Páginas

terça-feira, 12 de março de 2013

De nobre iraquiano e muçulmano a ser encarcerado, torturado e quase assassinado por querer ser cristão

De Muhamed Fadel-Ali a Joseph Fadelle

E tudo isso promovido pela sua família, em especial pelo seu pai, que se negava a que abraçar o cristianismo. Uma vida de película. Hoje vive exilado na França.

Actualizado 27 de Novembro de 2012

Juan Antonio Ruiz LC / ReL


São muitos os que crêem que se vivêssemos num país debaixo de um regime militar muçulmano e alguém quisesse converter-se ao cristianismo, bastaria procurar uma comunidade cristã nesse país e pronto. A realidade, sem dúvida, é muito diferente. A Sharia, lei islâmica que proíbe a apostasia e o proselitismo, cria uma espécie de paralisia na sociedade neste campo. Se não o crêem, perguntem-no a Joseph Fadelle, recém-convertido ao catolicismo.

Um futuro prometedor na realeza
Nascido numa nobre família chiita no Iraque, a Muhamed se podia considerar da realeza árabe. Era o filho favorito e o sucessor da dinastia; daí que o chamaram Muhamed. Tudo prometia um futuro próspero, mas algo mudou.

No Exército encontrou Cristo...
A sua passagem pelo exército iraquiano fê-lo repensar a sua fé. Aí conheceu um cristão que diferia muito do que lhe tinham ensinado sobre o cristianismo. Isto causou-lhe um profundo medo. Mas, graças ao estudo e ao seu desejo de seguir em frente, Fadelle apercebeu-se cada dia da verdade do cristianismo: começou a enamorar-se de Jesus Cristo… Algo tão radicalmente diferente ao que tinha experimentado no Islão.

Um matrimónio forçado
Mas os obstáculos não se fizeram esperar. O seu pai, segundo o costume muçulmano, obrigou-o a casar-se sem nem sequer perguntar-lhe e, pelo mesmo, sem ele poder expressar as suas dúvidas sobre o Islão. Durante os primeiros anos de matrimónio, Joseph continuou com a sua procura secreta de uma comunidade cristã que o acolhesse, o baptizasse ou, ao menos, lhe permitisse ir à missa.

A sua mulher denunciou-o... Mas baptizou-se
Estas buscas fizeram a sua mulher suspeitar e o acusou de estar vendo outra mulher. Perante isto, Fadelle arriscou contando-lhe a verdade… E ela pegou nos seus filhos e voltou para a sua mãe. Mas algo fez que ela guardasse a razão da sua separação em segredo. E, coisas de Deus, também sentiu um grande desejo de conhecer o cristianismo, o que a levou ao baptismo e a ser a “Maria” do seu “José”.

O seu pai mete-o na cadeia e manda torturá-lo
Desafortunadamente, a família de Joseph apercebeu-se da sua dupla vida. Devido a isso, o seu pai meteu-o na cadeia e mandou torturá-lo para que voltasse ao Islão. Esta medida fracassou e no final permitiram-lhe voltar para a sua casa, numa espécie de prisão domiciliária… De que Joseph conseguia escapar-se de vez em quando. Até que, por fim, os seus amigos cristãos o ajudaram a fugir para a Jordânia.

Perseguido na Jordânia
Mas tampouco aí teve paz. As autoridades do país tiveram conhecimento da sua situação e tentaram capturá-lo e expulsá-lo do país. Mas graças a Deus e à ajuda do que poderíamos denominar a catacumba católica, ele e a sua família fugiam uma e outra vez. Até que um dia o pai e os irmãos de Joseph o encontraram.

Disparam contra ele... E sobrevive
Furiosos, levaram-no para uma zona desértica. Argumentaram violentamente com ele, mas sem êxito. Ao ver o pouco resultado, decidiram matá-lo. Dispararam contra ele com uma pistola e o deram por morto… Mas, por uma espécie de milagre que nem ele mesmo explica, sobreviveu.

Baptizados secretamente
Perante tudo isto, Joseph decidiu fugir da Jordânia. Graças à ajuda de amigos católicos, puderam voar para França como refugiados. E, para sua satisfação, foram baptizados secretamente momentos antes da sua partida, o que significou para Fadelle o fim de mais de treze anos de caminho para receber este sacramento.

Em certo sentido, significou a ruptura definitiva com um estilo de vida luxuosa para ir para uma cultura francesa que conhecia pouco e numa situação de relativa pobreza.

Em 2010, Joseph decidiu contar a sua história. O seu livro O preço a pagar (Rialp), já traduzido em espanhol, oferece pensamentos profundos sobre o cristianismo num mundo islâmico e, por suposto, o seu próprio percurso.

Um caminho que ainda não terminou, pois as páginas terminam com o desejo e o pedido a Deus da graça de poder um dia perdoar a sua família no Iraque por tudo o que lhe fizeram. Algo que não é fácil, mas que, conhecendo a força e a fé de Joseph Fadelle, tenho a certeza que o conseguirá.


in

Sem comentários:

Enviar um comentário