo colocou sempre em primeiro lugar três pérolas preciosas:
pobreza, humildade e acolhida. Confiou-me um pedaço de papel, onde
estava escrito: “Sou um humilde servo de Deus ao serviço da Igreja”. Era
sempre severo com os seus colegas: “Se se esforçassem por fazer
verdadeiros exorcismos, seriam suficientes. Um exorcismo pode custar a
vida. Além de Deus, não existe outro.” A morbosidade e o espectáculo não
podem caminhar juntos com uma missão tão delicada. Padre Matteo
afirmava: “A libertação é um dom de Deus. Somente Deus pode libertar:
quando e como quiser. Se Satanás é potente, Deus é omnipotente. O Senhor
pode libertar também sem intervenção de intermediários humanos ".
in
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