quinta-feira, 29 de junho de 2017

Bar-Mitzvá

Por conta de investigações que fiz acerca de imigrantes europeus que deram com o costado no Brasil em meados do século XIX, travei contato com algumas histórias notáveis, obtidas aqui e ali em arquivos públicos e literatura específica. Aquela gente desafiava o Atlântico em embarcações a vela. Saídos de Hamburgo, da Antuérpia ou de outros portos menos conhecidos, enfrentavam condições terríveis, todos, pobres ou mais remediados. Apertados em camas estreitas, ou no convés, depois de alguns dias em alto mar passavam a tomar água da pior qualidade. Quando chegavam na linha do Equador, então, batiam na ante sala do inferno.

Naquela altura os ventos cessavam e a progressão tornava-se desesperadoramente lenta, debaixo de um sol ainda mais tórrido. Sob tal circunstância a divisão da embarcação em classes tornava-se risível, eis que literalmente estavam todos no mesmo barco. Tangidos pelas dificuldades na origem, que os empurrava em hordas para o Novo Mundo, muitos não resistiram e tiveram como sepultura as hostes de Netuno. Quanto sofrimento marítimo nos precede! A nós todos, brasileiros, exceção feita aos autóctones, cujo padecimento causado pelos invasores não foi, sabidamente, nem um pouco menor. Pelo contrário, foi genocida.

A saga de um patriarca judeu, com quarenta e poucos anos, viúvo, aqui chegado em 1858 com cinco filhos, o mais velho dos quais tinha quatorze anos, atraiu minha atenção. Quanta coragem. Ou quanta pressão os empurrou para os trópicos! Cinco filhos. O mais novo tinha oito anos. Todos chegaram no porto de Rio Grande, de onde rumaram para Porto Alegre pela Laguna dos Patos, num barco movido a vapor, para depois se instalarem no Vale do Caí. Não deixaram muitos registos. Pude, entretanto, reconstituir o que encontraram nesta região a partir do livro Uma colónia no Brasil, escrito por Marie Barbe Antoinette Rutgeerts Van Langendonck, uma poetisa belga que passou pelo Porto dos Guimarães, dormiu na Harmonia e seguiu para o empreendimento Nossa Senhora da Soledade, na actual São Vendelino. Corria o ano da graça de 1857, vivíamos sob o Império, e no ermo deste gigantesco país instalava-se uma gente que arrancara suas raízes em terras distantes, para aqui recomeçar. Gente de toda espécie, inclusive bandidos e mal encarados.

Conhecida como Madame Van Langendonck, esta belga descreveu de maneira admirável o que encontrou em nossa região. No armazém em que se hospedou no Porto dos Guimarães, hoje São Sebastião do Caí, havia escravos à venda. Veio de Porto Alegre a vau, conduzida por homens que pisavam no charque transportado. Estranha e fascinante figura, tinha quase sessenta anos quando veio nesta viagem de reconhecimento e aventura. Mais tarde voltaria para a Bélgica, onde publicou seu livro e viveu seus últimos dias.

Recomendo aos que se interessam por história, particularmente a dos imigrantes que recebemos no Rio Grande do Sul, o livro mencionado. Do tanto que li, das descrições da vida rústica e da poesia da nova vida, fiquei marcado pelo judeu - um pequenino Moisés em terras do Exílio,- e seus filhos. Pelo menos para a grande maioria das pessoas, um menino de 13 anos é, na melhor das hipóteses, um adolescente. Para o judaísmo, nesta idade o menino já deve ser suficientemente maduro para que seja responsabilizado pelo que faz. Ou deixa de fazer. Segundo o Talmud, um menino torna-se adulto com 13 anos e um dia, tenha ou não atingido a puberdade, e seu pai deixa então de ser responsável pelos seus atos. Uma cerimónia marca o ritual de passagem, com a leitura pelo menino de um trecho da Torá.

Esta tradição tem, certamente, a força que impulsiona o amadurecimento dos adolescentes judeus, aos quais fica definitivamente vedado o prolongamento da infância em corpo de adulto, como muito frequentemente vemos em nossas plagas. Parece que as mães em qualquer parte do mundo têm maior tendência para super-proteger os filhos. Velhos, carecas, barba branca, não deixam jamais de ser meninos para suas mães. Não houvesse partido de maneira prematura,  minha mãe não teria sido talvez muito diferente, mas meu pai sempre fez o contraponto.

Temos algumas coisas a aprender com os judeus, nossos irmãos mais velhos na Fé. Se as mães tendem a mostrar-se mais preocupadas, os pais devem estimular autonomia, ainda que também se preocupem. Por mais duro que pareça, precisamos empurrar os filhos para o mundo, como pássaros que expulsam filhotes do ninho para que voem. Ninguém voa no ninho. Há que voar, porque, como Ícaros, temos asas de cera. Que derretem sob o inclemente sol do tempo.

J. B. Teixeira






São Pedro e São Paulo e uma sardinha em dia de pescadores

O Papa Francisco vai presidir hoje à Eucaristia da Solenidade de São Pedro e São Paulo com a entregua do Pálio*, na Basílica Vaticana, a partir das 09h00 locais (menos uma hora em Lisboa). Depois tem lugar a oração do Ângelus, às 12h00, na Praça de São Pedro.
O pontífice argentino teve esta quarta-feira uma agenda preenchida: Recebeu os delegados da Confederação Italiana dos Sindicatos de Trabalhadores com críticas ao mercado e sugestões ao mundo do trabalho;  Já na audiência pública semanal afirmou que chamar “mártires” a bombistas suicidas “repugna aos cristãos”.
Da parte da tarde, Francisco presidiu ao quarto consistório do pontificado para a criação de cinco cardeais a quem desafiou a “olhar para a realidade” e servir quem mais precisa.

Por Portugal, de destacar ainda e mais uma vez que a generosidade nacional juntou mais de 1 milhão de euros para União das Misericórdias Portuguesas ajudar as vítimas dos incêndios na região centro do país. Várias instituições continuam a receber ofertas como a Fundação São João de Deus que agora se associou à Cáritas.
Noutro ambiente, a Confraria Rainha Santa Isabel, na Diocese de Coimbra, apresentou o programa das festas 2017 e a partir de amanhã já pode-se visitar uma exposição sobre retábulos devocionais.
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© 2017 EGEAC. Todos os direitos reservados

Ah, «uma sardinha em dia de pescadores» porque hoje os trabalhadores dos serviços centrais da Conferência Episcopal Portuguesa vão celebrar a solenidade de São Pedro e São Paulo ao redor da mesa com o menu que é próprio do mês dos santos populares.
Paz e bem e um excelente dia na nossa companhia, com a boa notícia que queremos que sejam todas no site da Agência ECCLESIA,
Saudações
Carlos Borges

*O Pálio - faixa de lã branca com seis cruzes pretas de seda - é uma insígnia litúrgica de “honra e jurisdição” que é abençoada pelos Papas na solenidade que recorda os dois pescadores de homens. Destina-se aos novos arcebispos metropolitas que preside a uma província eclesiástica, constituída por diversas dioceses. Em Portugal há três províncias eclesiásticas: Braga, Lisboa e Évora.

San Pedro y San Pablo – 29 de junio

«Columnas de la Iglesia. Heraldos de la Nueva Evangelización, el testimonio de estos dos grandes apóstoles continúa mostrando al mundo el poder de la gracia de Dios que nos transforma y convierte faro de luz para nuestros semejantes»

Imagen de san Pedro y de san Pablo en las respectivas basílicas pontificias de Roma
Imagen De San Pedro Y De San Pablo En Las Respectivas Basílicas Pontificias De Roma (Foto ZENIT Cc)
(ZENIT – Madrid).- No hay figuras más destacadas que estos apóstoles para ilustrar la fecha del día en un santoral. Los Santos Padres los han considerado dos columnas sobre las que descansa la Iglesia. Continúan interpelando al hombre de hoy, alumbrando a quien se propone unirse con la Santísima Trinidad.
Un océano de amor vería el Maestro en los ojos del humilde pescador de Betsaida para erigir sobre él la Iglesia. Tras la rudeza de sus manos y rostro curtidos en el mar apreciaría un tierno corazón refulgiendo en su mirada. Impetuoso, impulsivo, imprevisible e incluso contestatario cuando atendía a la escueta razón, y se le paralizaba el pulso al sospechar la pérdida de su Maestro por ignorar todavía el trasfondo mesiánico albergado en sus palabras, el apóstol era una piedra preciosa a la espera de ser tallada, un hombre de raza, pura pasión… Se ha tendido a subrayar la debilidad que Pedro mostró tras el prendimiento de Cristo, relegando a un segundo plano la globalidad de sus edificantes gestos que sostuvieron la Iglesia hasta derramar su sangre. Fue pronto en el seguimiento; se anticipó a la petición de lo que se considera legítimo, como es la familia. En ello se asemejaba al resto de los apóstoles, ciertamente, pero Cristo se fijó en él de forma especial. Al conocerle, le saludó por su nombre: «Tú eres Simón…» y le dio otro apelativo, el de Cefas. Todo un símbolo, una señal; le proporcionó nueva identidad y ésta incluía el cambio sustantivo para su vida. El llamamiento personal continúa teniendo este signo para nosotros; exige una transformación, como devela el evangelio que le sucedió a Pedro.
Él se aventuró a responder al Maestro en nombre de los apóstoles desde lo más hondo del corazón, de forma inspirada, rotunda. Había resonado en su interior la voz divina y lo reconoció como Mesías: una auténtica y explícita profesión de fe. Es obvio que no podemos confesar a Dios si no lo entrañamos. Por ese acto, Cristo lo denominó «bienaventurado», edificando sobre él su Iglesia al instante. Es verdad que vaciló y se dejó llevar por sus temores desoyendo la advertencia del Maestro, sin tomar conciencia de la fatalidad en la que incurriría; por eso no puso coto a tiempo a su flaqueza, sucumbió y lo negó. Pero de la radicalidad de su posterior respuesta, que vino envuelta en amargas lágrimas, se extraen incontables lecciones, teniendo como trasfondo la misericordia y el perdón divino. Toda debilidad, sea del orden que sea, es susceptible de modificación, porque contamos con la gracia para renacer día tras día.
Pedro protagonizó uno de los instantes más tiernos del evangelio, cuando Cristo le preguntó tres veces si le amaba. Con ese consuelo en su corazón aglutinó a los apóstoles, anunció la Palabra, sufrió cárcel, conmovió a las gentes sorprendidas de que un galileo hablase con tanta fuerza, afrontó las dificultades surgidas en las comunidades, hizo milagros…; en suma, amó hasta la saciedad. Estaba al frente de todos, junto a María, cuando recibieron el Espíritu Santo. Apresado durante la persecución de Nerón el año 64, a punto de ser ajusticiado en la cruz, sintiéndose indigno de morir como Cristo, pidió que le crucificaran boca abajo.
A su vez, Pablo, el más grande misionero que ha existido sobre la faz de la tierra, es un ejemplo vivo de lo que significa el compromiso personal en el seguimiento de Cristo testificando la Palabra con independencia del humano sentir, del «temor» y del «temblor» que se pueda experimentar. No fue miembro de la primera comunidad, pero su admirable impronta apostólica nada tiene que envidiar a la de los Doce. Judío, originario de Tarso, nació entre los años 5-10 d.C. Formado bajo la tutela del prestigioso Gamaliel en Jerusalén, al conocer la existencia de los seguidores de Cristo, considerados como una secta, se propuso luchar contra ella descargando toda su fuerza.
Si su trayectoria anterior a la conversión fue la de un celoso defensor del ideal en el que creía, ese que le indujo a actuar fieramente, después de haber quedado cegado por la luz del Altísimo camino de Damasco, no le faltaron arrestos para anunciar el evangelio; en su pecho albergaba un volcán de pasión. Este infatigable apóstol de los gentiles, precursor de la Nueva Evangelización, nos enseña a difundir la Palabra a los alejados de la fe y no solo a los creyentes; hacerlo a tiempo y a destiempo en los paraninfos universitarios o en los suburbios, en ámbitos donde mora la increencia y en los que ya anida la fe. Nos insta a enriquecer los nuevos areópagos que las presentes circunstancias ofrecen. Él hubiera aprovechado convenientemente los actuales mass media: prensa, radio, televisión, Internet, redes sociales… Estos recursos puestos al alcance de un apóstol de su talla habrían dado la vuelta al mundo impregnados del amor de Dios.
Dio testimonio de su arrebatadora entrega a Cristo sin ocultar cuántas penalidades atravesó por Él: cárceles, azotes, naufragios, peligros constantes, hambre, sed, frío, falta de abrigo y de descanso, agresiones a manos de salteadores, etc. A todo ello hemos de estar dispuestos si de verdad queremos seguir a Cristo. Pablo pudo ponerse como ejemplo, con tanta modestia y libertad en el amor, porque ya no vivía en sí mismo; era Cristo quien estaba en él, de quien provenía su fuerza y su gloria; Él le confortaba. Viajó incansablemente, venció la resistencia de ciudades dominadas por la idolatría y de los que quisieron doblegarle, superó reticencias de sus propios hermanos, y convirtió a indecibles con su vida, palabra, milagros y prodigios. Ansiaba tanto llegar a la meta, que luchaba para que después de haberla predicado, no fueran otros los que la conquistaran quedándose rezagado en el camino. Libró perfectamente su combate, corrió hasta el fin, firme en la fe. Todo lo consideró basura con tal de ganar a Cristo, gastándose y desgastándose por Él. Constituye un ejemplo incuestionable para nuestra vida. Coronó la suya entregándola bajo el golpe de espada que le asestaron en la Vía del Mar hacia el año 67.
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Papa na audiência: a esperança é a força dos mártires

Kamikaze não é mártir, nada lembra a atitude dos filhos de Deus. Nunca a violência. Para derrotar o mal, não se podem adotar os métodos do mal

Audiência, 21 Junho 2017

(ZENIT – Cidade do Vaticano, 28 Jun. 2017).- O papa Francisco dedicou a catequese da audiência geral de hoje ao tema da esperança como força dos mártires.

Os fiéis chegados do mundo todo, receberam o Papa na praça de São Pedro com entusiasmo, gritando com força o seu nome, agitando as mãos e levantando as bandeiras dos seus países. Antes de chegar à praça, o pontífice recebeu uma delegação do sindicato italiano CISL.
No resumo final da audiência em português o Santo Padre disse: “Quando lemos a vida dos mártires, de ontem e de hoje, ficamos maravilhados ao ver a fortaleza com que enfrentam as provações. Esta fortaleza é sinal da grande esperança que os animava: nada e ninguém poderia separá-los do amor de Deus que lhes foi dado em Cristo Jesus”.
“Nos tempos de tribulação, devemos crer que Jesus vai à nossa frente e não cessa de acompanhar os seus discípulos”, disse e precisou que “a perseguição não está em contradição com o Evangelho; antes pelo contrário, faz parte dele: se perseguiram o divino Mestre, como podemos esperar que nos seja poupada a luta?”
Assim, mesmo no meio do turbilhão, o cristão não deve perder a esperança, julgando-se abandonado. Jesus assegura-nos: ‘Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais!’. Como se dissesse: Nenhum dos sofrimentos do homem, nem mesmo os mais íntimos e ocultos, passam despercebidos ou são invisíveis aos olhos de Deus. Deus vê; e, seguramente, protege e resgata-nos do mal”.
“De facto, no nosso meio, há Alguém que é mais forte do que o mal; Alguém que sempre ouve a voz do sangue de Abel que clama da terra. Com esta certeza, os mártires não vivem para si, não combatem para afirmar as próprias ideias e aceitam morrer apenas por fidelidade ao Evangelho”.
“A única forma de vida do cristão é o Evangelho. O martírio não é sequer o ideal supremo da vida cristã, porque, como diz o apóstolo Paulo, acima dele está a caridade, o amor a Deus e ao próximo”.
“Repugna aos cristãos –precisou o Papa– a ideia de que, nos atentados suicidas, aqueles que os fazem se possam chamar ‘mártires’: naquele desfecho final, não há nada que lembre a atitude dos filhos de Deus.
“A lógica evangélica aceita, nos cristãos, a prudência e até a esperteza, mas nunca a violência. Para derrotar o mal, não se podem adotar os métodos do mal”.
O Papa Francisco concluiu: Amados peregrinos vindos do Brasil e doutros países lusófonos, a todos saúdo, agradecido pelo afeto e as orações com que diariamente sustentais o meu ministério de Sucessor de Pedro. À nossa Mãe comum, a Virgem Maria, confio as vossas vidas e famílias, para elas implorando a graça de crescerem na intimidade com o seu divino Filho, fonte da verdadeira vida”.
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Palavras do papa Francisco no consistório – 28 junho 2017

Olhar para a realidade, não vos deixando distrair por outros interesses. Chama-vos para servir como Ele e com Ele, para servir ao Pai e aos irmãos

(ZENIT – Cidade do Vaticano, 28 Jun. 2017).- As palavras do papa Francisco no consistorio na basílica de São Pedro, para a criação de cinco novos cardeais:
«Jesus seguia à frente deles». Esta é a imagem oferecida pelo Evangelho que escutamos (Mc 10, 32-45) e que serve de cenário também ao ato que estamos a realizar: um Consistório para a criação de alguns novos Cardeais. Jesus caminha, decididamente, para Jerusalém. Sabe bem o que lá O espera, tendo-o referido várias vezes aos seus discípulos. Mas, entre o coração de Jesus e os corações dos discípulos, há uma distância, que só o Espírito Santo poderá preencher.
E Jesus sabe-o; por isso é paciente com eles, conversa abertamente com eles e sobretudo precede-os, segue à frente deles. Ao longo do caminho, os próprios discípulos estão distraídos por interesses não condizentes com a «direção» de Jesus, com a sua vontade que se identifica com a vontade do Pai. Por exemplo, como escutamos, os dois irmãos, Tiago e João, pensam como seria bom sentar-se à direita e à esquerda do rei de Israel (cf. 10, 37). Não olham para a realidade!
Pensam que veem e não veem, que sabem e não sabem, que entendem melhor do que os outros e não entendem… A realidade, porém, é muito diferente! É a realidade que Jesus tem presente e que guia os seus passos. A realidade é a cruz, é o pecado do mundo que veio tomar sobre Si e extirpar da terra dos homens e das mulheres.
A realidade são os inocentes que sofrem e morrem por causa das guerras e do terrorismo; são as escravidões que não cessam de negar a dignidade, mesmo na era dos direitos humanos; a realidade é a dos campos de refugiados, que às vezes lembram mais um inferno do que um purgatório; a realidade é o descarte sistemático de tudo o que já não é útil, incluindo as pessoas. É isto que Jesus vê, enquanto caminha para Jerusalém.
Durante a sua vida pública, manifestou a ternura do Pai, curando todos os que eram oprimidos pelo maligno. Agora sabe que chegou o momento de Se empenhar a fundo, de arrancar a raiz do mal, e por isso segue resolutamente para a cruz. Também nós, irmãos e irmãs, caminhamos com Jesus por esta estrada. Falo particularmente para vós, amados novos Cardeais. Jesus «segue à frente de vós» e pede-vos que O sigais decididamente pelo seu caminho.
Chama-vos a olhar para a realidade, não vos deixando distrair por outros interesses, por outras perspetivas. Não vos chamou para vos tornardes «príncipes» na Igreja, para vos «sentardes à sua direita ou à sua esquerda». Chama-vos para servir como Ele e com Ele. Para servir ao Pai e aos irmãos. Chama-vos a enfrentar, com um procedimento igual ao d’Ele, o pecado do mundo e as suas consequências na humanidade atual.
Seguindo-O a Ele, também vós ides à frente do povo santo de Deus, mantendo o olhar fixo na Cruz e na Ressurreição do Senhor. Assim, por intercessão da Virgem Mãe, invoquemos com fé o Espírito Santo, para que preencha toda a distância entre os nossos corações e o coração de Cristo, e toda a nossa vida se torne serviço a Deus e aos irmãos.
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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Papa Francisco nomeia cinco novos cardeais e pede servir quem mais precisa

Pede olhar a realidade que são os inocentes que sofrem e morrem por causa das guerras e do terrorismo, as escravidões, os campos de refugiados

(ZENIT – Ciudad del Vaticano, 28 Jun. 2017).- O Papa Francisco presidiu nesta quarta-feira na Basílica Vaticana, um Consistório ordinário público para a criação de cinco novos cardeais.
Eles são: Dom Jean Zerbo, Arcebispo de Bamako (Mali); Dom Juan José Omella Omella, Arcebispo de Barcelona (Espanha); Dom Anders Arborelius, Bispo de Estoclomo (Suécia); Dom Louis-Marie Ling Mangkhanekhoun, Vigário Apostólico de Paksé (Laos); Dom Gregório Rosa Chávez, Bispo auxiliar de San Salvador (El Salvador).
Os novos cardeais vêm de Espanha, da Suécia, de El Salvador, do Mali e do Laos e todos têm menos de 80 anos, e poderão votar no caso de um conclave.
O cardeal espanhol se dirigiu ao Santo Padre em nome de todos e a seguir, foi a Liturgia da Palavra, a homilia do Papa, a Profissão de fé e o Juramento.
Na homilia o Papa indicou que Jesus “chama-vos a olhar para a realidade, não vos deixando distrair por outros interesses, por outras perspetivas. Não vos chamou para vos tornardes «príncipes» na Igreja, para vos «sentardes à sua direita ou à sua esquerda». Chama-vos para servir como Ele e com Ele. Para servir ao Pai e aos irmãos”.
E que “a realidade são os inocentes que sofrem e morrem por causa das guerras e do terrorismo; são as escravidões que não cessam de negar a dignidade, mesmo na era dos direitos humanos; a realidade é a dos campos de refugiados, que às vezes lembram mais um inferno do que um purgatório; a realidade é o descarte sistemático de tudo o que já não é útil, incluindo as pessoas. É isto que Jesus vê, enquanto caminha para Jerusalém”.
O rito de entrega do barrete e do anel decorreu na Basílica de São Pedro, na véspera da festa de São Pedro e São Paulo.
Cada novo cardeal se aproximou do Papa e se ajoelhou ante ele para receber o capelo cardinalício e a designação de um Título ou Diaconia.
Quando o Papa colocou o capelo sobre a cabeça do novo cardeal tem falado entre outras palavras: «[Isto é] vermelho como sinal da dignidade do ofício de cardeal, e significa que estás preparado para atuar com fortaleza até o ponto de derramar teu sangue pelo crescimento da fé cristã, pela paz e harmonia entre o povo de Deus, pela liberdade e a extensão da Santa Igreja Católica Romana».
Durante a colocação do anel o Santo Padre diz a cada um: Este anel é “sinal da nova dignidade, de solicitude pastoral e de união mais sólida com a Sé do Apóstolo São Pedro” e “Recebe o anel da mão de Pedro e sejas conhecedor de que com o amor do Príncipe dos Apóstolos se reforça seu amor para a Igreja.”
O fato de que o Papa designe a cada cardeal uma igreja de Roma ‘Título’ ou ‘Diaconia’ responde ao sinal de sua participação no cuidado pastoral do Papa pela cidade.
O Santo Padre também entregou a Bula de criação de cardeais, designou o Título ou Diaconia e trocou o beijo da paz com os novos membros do Colégio Cardinalício e os purpurados também entre eles.
O rito concluiu com a oração dos fiéis, a oração do Pai Nosso e a bênção final.
Assim como ocorreu nos demais consistórios, após a celebração, Bergoglio e os novos cardeais foram até a residência do papa emérito Bento XVI.
Depois, as visitas de cortesia aos novos Cardeais teve lugar o átrio da Sala Paulo VI e amanhã quinta-feira, festa de São Pedro e Paolo, o Santo Padre celebrará a missa na Basílica Vaticana, e abençoará os sagrados Pálios, destinados aos novos arcebispos metropolitanos.
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Sobre o Envelhecimento

Recordo a visita que há anos fiz a uma família composta por mãe e filha. A mãe acamada há vários anos. A filha, com muito amor e ternura, dedicava-se quase exclusivamente a cuidar da mãe. Ofereceram-me um chá, acompanhado por um bolo delicioso feito pela filha segundo as orientações da mãe. Na realidade, não me lembro se era bom, mas acima de tudo, quero dar ênfase que o convívio, a partilha, esses sim foram excelentes e perduram na minha memória. Por um lado a preocupação manifestada pela mãe, muito reconhecida pela enorme dedicação da filha, mas receosa pelo seu isolamento, pelo seu futuro quando já não estivesse entre nós. Por outro lado, a filha que não queria de todo ouvir falar em colocar a mãe num lar. Acreditava sinceramente que Deus a ajudaria um dia, se fosse caso disso, a encontrar um novo caminho. Muito sensibilizada com o que nos era dado partilhar, aconselhámos a filha a fazer um curso de formação para cuidadores informais. Conheceria outras pessoas, adquiriria novos conhecimentos que lhe seriam muito úteis nesse momento. Quem sabe, se um dia poderia vir a ajudar outras pessoas?

O tempo passou. A filha fez a formação sugerida. Estava muito feliz. Tinha aprendido imenso. Podia ajudar mais e melhor a mãe. Conhecera outras pessoas e havia no grupo muita solidariedade para com esta família. O isolamento estava quebrado, a comunidade agora envolvida participava igualmente ajudando a tornar menos solitária a vida de ambas.

O tempo passa. Atravessamos vários ciclos de vida. Este é o momento no que a mim se refere de usufruir da reforma, o que não implica que deixe de colaborar nas atividades que considero pertinentes, dando o meu pequeno contributo para, se possível, se alcançar a melhoria das condições de vida das pessoas. Neste caso concreto, das pessoas com uma idade mais avançada. E ainda há tanto a fazer nesta área face ao envelhecimento da população!

Sem querer perspetivar o futuro a este nível, sabendo que Portugal, por enquanto, está a envelhecer e a perder população, mais uma vez vejo com agrado, que o Grupo de Trabalho de Composição Aberta sobre o Envelhecimento (OEWGA), vai ter a sua 8ª Sessão, como vem sendo habitual, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, entre os dias 5 a 7 de Julho próximos.

Neste momento desejo apenas dar conhecimento dos temas específicos que irão ser debatidos, num programa ainda provisório. A) Igualdade e não-discriminação. B) Negligência, violência e abuso. Outros temas, serão ainda abordados: Medidas para melhorar os contributos das pessoas idosas no Desenvolvimento Social; Medidas para melhorar a proteção dos Direitos Humanos e a Dignidade das pessoas de idade avançada.

Segundo a HelpAge Internacional “as pessoas idosas devem tomar parte da discussão crescente sobre os direitos humanos. É a única forma de assegurar que a discussão e os seus resultados reflitam na realidade a sua experiência sobre os direitos humanos no processo de envelhecimento.

As pessoas idosas que vivem em diferentes contextos sociais e económicos transmitiram, num estudo feito recentemente, em que participaram 250 mulheres de 19 países que integram a campanha ADA - Adultos Idosos que Pedem Ação -, afirmaram que foram discriminadas em muitas áreas das suas vidas, incluindo o emprego, a assistência médica, serviços financeiros, programas de desenvolvimento e disposição da propriedade. Afirmaram, ainda, que estas atitudes são particularmente fortes entre mulheres viúvas ou solteiras, mulheres idosas em situação de incapacidade, mulheres do campo e imigrantes.

Afirmaram ainda a existência coletiva de um amplo tipo de violência, abuso e negligência, responsáveis em diversos cenários tanto privados - como o lar - como no público: tais como sistemas de transporte e acesso atempado a centros de saúde. Os estados e a sociedade devem garantir a igualdade perante a lei e na prática, e devem ter a obrigação de considerar o impacto de todas as suas decisões especialmente aquelas que têm como base a idade e os idosos.

Está, pois, aberto o mote para que exista uma discussão profícua, no sentido de ajudar a alcançar novas soluções para os problemas existentes a nível mundial especialmente no que se refere à mulher.

Na realidade cada mulher é protagonista da sua história, da sua intimidade, do seu mundo interior. Ela deverá decidir com quem quer compartilhá-lo. Tal como o homem é criada por amor e para amar. Fulton J. Sheen referiu: “O nível de qualquer civilização corresponde ao lugar que nela ocupa a mulher”. E S. João Paulo II referindo-se à mulher escreveu: “É preciso a intervenção ativa da mulher para promover uma nova cultura onde os conceitos de “amor”, “entrega” “serviço”, sejam compreendidos e vividos novamente”.

Maria Helena Paes






Existe algo mais belo…

Há bem poucos dias, assisti a uma missa comemorativa dos 30 anos da ordenação de um sacerdote. Na realidade, pela simplicidade com que decorreu a celebração, pelas palavras proferidas pelo sacerdote, pelo carinho manifestado pelos fiéis que participaram na cerimónia, fez com que superasse e esquecesse tudo o que o que tinha no pensamento. Existe algo mais belo do que o espírito de entrega, de amor pelos outros, de sacrifício, da oração, do que ser outro Cristo no meio dos homens?

Assim sendo, passo a referir, dentro dos meus parcos conhecimentos, mas de uma enorme admiração pelo ministério sacerdotal, algumas ideias que possam ilustrar em poucas palavras esta vocação que se reveste de uma dignidade e de uma grandeza que nada na terra a supera.

O sacerdócio, segundo os ensinamentos de São Josemaria, leva a servir a Deus num estado que, em si mesmo, não é melhor nem pior do que os outros. É diferente. Consiste em dedicar todas as horas do dia, que sempre serão poucas, porque é preciso estudar constantemente a ciência de Deus, orientar espiritualmente tantas almas, ouvir muitas confissões, pregar incansavelmente e rezar muito, muito com o coração posto no Sacrário, onde está realmente presente Aquele que os escolheu, para serem seus, numa maravilhosa entrega cheia de alegria, inclusivamente no meio de contrariedades, que a nenhuma criatura faltam… O que há de melhor no ministério sacerdotal é procurar que todos os crentes se aproximem mais de Jesus, cada vez com mais pureza, humildade e veneração. “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás”.

É de justiça que os sacerdotes se vejam, já aqui na terra, rodeados pela amizade, pela ajuda e o carinho de muitos cristãos. E, quando chegar o momento de se apresentarem diante de Deus, Jesus irá ao seu encontro para glorificar eternamente aqueles que, no tempo, atuaram em seu nome e na sua Pessoa, derramando com generosidade as graças de que eram administradores.

Foi com muita emoção que acompanhei a celebração da Santa Missa. Pela minha mente passaram imagens de muitos sacerdotes que, pelo mundo inteiro, constituem uma luz para os fiéis e não só, são o sal da terra, ajudam a ultrapassar as dificuldades e os maus momentos vivenciados, ajudando-nos a seguir em frente.

Torna-se necessário superar as dificuldades, olhando a vida com visão de futuro, dado que as dificuldades não nos podem condicionar; temos de possuir confiança em nós, gerir as emoções enfrentando-as de forma a afogar o mal em abundância de bem, fazendo render os nossos talentos. Deus tem um projeto para cada um de nós pelo que importa colocar entusiasmo e confiança em Deus, para realizarmos as nossas tarefas. Ao darmo-nos aos outros, estamos a realizar-nos enquanto pessoas, contando com a ajuda de Deus e tendo em conta a Sua vontade.

O ponto n.1 do livro Caminho, de S. Josemaria, refere: “Que a tua vida não seja estéril. Sê útil. Deixa rasto. Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor. (…) E incendeia todos os caminhos da Terra com o fogo de Cristo que levas no coração”.

Foi na realidade muito bonito observar o ambiente de respeito, de admiração, mas também de amizade e de afeto, demonstrado em particular pelos seus pais, que emocionados e ‘orgulhosos’, tinham sabido acolher a enorme bênção que lhes fora concedida. Ter um filho padre. Durante a cerimónia o celebrante referiu que em momento algum se tinha arrependido de ser sacerdote, e que o exercício do seu ministério tinha-lhe permitido conhecer muitas pessoas boas.

Concluo referindo que a santidade é a plenitude da caridade e que todos a ela estamos chamados. Todos os cristãos podem e devem ser, não já, alter Christus mas ipse Christus.

Maria Helena Paes






Acredita em Deus?


Esta pergunta simples e inofensiva é feita com muita frequência, mas ao contrário do que se possa pensar, a resposta é sempre muito vaga e complexa, porque na verdade não sabemos qual a ideia que cada pessoa tem na sua mente do que julga ser Deus e no qual acredita ou não.

Podemos comparar esta questão com uma outra: Se perguntarmos se consideram boa a Democracia é provável que a maioria nos responda que sim. Porém, o conceito de Democracia não é o mesmo para um chinês, um alemão ou um americano. Aliás, este foi um grande erro cometido em alguns acordos políticos: juravam com as mesmas palavras, aprovavam os mesmos termos, mas eles tinham outro significado, entre as grandes potências de continentes diferentes.

Voltando a Deus, ao Deus dos católicos, parece razoavelmente claro considerar que Ele é o Princípio de todas as coisas, a Causa Primeira de tudo o que existe e é em Si mesmo Incausado, isto é, não depende de nada nem de ninguém para existir.

Deus existe por Si mesmo, tem a plenitude do Ser, tudo o que existe d´Ele deriva e não pode existir fora d´Ele. Deus não tem sabedoria, é a própria Sabedoria; não tem poder, é o Poder-Supremo; Deus não tem misericórdia, é a Misericórdia. Mas também é Infinito, todos os momentos do tempo - passado, presente e futuro – estão a igual distância d´Ele, num único e infinito instante a que chamamos eternidade, porque Deus é Eterno.

Antes de Deus criar o Universo material, não existia o tempo, este é simplesmente uma forma de medir as mutações da matéria. A eternidade é um perpétuo agora. 

Todos os conceitos e juízos que temos na nossa mente e todas as palavras do nosso vocabulário foram criadas para lidar com as coisas deste mundo. Quando recorremos a elas para compreender Deus e a natureza divina torna-se muito difícil explicarmo-nos e fazermo-nos compreender, pois todas as ideias e expressões se apresentam incapazes de abranger tamanha dimensão.

Tudo isto apenas para recordar, que para além dos inúmeros esforços para aceitarmos a existência de Deus ou para anegar, ficaremos sempre aquém da magnitude da Sua essência e só saberemos a Verdade quando o virmos, face a face, tal como Ele é.

Se o nosso intelecto fosse capaz de compreender e conter toda a realidade divina, Deus não poderia ser Infinito. A nossa mente é tão incapaz de abarcar tamanha grandeza na sua plenitude como uma garrafa de Coca – Cola de conter um Oceano.

Não pode ser com leveza que se aborda esta questão tão abrangente e importante, antes há que recorrer a quem de direito possui conhecimentos, referências e está habilitado a ensinar sobre tão elevado conteúdo e depois abrir também a mente à Fé, irmã gémea da Razão e, com cuidado deixar o Espirito Santo actuar em nós.

A nossa Fé é sempre um acto de abertura à riqueza e à compreensão dos mistérios divinos. Pode ser simples, pura e esclarecida, mas ao mesmo tempo ser débil, fraca, vaga e efémera. Acreditar não é um assentimento qualquer a referências, valores, preconceitos ou a algo vago e disperso, mas é sempre o resultado de uma adesão pessoal ao Deus vivo e disponibilizar-se para partir em demanda da nossa origem e do nosso fim; é fugir do absurdo e do sem-sentido em que a humanidade mergulha quando não tem no horizonte a grandeza divina. 

Num mundo onde a precaridade da vida é uma constante inegável e palpável, vale a pena dedicar algum tempo da vida, muito ou pouco, não importa, mas o necessário, a procurar e a ir ao encontro destas verdades de Fé que são um tesouro para a nossa salvação eterna.

Não obstante para muitos pensadores, políticos e cidadãos descrentes, Deus ser um tema ausente, marginal, ou mesmo um inimigo a eliminar, uma realidade marcante e constatável é que a religiosidade, a Fé e sua consequente prática emerge em todos os lugares e ocasiões, mais ou menos remotos do nosso país, e em todo o mundo. 

A Fé dos Homens impõe-se tão espontaneamente fervorosa que não deixa espaço para qualquer dúvida na Sua existência. Porém temos sempre a possibilidade de exercer a nossa liberdade de opção, crer ou não querer crer é um direito que nos assiste, o qual num estado democrático e laico é uma garantia de respeito por todos, do qual não podemos nem devemos abdicar.

Maria Susana Mexia






Iba a morir sin nada que llevar a Dios, se curó milagrosamente, y ahora ayuda a ancianos abandonados

El Hogar de la Divina Providencia ayuda a los ancianos colombianos de Neiva

Actualmente la casa acoge a 24 ancianos
28 junio 2017


Alicia Hernández ha realizado una labor impresionante a lo largo de los últimos 22 años en compañía de sus hijos y su fe. Sin casa ni ingresos, ha conseguido ayudar a más de 100 ancianos abandonados por sus familias en la ciudad colombiana de Neiva, a 300 kilómetros de Bogotá. 

Alicia comenzó su entrega a los demás después de ser curada milagrosamente de un cáncer terminal de matriz.

“Llegué a la Renovación Carismática precisamente por la enfermedad, porque cuando ya no había esperanzas, descubrí que cuando el hombre dice ya no hay nada que hacer Dios extiende su mano y hace lo que tiene que hacer", declaró al Diario del Huila

Casi muere sin nada para Dios

"Cuando me invitaron al grupo [de oración al estilo carismático] pensé: si me tengo que morir de cáncer me muero, porque de algo me tengo que morir, Dios sabrá. Pero resulta que experimenté algo muy grande y hermoso, me vi muriéndome, vi que mi vida se iba, que me estaba muriendo, pero me veía con las manos totalmente vacías, no tenía nada que llevar a la eternidad”

Se curó de manera sorprendente, probablemente como un milagro de Dios. Y tras esta revelación, Alicia se puso manos a la obra y comenzó su obra con ayuda de sus hijos. Sin contar con nada más que la generosidad de los vecinos, abrió el Hogar de la Divina Providencia, para ancianos, en el barrio de los Guaduales.

La casa es un lugar sencillo, casi una chabola, que cumple las necesidades más básicas de los ancianos. "Algunos de ellos llegan en muy mal estado", dice  Edward Fabián Quintero, trabajador del centro. 


Alicia recuerda el caso de un anciano recogido por unos estudiantes en medio de un parque, que llegó al centro con tuberculosis. "Cuando la gente se enteró de que era una enfermedad muy contagiosa, nadie quiso tratarlo. Mi hija, que había comenzado la carrera de enfermería hace poco, se volcó con él y le administró las inyecciones".>

El pobre es aquel que lo da todo
La pobreza se cura con pobreza. Los ancianos son felices con lo poco que reciben de este lugar, ya que al menos reciben algo. Muchos son abandonados por sus familias; ya sea por problemas económicos, o simplemente por "ser un estorbo".

La ducha es una simple manguera, el baño son varios orinales, el trabajo es duro, pero los asistentes realizan su labor con amor y calma. "Cada vez  que recibimos una donación, comida, ropa o cualquier cosa por medio de la Providencia, veo la mano de Dios en este proyecto", asegura Alicia.

Los ancianos no siempre parecen corresponder al amor que se les brinda. “Nosotros hemos visto que ellos son agradecidos sólo en el momento que entran en enfermedad de cama y comienzan a agonizar", dice Alicia. "Es como si tomaran conciencia de lo que se ha hecho por ellos, ese es el momento en que son agradecidos y es cuando recibimos la bendición de muchos”.

Actualmente, algunos estudiantes de enfermería y geriatría realizan aquí sus prácticas

El Hogar de la Divina Providencia espera actualmente abrir un nuevo centro en la localidad gracias a la generosa donación de unos terrenos en 2008. Lo que comenzó en una casa-chabola se convertirá en un centro especializado en el cuidado de los ancianos.

"Sin Dios", dice Alicia, "sería imposible llevar a cabo este proyecto. Él nos ha dado la fuerza. Él nos guía".

Para más información sobre la fundación pinche aquí


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Sin orgullo LGTB: 10 mujeres que dejaron la vida lesbiana y encontraron más paz y equilibrio

Algunas son madres y esposas, otras viven sin relaciones sexuales

Todos desean amar y ser amados y lograr una vida plena, pero heridas sexualizadas pueden estropear esa felicidad
28 junio 2017


El mundo lésbico, según numerosas estadísticas, alberga algunas diferencias con el de los homosexuales. Hay estudios que sugieren que en las parejas de lesbianas hay más violencia interna, tanto física como piscológica. También es bien sabido que es frecuente entre las adolescentes albergar sentimientos románticos hacia otras chicas que desaparecen al crecer, algo más infrecuente entre los hombres. Y las estadísticas dejan bien establecido que en casi todos los países hay 3 homosexuales por cada lesbiana. 

Pero las mujeres que desarrollan atracción por el mismo sexo, como los hombres, pueden vivir que esta atracción no les hace felices, y que la vida en los ambientes LGTB no les deja madurar en la felicidad y serenidad que desean.

Recopilamos a continuación 10 testimonios de mujeres que dejaron el estilo y las prácticas lésbicas y encontraron equilibrio y paz en la castidad o bien en el matrimonio con hombres buenos. 

1. Mary Garman, amante de la escritora Vita Sackville-West... pero luego casta y devota
Mary Garman, una de las hermanas Garman famosas en la literatura diletante inglesa de los años 30, no era un ejemplo de equilibrio en su juventud. Ella había tenido experiencias lésbicas antes de casarse con el poeta, bastante alocado, Roy Campbell. 

Es indudable que ella amaba apasionadamente a Roy: escandalizaban a los campesinos de la costa de Gales con su actividad sexual en playas y campos. Aún así, después de casados ella tuvo una intensa relación lésbica con la escritora Vita Sackville-West, que la usaba para dar celos a su amante, la también famosa escritora lesbiana Virginia Woolf. Incluso dos años después, viviendo en Provenza con Roy y sus hijas, ella se acostó con su cuñada mientras él lo hacía con otra mujer. 

Mary Garman y Roy Campbell ya siendo católicos conversos y convencidos en Toledo, en 1935 o 1936

A Mary le gustaban las mujeres... pero le gustaba más Roy. Cuando se bautizaron como católicos dos años después en Altea, Alicante, en 1935, y se re-casaron por la Iglesia, aceptaron la exclusividad de su lazo y ya siempre se mantuvieron fieles a la relación matrimonial y enamorados. Roy fue un católico entusiasta y comprometido y Mary fue de misa y rosario diarios, primero en España, después de vuelta en Inglaterra. "Quien mucho ha pecado necesita mucha oración", decía a sus hijas. El matrimonio fue feliz y fiel hasta su muerte.

Puede saberse más de Roy Campbell, su fe y su familia en "España salvó mi alma", de Josep Pearce (LibrosLibres, puede pedirse en OcioHispano.com).



2. Robin Beck: lesbiana 35 años, 12 parejas, «imposible tener una relación gay sana», dice
Robin Beck buscó el amor de mujer en mujer durante 35 años y tuvo 12 parejas. Contó su testimonio en su libro de 2012 "I just came for ashes" (Vine sólo para las cenizas). Su padre y su madre eran alcohólicos. Él agredía a su madre, la pegaba y le hacía "cosas degradantes". La pequeña Robin estaba aterrorizada ante su padre. Su madre solo fue tierna con ella una vez, cuando tenía sólo 3 años, que inesperadamente, la cogió en brazos para acunarla. Fue la única ocasión en toda su infancia en que Robin se sintió "segura y feliz". Toda su vida temió a los hombres y anheló abrazos amorosos de madre como aquel. 

Durante años acudía a iglesias protestantes liberales, que veían bien que tuviese relaciones lesbianas. En cada relación, “las cosas siempre empezaban genial y yo estaba segura de que esa vez había encontrado finalmente a la pareja perfecta. Pero en menos de un año acababa sintiéndome fatal, preguntándome qué diablos estaba haciendo y me iba”, escribe en su libro. Robin le contó a LifeSiteNews que ahora ella cree que la “mayoría de las lesbianas que tienen relaciones adictivas con otras mujeres han tenido una falta de relación con la madre”.


Un Miércoles de Ceniza acudió a una iglesia católica para recibir las cenizas (incluso los no bautizados y los muy pecadores pueden acudir a este hermoso ritual). Sintió que Dios conmovía su corazón, empezó a ir a misa. En 2010 se hizo católica. A los 54 años decidió entregar su sexualidad a Dios y vivir en castidad. "Abandoné la vida gay y ni siquiera por un segundo he pensado en volver a ella", escribe. 

ReL da más detalles aquí y ella tiene una web: RobinTeresa.com

3. Charlene Cothran: de dirigir una revista lésbica a pastora pro-familia
Sucedió en un día del Orgullo Gay, en una mesa redonda de editores de revistas y publicaciones homosexuales. Allí estaba Charlene Cothran, militante lesbiana, fundadora de la revista "Venus" dirigida a homosexuales negros y a lesbianas. 

Ella los asombró a todos cuando dijo: "La dirección de la revista Venus va a cambiar 180 grados. Tenemos otra misión. Hasta ahora les hemos dicho que lo tomen con valentía y que se sientan orgullosos de ser gays, que salgan del armario, que se lo digan a sus padres… Pero ahora vamos a tomar otra dirección. Vamos a informar a la comunidad gay que no es esto lo que Dios quiere de ellos”. Se hizo un silencio total en el auditorio. Se podía escuchar la caída de un alfiler: “Traté de no mirar a mis amigos y continué: ‘Esto no es lo que Dios quiere, y la revista Venus va a informar a la gente sobre cómo pueden salir de su homosexualidad. Pero como no podemos salir solos, es necesario que nos sometamos a una relación con Dios, y esto es lo que Él ha hecho conmigo”.


Charlene había sido activista lesbiana militante muchos años, pero en cierto momento, con la enfermedad de su madre, se puso a pensar en la muerte y en una idea: ¿era posible mirar a una mujer sin sexualizarla, sin desearla? Ver más allá, ver la persona... 

"Tú crees que Dios no te puede aceptar porque has tenido una vida pública de lesbiana. Sin embargo, con todo, has de saber que Dios te acepta”, le había dicho una pastora evangélica. Y sintió que Dios le decía: “Tienes que elegir hoy a quien vas a servir. Si me escoges, te haré muy feliz. Voy a emplear todos tus dones para mi gloria. Pero si me dices que ‘no’, voy a permitirte que hagas lo que quieras, pero será un camino de condenación”. 

Por supuesto, toda su vida cambió y la revista Venus se quedó sin publicidad gay y se hundió. Pero Charlene es hoy una cristiana feliz y pastora ayudante en una iglesia evangélica afroamericana y trabaja especialmente con familias, animándolas a superar sus dificultades. Se le puede contactar por Facebook.

Su historia detallada está aquí en ReL.

4. "Anna", lesbiana y agresiva... hasta que encontró un hombre bueno
Anna (no da su nombre real) es una italiana que ha contado su testimonio en la revista Tempi.it y durante unos años mantuvo la web de testimonios "Exhomo Vox" (aquí su canal de YouTube con testimonios

Antes de octubre de 2013 Anna, de 25 años, era feminista, anti-clerical y lesbiana.Llevaba 6 años comprometida en una relación sexual con otra mujer. Entonces conoció un chico, Marco, que le invitó a un café y todo cambió. 

El padre de Anna dejó el hogar cuando ella era niña. "Yo no perdonaba a mi padre.Odiaba a los hombres y no podía confiar en ellos". Por esto Anna, dice, buscó cobijo y afecto en las mujeres "de las que me sentía atraída". Por otra parte, puesto que su padre se había ido, dañando a su madre, ella intentó ser "el hombre" de la casa. "Yo quería juguetes, ropa, cortes de pelo masculinos. Jugaba al fútbol, pasaba todo el tiempo con niños y crecí con abandono y extravío”. "Yo era agresiva, llena de resentimiento; prefiero no describir todo lo que hice en el pasado y la violencia que contenía". Se enfrascó en relaciones lésbicas.


Pero cuando conoció a Marco conoció un hombre bueno, en el que se podía confiar. Más aún: “ya no podía ver en mi novia lo que siempre había buscado". Aquel café lo cambió todo. Marco y Anna se besaron. "Fue la primera vez que podía confiar en un hombre. No más miedos y celos”. 

Anna, con Marco, creció en la fe católica y aprendió a perdonar. Perdonar a su padre la transformó. "Prefiero decir la verdad, que en un principio duele pero después libera”, asegura.


5. Lisa Moeller: despertó en un Orgullo Gay... y las mujeres ya no le atraían
Cuando tenía 10 años, un vecino abusó sexualmente varias veces de Lisa Moeller. Traumatizada, entendió que ser niña era peligroso. Se cortó el pelo, se puso ropa masculinizante y en la adolescencia intentó ser fuerte, líder, bebía mucho alcohol, tomó drogas, cayó en el sexo sin freno. En su vida gay tuvo 8 parejas y se consideraba lesbiana militante. "Todas mis novias tenían que ser increíblemente femeninas en su ropa, sus gestos y su identidad. Por eso nunca me cité con lesbianas, sino con mujeres bisexuales o curiosas, que se sentían más cómodas con mi imagen masculinizante". Ella las controlaba, les impedía conocer hombres, etc...

Pero pasaban los años, se sentía sola y no veía amor verdadero. Intentó suicidarse con un bote de pastillas pero la llevaron a un hospital. Deprimida, lloraba cada noche. En otoño de 2009 empezó a rezar a Dios pidiéndole ayuda... pero no que cambiase sus hábitos ni apetencias.  

En verano de 2010, acudió a una ciudad para una marcha del Orgullo Gay y recogía firmas para el lobby gay. "Fue de noche, en mi hotel", recuerda: "Me acosté siendo completamente homosexual. Mis gestos, mis vestidos, mi lenguaje corporal, etc. eran todos muy masculinos. Odiaba a los hombres, asqueada con todos por los abusos que había sufrido de aquel vecino siendo niña. Cuando me desperté, había una presencia en la habitación que no puedo describir con palabras. Era una paz que no había experimentado nunca antes".
Lisa Moeller
Y en ese momento sus sentimientos homosexuales desaparecieron y las mujeres dejaron de atraerle. Un día se sorprendió a sí misma mirando con interés a un hombre que estaba corriendo por el parque. Ella dice que fue Dios quien la transformó tan radicalmente. 

Contó su testimonio en LifeSiteNews y en su cuenta de Facebook 

Puede leerse en español con más detalle aquí en ReL

6. Doreena Paz: comprendió que los niños necesitan un papá y una mamá
Se llama Doreena Paz y contó su testimonio a ReligionEnLibertad en 2012, cuando tenía 34 años.

"Al llegar a los 11 años descubrí que me gustaban las mujeres. El psicólogo, siguiendo la línea de todos los métodos psicológicos actuales, me dijo que lo que yo tenía era una variedad sexual", recuerda. Con 15 años la dejaban ir a "antros gays-lésbicos", donde nadie le preguntaba su edad. Allí una mujer de 30 años, es decir, el doble, la introdujo en la plena vida sexual lésbica, tomándola como su pareja. Era alcohólica y celosísima, dañina, la golpeaba a veces pero Doreena pensó que eso era lo normal.

Dos años después, herida, la dejó. "Me prometí ser cínica con las mujeres y que mi vida sería sólo sexo. Muy pronto me descarrilé en gran desenfreno, saltando de mujer en mujer. Entre el alcohol y las drogas. Además me gustaba el ambiente gay-lésbico”. De esos ambientes dice: "te llenaban el corazón de una revolución con los colores del arcoiris; música electrónica y festivales rave".

A 20 se "casó" con una mujer de 30 que aportaba una niña pequeña de su vida anterior. Doreena en esta relación se sentía como una criada. Y reflexionaba sobre la niña, la maternidad... la niña, dice, echaba de menos a su papá, al que no conocía. "Su cuerpito se convulsionaba de pena, sollozaba como para partir mil corazones, llamando a su padre. Y se durmió así en mis brazos. Entonces, una frase se apoderó de mi cabeza, como si un elefante enorme entrara a una habitación, aplastándome contra las paredes: esto está mal. Los niños necesitan un papá y una mamá. Y esto es así, le guste a quien le guste. La homosexualidad está mal".

Cuando dejó esta familia y volvió a los ámbitos homosexuales ya no le satisfacían de ninguna manera. Y empezó a conocer más a Dios, la Biblia y los sacramentos. Sufrió más heridas y daños, pero en cierto momento ya cortó todo contacto con el mundo gay y empezó una terapia para sanar sus heridas interiores.

"Estoy mucho más calmada y sosegada. Ya no me siento vacía. Me siento en paz con Dios. Estoy de novia con alguien que me quiere mucho y, si Dios quiere, pensamos casarnos. Sé que perdí muchos años de mi vida, pero aún no es tarde…" 

Una entrevista en la que Doreena da más datos aquí en ReL.

7. Rosaria Champagne, académica feminista y lesbiana... y Jesucristo
Rosaria Champagne Butterfield era lesbiana militante, profesora feminista de “Estudios de las Mujeres” en la universidad de Syracusa (EEUU) y en 1997 acababa de publicar su libro “The Politics of Survivorship”, sobre “el incesto en el contexto de las teorías feminista y queer y el psicoanálisis”. Se declaraba seguidora de Freud, Hegel, Marx y Darwin. A los 36 años Rosaria se encontraba bien y con compañera estable. Acudían a las marchas del Orgullo Gay.

Conoció a un pastor cristiano y a su esposa. Abrieron su casa, y se hicieron sus amigos. “Ellos entraron en mi mundo, conocieron a mis amigos, intercambiamos libros. Hablamos abiertamente sobre política y sexualidad. No actuaban como si esas conversaciones les contaminasen”.

Rosaria decidió conocer la Biblia, pensando en su investigación académica. Y como era una mujer de letras la leyó y la releyó, “como un glotón que devora. La leí muchas veces ese mismo año en múltiples traducciones”. Podía estar 5 horas al día leyéndola. Un día le dijo a un amigo transgénero: ‘J, ¿y si es verdad? ¿Y si Jesús es un Señor real y resucitado? ¿Y si todos estamos en un lío?". 


Rezó en una iglesia y sintió la presencia de Dios. "¿Yo quería de verdad entender la homosexualidad desde el punto de vista de Dios o sólo quería discutir con él? Pedí a Dios esa noche la voluntad de obedecerle antes de entenderle. Y recé el resto del día”. Y se preguntó cuál era su verdadera identidad. ¿Ser lesbiana? “¿Quién hará Dios que sea yo?”

Poco a poco su mundo se reordenó completamente. Conoció un hombre cristiano y se casaron: hoy vive con él, pastor presbiteriano, en Carolina del Norte. Ella tenía 39 años al casarse y ya no podía tener hijos. Adoptaron unos niños y hoy ostenta con alegría los títulos de esposa y madre. Escribió su testimonio en el libro "The secret thoughts of an unlikely convert". 

Esta historia, con más detalles, aquí en ReL.


8. Emma y su cuaderno de terapia: "sé que he cambiado"

"Esta es mi historia, sin maquillaje ni mentiras, sin falsedades… es mi vida. Mi nombre es Emma, tengo 27 años, soy española y estaba muy cansada de sentirme atraída por mujeres, de luchar contra lo que no soy. Nunca me he sentido muy cómoda con la palabra lesbiana y conozco de sobra las posibilidades del “mundo gay”. Las respeto pero no las quiero para mí. La opción de cambiar no tiene nada que ver con la homofobia", escribe Emma en su "Cuaderno de terapia" que difunde su coach, Elena Lorenzo Rego, en su blog.

"Sólo yo podía convencerme de dejar la atracción hacia el mismo sexo (AMS). Busqué respuestas, y las obtuve", añade. "Creo que la AMS era una excusa mental que yo tenía para ciertos tipos de pensamientos autodestructivos o ciertos comportamientos. Es como si te acostumbrases a vivir con algo que no necesitas, por ejemplo, es como si fuese de noche y llevases gafas de sol. No las necesitas, no te hacen bien, pero te has acostumbrado a ellas. Pues lo mismo me pasaba cuando me di cuenta de que ya no era lesbiana. No fue de repente, en todo el proceso lo he ido descubriendo. Muchas veces conozco a chicas con las que hay mucha química entre nosotras a nivel de amistad, pero no hay pensamientos del tipo: “debería acostarme con esta chica”, entonces me doy cuenta de que he cambiado y sonrío".

"Si he solucionado el tema de la AMS ha sido para sentirme completa, y no emocionalmente dependiente de nadie más. Claro que me atraen los hombres y poco a poco me voy sintiendo más segura con ellos. Estoy abierta a tener una relación con un hombre, cosa que antes me asustaba un poco. Por ahora no hay nadie “especial” en mi vida. Supongo que yo al igual que el resto de las personas normalmente, pienso quepara que una historia tenga final feliz necesita una historia de amor. Mi historia también es una historia de amor, aunque de momento no haya aparecido esa persona. Es una historia de amor porque si yo no hubiese aprendido a ver el amor que mis padres me tenían y tienen, si no hubiese encontrado a Elena, ni a mi mentora, ni hubiese aprendido a amarme bien a mí misma y si hubiese huido del amor de Dios siempre presente, todo esto no tendría sentido y posiblemente no habría ocurrido".

"Espero que la opción de entrar en terapia se vea como una opción válida y respetable.Los que estamos aquí hemos decidido, libremente, optar por este camino", afirma. 


9. Casada y con hijos, volvió el sentimiento lésbico: se puede encauzar

En 2012 ReL publicó el testimonio de María (no es el nombre real), que está felizmente casada con un hombre y tiene hijos, pero que en su pasado vivió intensamente la atracción hacia otras mujeres. 

"Mi infancia fue la de una niña aparentemente normal en una familia numerosa. Mis padres intentaron hacer que nuestra vidas fuera buenas, pero nadie sabía lo que estaba sufriendo, especialmente en el colegio, donde me sentía poco valorada y querida, y me veía que no tenía nada importante en mi persona. Ya a los 11 años no quería volver al colegio, por eso me tome unas pastillas para morirme pero no me salió bien".

"Ya a los 17 años, con una de mis amigas que yo admiraba e idealizaba, llegué a sentir un cariño especial pero ya sexualizado, y eso me provocó un gran dolor porque eso no podía ser posible ya que mi amiga no quería nada de esas cosas y se asombró mucho cuando se enteró por una carta que yo le mandé. Yo de pequeña puedo decir que he tenido pequeños abusos como el típico que te ofrece dinero y te habla de no sé quéasunto que no entiendes y sales corriendo. O en una ocasión un señor frente a mí, en un tren, se tocaba sus partes y eso me hizo sentir que los hombres no eran buenos". 

"Ya a los 32 volvió a salir ese sentimiento de atracción a personas de mi propio sexo a pesar de estar casada y tener hijos. Fue muy duro, y entonces decidí hacer terapia para saber que lo que me pasaba. En la terapia he visto mi necesidad de cariño materno y que eso de sexualizar a mis amigas eran productos de heridas emocionales".

"Muchas “niñas sensibles” como yo pueden vivir vidas muy parecidas y el daño que se le hace tanto por nuestra sociedad como en el colegio diciéndole “tú eres así, porque sientes esas cosas”, sin mirar la profundidad del problema. De esa manera la chica o el chico con estos tipos de complejos y carencia afectivas se pueden meter en un mundo que le hará mucho daño porque esas carencias no es que se sea lesbiana o gay, sino que son traumas sin resolver, en el fondo la persona con AMS (atracción al mismo sexo) es el eterno niño en busca de cariño de la imagen del padre o de la madre que no pudo tener".

10. Marta Lozano: "me siento mucho más a gusto conmigo misma, más sosegada y con más paz interior"

Marta Lozano Cañizar es la autora y protagonista del libro de 2008 "Una historia sobre el maltrato y la homosexualidad" (Editorial CCS). En él cuenta las heridas que le llevaron a desarrollar atracción por el mismo sexo y cómo pudo superarlas al tomar conciencia de ellas.  

"Mi propia experiencia vital me ha demostrado el papel que el padre y la madre ejercen en el desarrollo afectivo, psicológico y sexual del niño es insustituible", dijo en entrevista. "Creo que la homosexualidad puede provenir (aunque no siempre sea así) de una falta de identidad sexual y de una atracción hacia las personas que poseen aquellas cualidades "típicas de tu sexo" que a ti te faltan. Por eso las deseas. En numerosas ocasiones también puede existir una especie de aversión, miedo o desconfianza hacia las personas del sexo contrario. En mi caso, era hacia los hombres, que simbolizan a mi padre. Por ello, canalizamos el deseo sexual hacia lo que no nos provoca miedo, es decir, hacia personas de nuestro mismo sexo, en mi caso, la mujer, para mí símbolo de dulzura, ternura y confianza".


Cuando superó la atracción por la vida gay se sintió mucho mejor. "Antes simplemente no me sentía mujer. Ahora, en cambio, me siento plenamente identificada con el sexo femenino y sobre todo, me siento mucho más a gusto conmigo misma, más sosegada y con más paz interior. Mi vida social y personal también ha variado sustancialmente. Ahora me siento más libre y más feliz, me relaciono más y mejor con la gente, en mi trabajo me encuentro más satisfecha y me ilusiona mi futuro.

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