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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Olhando o Presépio

Terminadas as festas natalícias temos que retirar todos os enfeites, desmanchar o Presépio e guardar, com cuidado, as figuras que estiveram a recordar-nos esse facto excepcional que ocorreu há mais de 2000 anos.

Aconteceu que ao olhar detidamente as figuras nucleares – José, Maria e o Menino – a minha imaginação fugiu para o tempo em que estas pessoas estiveram na terra.

Maria é a jovem Mãe, José o jovem Pai preocupado e atento, o Menino é a ternura. Todas as crianças são encantadoras, mas este Menino é Deus; este menino está dependente em tudo de Maria e de José como qualquer recém-nascido. 

Vendo o Menino nas palhinhas lembro-me de todas as incomodidades que viveram naqueles dias gloriosos em que Jesus nasceu. Não houve lugar para eles nas hospedarias, sobretudo não havia o recato necessário para o acontecimento mais importante da vida do jovem casal.

De casa em casa, de lugar em lugar, foi-lhes indicada uma gruta em que se recolhiam animais.

Aí chegados, decerto procuraram arranjar a melhor maneira de preparar tudo para a vinda desse Menino tão especial, como são todos os filhos mas, este em particular, porque José e Maria sabiam que era fruto do Espírito Santo; Maria concebeu e José foi encarregado, pelo mesmo espírito Santo, de proteger e educar.

O Menino nasceu, como diz a canção popular,” com o Sol pela vidraça”, sem causar qualquer dano a Sua Mãe que assim permaneceu Virgem.
O ambiente não era, decerto, bem perfumado, mas a presença dos animais dava calor e conforto.

Ao fazer pela primeira vez o Presépio, S. Francisco de Assis colocou um burro e uma vaca para acalentarem o Menino.

Era natural que na gruta de Belém houvesse vacas e um burro meia pertença do casal porque para se deslocarem a Belém, Nossa senhora foi montada num burro pois o caminho era logo e não poderia ir a pé estando no fim do tempo de gravidez.

Pela minha imaginação passaram as muitas pessoas que acorreram a Belém para o recenseamento, a cidade teria muita gente de fora, pois o Édito do Imperador obrigava a que todos fossem à cidade de origem da sua família e José era da descendência de David e belém era sua cidade.

Na noite calma, os pastores estavam nos campos a guardarem os seus rebanhos e foram surpreendidos pelos Anjos que lhes deram a notícia do nascimento do Messias.

Como é costume no oriente, não iriam visitar o Menino sem lhe oferecerem alguma coisa, procuraram e viram que tinham leite, queijos, bezerritos e com estes simples presentes, procuraram a gruta seguindo as indicações dos Anjos.

Nossa Senhora ouviu-os, agradeceu os presentes e mostrou-lhes o Menino.

Foi grande a sua surpresa com a presença dos pastores porque não disseram a ninguém o que se passara e concluiu que os pastores sabiam do facto por outras vias e guardava tudo no Seu coração.

Teve também a visita dos Reis Magos, que tinham sabido por uma estrela. Estes trouxeram ouro, incenso e mirra. O ouro era oferta ao Rei, o incenso ao Santo e a mirra ao mortal.

Logo ali senti que Jesus reunia todos; os Judeus – os pastorem – os Reis Magos.

Na adoração ao Menino Jesus estiveram pessoas simples do povo e sábios intelectuais, isto é, todos temos possibilidade e lugar para adorar a Deus, que, desde o berço, não faz acessão de pessoas.

Voltando à realidade fica-nos esta surpresa enorme de ver um mistério tão complexo que é o Amor que Deus tem a todos os homens e O levou a encarnar para nos alvar e restabelecer a difusão da Graça por todos e cada um de nós.

E, facilmente, consegui acabar de arrumar todas as figurinhas.
 
Margarida Raimond
professora






domingo, 25 de dezembro de 2016

Humildade diante do presépio

Nesta Noite Santa, sobre o povo que andava nas trevas, resplandeceu uma grande Luz. Sobre cada um de nós, especialmente no fundo da nossa alma, brilha essa Luz ímpar que marca o tempo da História: o nascimento do nosso Deus!

Não há lugar para dúvidas. Deixemo-las para os cépticos que, como diz o Papa Francisco, por interrogarem somente com a razão — esquecendo a pequenez de cada ser humano — nunca chegam à Verdade com letra maiúscula. 

Nesta Noite não há lugar para a indiferença nem para a apatia. Se acreditamos de verdade que Deus Se fez Homem e veio à Terra para nos salvar, tudo o resto — preocupaçõezinhas, egoísmozinhos, orgulho ferido — adquire um sentido muito relativo.

Se vivemos bem o Natal — não só de um modo exterior-superficial — voltamos a redescobrir a nossa grandeza e a nossa pequenez. 

Grandeza porque somos de verdade filhos de Deus. Ele veio à Terra para nos recordar que valemos muito. Não somos produtos do acaso. Deus conta connosco para recordar a tantos a sua dignidade — muitas vezes desfeita por um orgulho de pretender viver sem contar com Ele.

Pequenez porque sem Deus não podemos nada. Somos o único ser nesta Terra que é consciente da sua mortalidade. E também somos o único que, tantas vezes, se comporta como se fosse imortal. Como se fosse Deus. Como se não necessitasse da salvação que Ele nos traz.

Não é só Deus que ama o humilde e rejeita o soberbo. Nós fazemos o mesmo. A modéstia, quando é sincera, atrai. Faz com que uma pessoa seja amada, a sua companhia desejada e a sua opinião valorizada.

Com Maria e José, possam os nossos corações ficar maravilhados contemplando Jesus reclinado numa manjedoura. E que diante da modéstia do nosso Deus brote um propósito sincero que resolverá tantas “tragédias” da nossa vida: sermos humildes de verdade.


Pe. Rodrigo Lynce de Faria





Os solteiros e o Natal

No Natal são feitos planos em família e com os amigos. Os caminhos de Deus são múltiplos e o solteiro também é chamado a viver com plenitude este tempo. Estando sozinho ou a namorar, interessa estar junto de quem Deus colocou ao nosso lado. Por isso, a missão principal do solteiro é a “Paz no Mundo”, como diria uma bela Miss Universo, erradicar a fome em África ou o seu trabalho? Ou a sua família mais próxima? Podem ser todas, mas esta última é a que, em primeiro lugar, lhe "pede de beber", de "vestir", de ser "visitada" ou ouvida.

Sejam eles um pai, uma mãe, uma avó, um irmão que vem de longe, um filho ou uma filha. São essas pessoas que Deus nos pede que devotemos a nossa atenção e Amor, gostando delas ou não! Até formar uma nova família, é agora esta a sua família. É este o seu “próximo”. É aí que crescem virtudes que serão muito importantes no futuro: a misericórdia, a amizade, a paciência, o perdão, a alegria. E quem sabe se não aparece um amigo ou amiga interessante no meio das rabanadas, dos presentes e dos enfeites! 

Por isso, se é solteiro e está a sair com alguém, ofereça-lhe algo, esteja com ela, mas não se esqueça da sua família. Se tivermos numa fase mais avançada de uma relação com alguém, pode ser uma boa altura para conhecer a família do nosso namorado (a)! O Natal, no fundo, é isso. Um espaço de receber e dar. Receber de “quem nos amou primeiro” (1, Jo, 4:19-20) – Jesus - e na terra os nossos Pais -  para poder depois dar. E só dá quem tem algo para dar. E ter, é receber da fonte do Amor - Deus - que agora no Natal é um bebé pequeno, pois quer chegar a nós. Seria estranho vir como um Rei ou como outro homem "importante", por exemplo. Como veio pequeno e numa simples manjedoura, todos podem beijá-lo e brincar com ele. É este o mistério do Natal, acessível a quem se deixa tocar e preencher com este calor de Belém: pequeno no olhar, grande no coração.

Nota: António Pimenta de Brito escreve conforme o novo acordo ortográfico.

António Pimenta de Brito








Natal – Festa de júbilo e salvação


O amor infinito de Deus volta a apresentar-se de forma especial no tempo de Natal, projectando uma grande luz sobre o destino da humanidade, chamada à união mais íntima com o Criador. A presença de Jesus no meio do seu povo liberta-o do peso e das tristezas da vida e restabelece o júbilo e a alegria. 

A luz do nascimento de Jesus traz consigo a força para dissipar as trevas deste nosso mundo que, de tantas formas, luta por se afastar de Deus. Ao povo que caminhava nas trevas e aos que habitavam na região de sombras da morte, apareceu uma grande luz, a qual continua ainda a brilhar em toda a sua bondade. Não obstante os trágicos e tristes acontecimentos que ocorrem em muitas partes do mundo, ela ilumina-nos com a mesma clareza diáfana que iluminou aquela noite em Belém, há mais dois mil anos. 

Nesta abençoada noite de Natal voltemos à casa de Deus, atravessando as sombras que envolvem a Terra, mas guiados pela chama da fé, que guia os nossos passos, aquece a nossa alma e animados pela esperança de encontrar a «grande luz» abramos o nosso coração para poder contemplar o milagre daquele Menino-Sol que, surgindo do alto, iluminou todo o horizonte.

Natal é uma verdadeira festa da alegria, é um convite real para adorarmos Deus. Em todos os lugares do mundo, também naqueles onde se persegue a Igreja, haverá quem diga ao Senhor: sabemos que nasceste hoje, viemos adorar-Te em nome de todas as criaturas, porque estas palavras são uma resposta da Santa Igreja ao clamor dos Anjos que se ouviu no mundo, rompendo o silêncio e a escuridão dos séculos: Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra aos homens por Ele amados.

Na gruta de Belém, o Céu e a Terra tocam-se, porque ali nasceu o Criador do mundo, o Redentor da humanidade. De lá se espalha uma claridade que é para todos os tempos, também para o nosso, tão necessitado da orientação divina. Ao prepararmo-nos para celebrar de novo a vinda do Senhor, e ao considerar que a sua alegria é estar com os filhos dos homens, enchamo-nos de esperança, o Senhor aproxima-se sempre de nós e permanece ao nosso lado.

Contemplemos a Virgem Maria, com São José, a cuidar de Jesus recém-nascido na pobre gruta que os alojou em Belém. A tradição de fazer o Presépio é uma magnífica recordação de que o Verbo Divino habitou entre nós. “O Presépio é expressão da nossa espera, de que Deus se aproxima de nós, de que Cristo vem a nós, mas é também uma expressão de acção de graças Àquele que decidiu partilhar a nossa condição humana, na pobreza e na simplicidade”.

Também as luzes e os enfeites decorativos evocam o desejo do bem que vive no mais profundo do coração humano, a luz do bem que vence o mal, do amor que supera o ódio, da vida que derrota a morte. Ao vermos as ruas e praças das cidades enfeitadas com luzes resplandecentes, recordemos que estas luzes evocam outra Luz, invisível aos olhos mas não ao coração. Enquanto as apreciamos, ao acendermos as velas nas igrejas ou a iluminação do Presépio e da árvore de Natal nas nossas casas, o nosso ânimo abre-se à verdadeira Luz Espiritual, trazida a todos os homens de boa vontade. 

O Menino - Deus connosco, nascido da Virgem Maria em Belém, é a Estrela da nossa vida! 

Feliz e Santo Natal

Maria Susana Mexia












Natal 2016


Votos de Boas Festas




quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Feliz Natal

A equipa do CONSOLATA MUSEU | Arte Sacra e Etnologia deseja-lhe os votos de um Santo e Feliz Natal!


Presépio de Maria Amélia Carvalheira da Silva
Coleção do CONSOLATA MUSEU | Arte Sacra e Etnologia



quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Queremos que Cristo reine


“Nunca vos arrependereis de tê-Lo amado”. O Senhor é bom pagador já nesta vida quando somos fiéis. Que será no Céu! Agora temos que propagar o reinado de Cristo na terra, no meio da sociedade em que nos movemos; sentir-nos permanentemente responsáveis por dilatá-lo no ambiente em que nos desenvolvemos, a começar pela família: “ Não abandoneis os vossos pequenos; contribuí para a salvação do vosso lar com todo o esmero”, aconselhava vivamente Santo Agostinho.

Regnare Christum volumus – Queremos que Cristo reine, em primeiro lugar no íntimo do nosso ser, na nossa inteligência, na nossa vontade, nas nossas famílias, em toda a sociedade e pelo mundo além, porque a vida é um tempo para fazer frutificar os bens divinos, aqueles que não perecem.

Ele é o Alfa e o Omega, o primeiro e o último, o princípio e o fim. Só n´Ele os nossos afazeres aqui na terra encontram o seu sentido, por isso queremos que Ele reine sobre nós, Ele que é o autor do universo e de cada uma das criaturas. Veio para os seus, mas não se impôs com atitudes de poder, nasceu numas pobres palhinhas e pede-nos migalhas de amor.

O mundo de então ansiava por Ele, mas na estalagem não havia lugar, o mundo de hoje procura desesperadamente a salvação, sejamos obreiros, mensageiros e portadores da Boa-Nova – o Céu anunciou o nascimento da Estrela que nos guia, o Nosso Salvador, o Caminho, a Verdade e a Vida.

Neste Santo Natal de 2016 abramos as portas do nosso coração ao Menino Deus e embevecidos como Maria e José, contemplemo-Lo com olhos de Amor e desejos de Paz na Terra.

Suzana Maria de Jesus


O Natal do meu descontentamento


O Natal é uma festa Cristã e não pagã, nem comercial. Penso que toda a gente de bom senso, bem-intencionada e minimamente esclarecida ou informada sabe isso.

Porém, a força dos tempos, o excesso de consumismo, a leveza das vivências tradicionais, culturais e religiosas, provocaram um terramoto enorme na cabeça das pessoas, com reflexos na sua fé que passou a ficar muito aquém, e da sua bolsa que passou a gastar muito além.

A tontaria das compras, a alienação das prendas, o ruído verdadeiramente ensurdecedor da publicidade nos meses que se lhe antecedem, é uma afronta e um reflexo de como a nossa sociedade virou patética, sem referências nem valores que não sejam o comprar a todo o custo, gastar, descartar e desconstruir.
Natal para muitos é glamour, comezainas natalícias, iguarias e sofisticadas mesas de consoada para competir, para impressionar, para não ficar em minoria, para fingir o que não é e disfarçar o que não tem. É barulho exterior, luzinhas, bugigangas, artefactos e tantas outras coisas.

Essência natalícia? O que é isso? Momento de Amor e Adoração ao Menino? Qual menino? Isso é uma história mal contada, para iludir os pobres de espírito, os fracos de cabeça que acreditam no Evangelho e nessas coisas que os Padres dizem…

Em pleno século XXI quando nos querem convencer de que tudo é relativo, o anormal e bizarro passou a ser assumido com orgulho, o politicamente correcto é o que comunicação social constrói para vender como verdade e o crime vai deixando de o ser quando se legisla a seu favor por decisão de algumas minorias de mentes brilhantes, ainda há quem queira venerar o Filho de Deus feito Homem que veio ao mundo num lugar inóspito e deu a vida para nos salvar?

Pois é meus amigos e caros leitores, não obstante tudo o que escrevi, aqui estou para dizer não ao natal do meu descontentamento e desejar a todos Santas Festas, com muito Amor e Esperança na certeza de que a nossa Fé nos salvará, o Deus Menino nunca nos abandonará e do Céu sempre nos abençoará.
José M. Esteves


“Uma mensagem viva de Amor e Misericórdia”

“Glória a Deus nas Alturas e, na terra paz aos homens”... Anunciam os Anjos aos Pastores, em Belém, na noite de Natal!

Neste mistério que celebramos, Mistério da Encarnação de Jesus Cristo, Deus manifesta-nos que a sua entrega aos homens não tem limites. Ao nascer em Belém de Judá, Jesus revela um Deus oculto na pequenez, que se deixa vencer, rebaixando-se à mais completa fragilidade.

Faz-se pequeno e pobre, ocupa o lugar de uma criança, o último lugar...

Chega disposto a compartilhar as nossas necessidades e as nossas dores!

Vem, “para que tenhamos vida e vida em abundância”...

Assim, Jesus Cristo oferece a todos uma vida nova, um dom que consiste em uma nova amizade com Deus. Não exclui, não marginaliza ninguém. Os pobres e os desprezados, sentem-se acolhidos; sentem que terminou o tempo da solidão, da vergonha, da humilhação; recuperam a dignidade que julgavam perdida.

Jesus ao fazer-se amigo das crianças e dos pobres, identifica-se com eles. “Todas as vezes que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40).

É a lógica do amor: Deus que é a própria Grandeza, Beleza e Poder, oculta-se naquilo que é menor, mais frágil, mais sofrido; ensina-nos que a lógica do amor é diferente da lógica da razão ou do poder: mostra-nos que amar é colocar-se disponível, ao alcance do outro... “ Vinde a Mim, vós todos que estais sobrecarregados e aflitos com o peso do fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28).

Na sua passagem pela terra, Jesus não só cura os corpos dos que sofrem alguma enfermidade, como perdoa os pecados daqueles que se manifestam arrependidos. Revela-nos a alegria de Deus ao perdoar. A parábola da ovelha tresmalhada, dá-nos a conhecer a felicidade do pastor que recupera o seu animal... Ao encontrá-la, leva-a feliz, sobre os ombros...

Revela-se como pai misericordioso na história do filho pródigo. Quando o pai vê o filho sujo, fraco e andrajoso, a voltar para si, corre a abraçá-lo, sem julgá-lo, ou censurá-lo. Apenas quer recuperá-lo, voltar a viver com ele. Esse desejo apaga as feridas do sofrimento que o jovem lhe causou.

É assim o amor de Deus pelos homens. Desce dos céus para libertá-lo da sua culpa e da sua miséria. Um amor misericordioso e gratuito que desafia o nosso amor contrito e agradecido.

Veio para servir. Prestou-nos o máximo serviço com a sua morte na Cruz, redimindo-nos, ultrapassando todas as expetativas humanas. “É escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1 Cor 1, 23).

Deus, na pessoa de Jesus Cristo, põe-se de joelhos enquanto lava os pés aos apóstolos! Já crucificado, deixa-se atacar e injuriar. É um escândalo… o inverso do nosso mundo; uma mensagem de amor!...

A sua descida inicia-se quando toma a natureza humana, manifesta-se claramente no lava-pés e culmina na Paixão e Morte. “Vimos a sua glória” (Jo 1, 14), exclama S. João, referindo-se principalmente à glória da cruz. Não há dúvida: a glória de Deus é o amor!

Glória a Deus no Céu e na Terra

Dar glória a Deus nas alturas, como cantam os Anjos em Belém, mas também na terra, não é apenas uma forma de expressão. É um estilo de vida completamente novo, para que Deus nos convida. Convida-nos a entrar no seu Reino não apenas depois da morte, mas aqui e agora. Para aqueles que compreendem este chamamento, a união com Cristo chega a ser mais importante que qualquer outra coisa. É uma experiência maravilhosa que liberta de qualquer tipo de opressão!

Assim, no tempo e no espaço que agora ocupamos, podemos antecipar a realidade do Reino de Deus. Podemos converter a nossa vida em um “ensaio geral” daquilo que faremos por toda a eternidade: deixar transparecer o amor, a bondade e a misericórdia divinas. Dar glória a Deus na terra é descobrir, viver e comunicar, desde já, a Felicidade verdadeira!

O sentido do mistério de Belém, da encarnação de Deus Filho que se fez uma criança desvalida poderia ser resumido assim: “Deus chama-nos à sua própria bem-aventurança” (Catecismo da Igreja Católica, n.º 1719). Por isso, o Anjo diz aos pastores: “Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias, Senhor. Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoira” ( Lc  2, 11 ).

E o exército celeste junta-se ao Anjo e a cada um de nós: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!”

Maria Helena Marques
Prof.ª Ensino Secundário








O Presépio

Nos tempos que correm o Natal foi transformado numa época de grande estimulo ao consumo e  onde parece que o mais importante são os presentes. Deixa-se completamente de parte a festa religiosa. Por isso, para mim, a missão mais importante que temos neste tempo,  é recordar o verdadeiro Natal e ajudar a todos os que nos rodeiam a recorda-lo também. Causa-me alguma preocupação verificar a facilidade com que, nesta lusa terra,  se trocam os presépios por outros símbolos festivos, em nome de uma falsa tolerância e de um respeito duvidoso pelas crenças de todos. A pouco e pouco, vai-se colocando ao mesmo nível, igualando, aquilo que não é comparável nem igualável. É por isso que não me canso de pensar e de tentar passar a mensagem de que  no Natal é uma história de Esperança e de Ternura de um Deus e isto é uma das coisas mais importantes que podemos celebrar com nossa família e na nossa casa. É talvez por isso habitual, que nos deixemos contagiar pela vontade de chegar aos outros e de ser solidários. Diria que é uma época que nos aquece o coração e… faz todo o sentido levar este calor à prática. Aproveitar o Espírito de Natal para fazer coisas boas aos outros, começando pelos da nossa casa.

E,  fazer o presépio em família, é uma dessas coisas! Cá em casa escolhemos um sítio central para que o presépio esteja ao alcance e à vista de todos. 

Isabel Alexandre







Vem Natal, Precisamos de Ti


Pensei no Natal que se aproximava, sendo que para mim constitui a época mais bonita do ano. Tudo tem mais cor, mais luz, mais alegria e mais brilho. Os doces de Natal são extremamente apelativos - os sonhos, os coscorões, as azevias, o bolo-rei -. O bacalhau, o peru recheado entre muitos outros acepipes que fazem as delícias da consoada das famílias. Mas sobretudo, o presépio, que nos recorda a alegria do nascimento de Jesus. “Exulta, céu; alegra-te terra; começai a cantar montanhas, porque virá o nosso Senhor. Nos seus dias reflorescerá a justiça e a paz”.

Entretanto, veio-me ao pensamento, que como seria que uma criança de cinco anos e uma senhora com 97 anos, veriam esta época natalícia? Resolvi que para responder a esta questão, o melhor seria mesmo, inquirir-lhes a sua visão sobre o Natal.

A Maria Luísa, com cinco anos, respondeu a esta minha pergunta, comentando, que o Natal é uma festa super boa, que tem muito amor e muito carinho. Também tem muitos anjinhos para cuidarem do Menino Jesus, que marca o Natal, com o seu nascimento. A Maria e o José, têm muito amor no seu coração, que cuidam do Menino Jesus no amor. O Pai Natal é o último a chegar com as renas, vindo do Polo Norte e dá os presentes. O Menino Jesus é o meu amor, dou-lhe muitos beijinhos e abraços, com muito carinho.

Chegou a vez de colocar a mesma pergunta à Manuela, com 97 anos, que respondeu do seguinte modo: "Infelizmente, penso que atualmente, é um Natal comercial. O nascimento de Jesus adquiriu um significado mais materialista hoje em dia. Acrescentou ainda que, de um modo geral, significava juntar a família à volta da mesa, para festejar o nascimento de Jesus. Referiu ainda, que significava igualmente, a promoção da união da família, a sua aproximação, uma festa para as crianças. Por outro lado, nesta época as pessoas são mais solidárias, em particular, para com os mais desfavorecidos”.

E eu como me posiciono neste monólogo com o mundo, acerca do Natal?

"Eis que venho, segundo está escrito de mim no principio do livro, para fazer, ó Deus a tua vontade".(HebX,7). Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim. Àquele que tiver sede dar-lhe-ei de beber gratuitamente da fonte da água viva...Eu serei o seu Deus e ele será meu filho. (Apc XXI, 4-7).

O mundo precisa de se unir, de dar as mãos num gesto de fraternidade, de acolhimento, de viver em pleno a solidariedade, a doçura, os afetos, de zelarmos uns pelos outros, de procurarmos alcançar consensos através do diálogo, evitando deste modo, os conflitos, as guerras, ou seja, seguir os ensinamentos deste Menino Jesus, tão doce como o mel, que nasceu numa manjedoura, procurando trazer a paz ao mundo. A paz constitui um dom de Deus, mas que foi confiado a todos os homens e a todas as mulheres que são chamados a ajudar a concretizar este dom.

Vem Natal, como gostaria de ser mais uma figura do presépio: ouvir o que o anjo disse aos pastores que viram uma grande luz, a glória do Senhor, que os envolveu de claridade: “Não temais, trago-vos uma boa nova, uma grande alegria, para todo o povo, pois nasceu hoje na cidade de David, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”.

Cantamos alegres nestes dias de Natal, porque o amor está connosco até ao fim dos tempos. E, ao adorarmos o Menino, ao beijá-lo, ao depositar no seu regaço, todas as nossas alegrias, as nossas tristezas, as nossas esperanças, devemos agradecer a Deus, o seu desejo de descer até nós, e que nos decidamos igualmente a ser como crianças, para assim podermos entrar um dia no reino dos céus.

Nada melhor do que a criança de 5 anos para concluir: “O Menino Jesus é um amor, ele tem os 3 reis magos, o Baltazar o Belchior e o Gaspar, um dá ouro, outro incenso e outro mirra, mas sobretudo, muito carinho e amor. O Jesus dá muito amor, carinho e felicidade às pessoas tristes. Ele ama-nos sempre. A estrelinha de Natal brilhará eternamente”.
Maria Helena Paes







“Veio para o que era Seu e os Seus não o receberam” Jo,1-11

São das primeiras palavras do Evangelho de S. João que nos podem fazer pensar, principalmente nesta época natalícia. O Criador do Universo desceu à Terra e não houve em Belém uma porta que se Lhe abrisse! 

Olhando para o Mundo de hoje, receio bem que o comportamento fosse semelhante, senão pior. Penso na falta de verdade, na falta de diálogo, nas injustiças, na incapacidade de interajuda. Não podemos aceitar estereótipos em que nalgumas classes só existem boas pessoas e noutras pessoas medíocres ou más, pois todos somos pecadores e capazes de tudo, como diziam e dizem muitos santos. Curiosamente, as pessoas mais humildes geralmente têm uma cultura tão vasta, um tão grande número de diplomas ou graduações que causariam inveja mesmo a quem não fosse invejoso. Há pessoas muito ricas que são simples e generosas e outras pobres ou remediadas que são bem avarentas e cheias de soberba …Também há muitas pessoas sempre com um sorriso no rosto apesar de portadoras dos maiores sofrimentos e outras que se queixam por tudo e por nada, sem qualquer razão para se queixarem.

Somos humanos e estamos em construção, daí a nossa capacidade de errar, como diz o Papa Francisco. 

Há uma coisa em que todos nós somos especialmente bons: a capacidade de julgar…Julgar sem conhecer os factos, julgar pelo aspecto, julgar porque dizem, julgar porque ouviram falar…

Graças a Deus muitos de nós procuramos a verdade porque só a Verdade nos fará livres como nos dizia S João Paulo II. Neste Natal que se aproxima, poderemos fazer o propósito de lutar pela justiça na Verdade pois Ela está no Menino que vai nascer. Só Ele nos completa e nos fará felizes. Ele estende a todos os homens as Suas mãos pequeninas e a todos dirige, cheio de amor, o Seu olhar, suplicando ser correspondido.

Penso que não podemos deixar de reflectir no Presépio, que existiu porque em Belém todos fecharam as portas a José e Maria. Talvez cansados da viagem não tivessem muito bom aspecto… Esta enorme lição de humildade foi-nos dada pelo nosso Deus. Jesus nasceu num estábulo porque todas as portas se Lhe fecharam apesar de tudo ser Seu. Quem não encontra consolo nesta realidade? Ele também nos disse que o discípulo não é diferente do Mestre. Se todos sabemos o que Lhe foi feito encontraremos na Cruz o maior lenitivo para todo o sofrimento quer seja físico quer seja psíquico. Muita gente encontra a cura das suas penas na Missa diária. É na Sagrada Eucaristia que mergulha as suas dores e também as suas alegrias, toda a sua vida. Todos os dias nestas almas nasce o Menino Deus e todos os dias o seu coração entre risos ou lágrimas canta um hino de amor no mais lindo Presépio.

Maria Teresa Conceição
professora aposentada







Noite de Natal

“Na família, é necessário usar três palavras: com licença, obrigado, desculpa. Três palavras-chave. Quando numa família não somos invasores e pedimos “com licença”, quando na família não somos egoístas e aprendemos a dizer “obrigado” e quando na família nos damos conta de que fizemos algo incorrecto e pedimos “desculpa”, nessa família existe paz e alegria. Não sejamos mesquinhos no uso destas palavras, sejamos generosos repetindo-as dia-a-dia, porque «pesam certos silêncios, às vezes mesmo em família, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos. Pelo contrário, as palavras adequadas, ditas no momento certo, protegem e alimentam o amor dia após dia.”

Venceu-me o cansaço e acabei por adormecer mas martelavam na minha cabeça estas palavras do ponto 133 do “Amoris laetitia” do Papa Francisco. Este ponto serviu-me para fazer o exame da noite e talvez por isso tivesse um sonho que me levou a Belém da Palestina. No meu sonho, vagueei pelas ruas e vi um casal que me pareceu jovem e que conversavam apesar de terem um ar ainda mais cansado do que eu. A rapariga estava sentada num burrinho que o jovem, que se chamava José, conduzia. Não resisti e escondi-me para ouvir a conversa, pois apercebi-me que ele pedia desculpa àquela que era a sua mulher. Prestei mais atenção e reparei que estava grávida. Ele pedia desculpa pois não conseguira encontrar alojamento e o filho que esperavam não tardaria a nascer. Todos lhes fecharam as portas e ninguém quis ajudá-los. Maria, assim se chamava a jovem, respondia e dizia que só tinha de agradecer todo o desvelo que o marido lhe prestara na viagem, que fora longa pois vinham de Nazaré.

- Não te preocupes José, pois Deus providenciará, nunca nos faltou e nunca nos faltará ainda que tudo aponte o contrário.

- Olha, vamos procurar aquela gruta de que nos falaram. 

Não resisti e apresentei-me.

- Perdão, ouvi a vossa conversa e gostaria de ir convosco se me permitirem acompanhá-los. Gostaria tanto de vos ajudar, embora seja um pouco desajeitada.

A resposta foi um sorriso maravilhoso de ambos, acompanhado de um muito obrigado.

Encontramos a gruta onde estavam uma vaca e um burrinho e ajudei José a improvisar um berço na manjedoura dos animais.

Chegou a meia-noite e tive o privilégio de viver a noite mais maravilhosa de toda a minha vida: parecia que todas as estrelas do firmamento se concentraram sobre aquela gruta. Acompanhando aquele espectáculo de luz um coro de anjos cantava “ Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. Pedi a Maria que me deixasse embalar o Menino e apertei-O contra o meu coração. Vieram pastores e pastoras cheios de presentes e enquanto me comprazia com aquela festa em família, pensei que todas as festas dos poderosos não tinham o esplendor daquela noite de Natal.


Maria Teresa Conceição
professora aposentada








“Natal 2016! Uma luz resplandece nas trevas!”…


Uma luz fulgurante, resplandecente, que irrompe e brilha através das densas trevas, oferecendo à humanidade tão carente, a verdadeira paz. Guiados por essa luz aproximemo-nos do Presépio. Encontramos Maria e José com o Deus – Menino, o Príncipe da Paz, que nasceu para nós, e para a humanidade de todos os tempos, até ao Juízo Final. O glorioso nascimento do Menino Jesus constitui uma inesgotável fonte de salvação. E, invariavelmente – sobretudo neste ano tão atravessado por ameaças, convulsões e terrores – o convite que nesta festividade mais uma vez nos é feito vem carregado de promessas: Junto do Deus – Menino podemos encontrar a verdadeira paz, como aconteceu com os pastores e os Reis Magos. Mas por Ele somos também convidados a ir ao encontro dos irmãos mais pequeninos e feridos do nosso tempo, que precisam do nosso acolhimento, amor e ajuda.

Na pobreza do Presépio de Belém, recebemos o convite para o desprendimento do supérfluo e o compromisso com os mais necessitados. Por isso mesmo, o Natal de Jesus é ensinamento e uma ordem…É na pessoa desses “ pequeninos”, que também hoje Jesus espera e quer ser reconhecido, acolhido, hospedado e amado. Sem dúvida, celebrar o Natal de Jesus não consiste apenas em recordarmos que Jesus nasceu na história humana, mas que hoje e sempre quer nascer no nosso coração, nas nossas famílias, comunidades e no mundo.

Desde sempre nos encantou ver as ruas, lojas, casas e as igrejas das nossas cidades e aldeias com enfeites e luzes! O Presépio nas famílias e ruas das cidades fala-nos do cumprimento da promessa de salvação feita por Deus, enviando-nos o Messias prometido, esperado e anunciado pelos profetas. 

É o presépio que nos indica que o homenageado principal da festa é e deve ser sempre Jesus E que o Natal de Jesus é um sinal permanente que nos fala do amor de Deus, mas ao mesmo tempo nos interpela com a pergunta: que lugar é que o Deus – Menino da gruta de Belém, ocupa hoje na minha vida? Infelizmente devemos reconhecer que, para alguns de nós, mesmo cristãos, Ele ainda não é a prioridade da festa natalícia!

A Bíblia relata que Jesus no seu tempo veio ao mundo e que os seus não O reconheceram e, por isso, não O acolheram.

Perguntemo-nos: hoje é diferente?!

O que devemos fazer para que o verdadeiro Natal de Jesus, não se transforme apenas num tempo de consumo ou num banquete de família?

Jesus nasceu na gruta de Belém e quer hoje nascer na gruta do nosso coração! Que lugar Lhe reservamos? Como o preparamos?!

Neste nosso mundo em que abundam dificuldades e carências de todo o género, Jesus espera também ser reconhecido nos pobres, nos doentes, nos refugiados… e nas crianças feridas e abandonadas! Nunca o esqueçamos: “Tudo o que fizeres ou deixares de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos é a Mim que o fazes”…

Estamos em vésperas do Natal. A celebração consciente e alegre do Nascimento de Jesus Cristo, em cada ano, não depende das condições sociais e individuais do momento. Quanto maior for a angústia, tanto mais cresce a expetativa de uma superação do mal-estar reinante, através da comemoração do Natal de Jesus.

O Natal é um apelo atual dirigido a cada um, no sentido de viver e anunciar a mensagem do Presépio. Recordemos as lições esquecidas que brotam da mangedoura: Há ali um ambiente religioso, com a presença do Menino – Deus, de seus Pais – Maria e José – as vozes dos Anjos, a homenagem dos Pastores, dos Reis Magos…Vislumbra-se uma magnífica riqueza, através da pobreza do estábulo. A felicidade que tem o seu lugar ali, no meio da carência de bens materiais: reconhecemos até o início do itinerário da Redenção da Humanidade: da Gruta de Belém ao suplício do Gólgota, à vitória da Ressurreição… até ao Pentecostes!

E Maria Santíssima aí estava sempre presente!

Figura amável, materna, que está e continua, também nos nossos dias, na História da Igreja, da Humanidade e do nosso País – (neste ano particularmente, em que celebramos agradecidos e jubilosos, o Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, em 1917!), e que assim permanecerá até ao fim dos tempos!

Feliz Centenário! Um Santo Natal!


Maria Helena Marques
Prof.ª Ensino Secundário



O Natal do Menino Jesus


É Natal! E as ruas enchem-se de luzes, as montras, de tão enfeitadas, tornam os produtos ainda mais apetecíveis. Vêem-se muitos dos motivos alusivos à época: árvores de Natal mais ou menos sofisticadas ornamentadas com as características luzes, bolas, fitas prateadas, coloridas, até a estrela dourada lá bem no cimo, e renas, Pais Natais  ... mas presépios, muito poucos, cada vez menos. Dir-se-ia que o Rei da festa, o menino Deus se tornou quase desconhecido. É necessário entrar no ambiente restrito da família ou percorrer as nossas aldeias para reencontrar o Natal do Menino Jesus, então, até a azáfama das compras e a preparação das festas nos transmite essa alegria tão própria do Natal. E, no entanto, esse anúncio extraordinário de uma “alegria destinada a toda a humanidade” ainda hoje, passados 20 séculos, se repete por toda a terra. Mesmo para aqueles que não são cristãos o espírito natalício é o desejo de algo melhor, de paz, de justiça, de amor, de família reunida, e é, talvez, a esperança num bem desconhecido em que nos deixamos envolver nestes dias.

Nas minhas andanças pela net encontrei, muito a propósito, a mensagem Urbi et Orbi de 1970, do Papa Paulo VI. Actualíssima!  É um texto poético, muito belo e enérgico que vale a pena recordar no momento presente. Para saborear neste Natal de 2016, apenas alguns pedacinhos: “tem, ainda, o cristianismo uma palavra adequada ao mundo moderno? Pode, ainda hoje, corresponder à capacidade receptiva do homem contemporâneo? Pode fazer-se compreender? Quem Nos ouvirá? Quem Nos compreenderá? (...) Cristo pequeno, inerme, mas luminoso Verbo de Deus insinuou sentimentos de bondade e de amor nos corações dilacerados dos homens e disse-lhes simplesmente: que quereis? Queremos ser libertados das ilusões, das frustrações, das injustiças, das repressões a que o mundo moderno, faltando às suas promessas, nos submeteu; queremos ser pessoas livres, verdadeiros homens, gente libertada da fome; queremos fazer do mundo uma família única, Gostaríamos ainda, imploram os homens de hoje, às vezes com desesperadora angústia, de ter uma esperança verdadeira, uma esperança que não morra com o tempo, uma esperança que garanta às naturais aspirações do coração, tanto maiores e mais exigentes quanto maior é a cultura e o progresso do homem de hoje, uma satisfação real e total.”. A cada pedido, a cada anseio do coração humano, o Menino Deus responde “ sou Eu ...”. Concluindo, o Papa, unido aos apelos dos homens de então, que são também os apelos dos homens de hoje, deixa-lhes a pergunta derradeira:  “Não compreendeis, pelas próprias sombras que se projectam assustadoras à nossa frente, que temos Cristo atrás de nós? é este o sentido dos votos de « Feliz Natal» que formulamos para todos vós e para o mundo.”

Sim, vale a pena festejar, com uma imensa alegria, o Natal de Jesus. É preciso que a mensagem de há 2000 anos não se desvaneça mas continue a ser a esperança que dá alento à humanidade: a crentes e não crentes, aos homens de todas as religiões, enfim, a todos os homens de boa vontade. 

A  autora escreve segundo a antiga ortografia.

Rosa Ventura








quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Segredos do meu presépio

Como o Tempo de Natal só termina a 10 de janeiro, no dia do Batismo do Senhor, o presépio continua atual e ‘vivo’ para a contemplação e diálogo… na nossa casa.
 
Aqui vai um exemplo:
 
Olho para Ti, Deus-Menino, para a Tua e nossa Família Sagrada, para o contexto do meu presépio, bem pessoal, familiar e… vejo também a minha vida, a tentar melhorar…
 
Quantas vezes, meu Rei, eu sou aquela pastorinha dorminhoca, no sofá, na televisão, no fb, a perder tempo!
 
Outras vezes também  eu Te levo um cordeirinho branco e lindo, da pura alegria de uma oração confiante, do puro amor de um pequeno sacrifício, serviço!...
 
Outras vezes ainda, sou como aqueles dois gémeos a tocar gaita-de-foles, cheia de força e cor, sim, mas com tantas desafinações e estouvamentos - por preguiça de pensar, de estudar - que até Te acordo… e não queria, perdoa!
 
Mas sou também, isso sim, como aquele burrinho e a vaquinha que estão ali, junto de Ti, serenamente, a descansar conTigo, o Deus connosco! Obrigada! Quero estar conTigo sempre, não só agora, nesta Tua e nossa época de Festa, ajuda-me a concretizar esta companhia!
 
Também quero ser como os três sábios do mundo pagão, que Te procuram – como nós, tantas vezes, onde não Te podemos encontrar… –, que vão a caminho por desertos e tempestades… Sem desistir. No bom caminho da Tua única Igreja e nossa Mãe na Terra, onde nos disponibilizas todos os tesouros que são meios para a minha salvação, para o Céu que, com a Tua Misericórdia e a minha pobre luta, quero conquistar, quando Tu bem entenderes.
 
Como ‘os 3 Reis Magos’ que, pela Tua estrela, mudaram de rumo. Que eu o faça, no início deste jubileu, com o Sacramento da Confissão – conversão, alegria - confessando com sincero arrependimento os meus pecados concretos, como o Papa Francisco nos aconselha, de tantas formas brilhantes, inspiradas! Obrigada pelos 7 Sacramentos, pelas 7 Obras de Misericórdia espirituais e pelas 7 materiais! Ajuda-me a vivê-las habitualmente. Como Tu sonhaste e sonhas no Teu projeto para mim…
 
E então, no verde musgo da esperança, da fidelidade, quero, queremos todos ter  Paz, ser como a Tua Sagrada Família, Jesus, Maria e José, tao generosos a mais não poder, com um Amor autêntico – abnegado e feliz porque incondicional –, como os Anjos que cantam, os Pastores que correm monte acima ou abaixo, os Reis que se ajoelham e Te dão os seus tesouros, enfim, como todos os milhões de homens e mulheres que lutaram e lutam por ser santos e alcançar a Meta, o Teu Abraço sem fim, sempre conTigo, aqui e no Paraíso…
 
Também eu Te trago aqui os meus pequenos tesouros, Menino lindo, que são nada ao pé dos que Tu me dás, mas que ponho aqui, aos teus pezinhos queridos de bebé!
 
E só para rematar, Espírito Santo, que aqui estás também, com o Pai, dá-me ainda o bom humor sugerido na cena do meu presépio: muito perto dos dois pastores a tocar alto e bom som (nada menos que gaita de foles), dorme tranquilo e bem aninhado um pastorinho ‘de sono profundo’, que não acordou com os Anjos a cantarem, nem com os colegas a tocar quase em cima da sua cabeça! Como eu, como nós, que às vezes teimamos em não Te ouvir, em querer ser ‘órfãos’ sem o sermos, porque temos a sorte de conhecer o Criador que é e será sempre Pai de cada um de nós.
 
Quero ser simples, quero lutar por amar mais e melhor, quero servir e agradecer, com a abertura e a alegria desta Tua Festa e desta gente amiga, aqui, junto de nós!
 






M. Albuquerque
Tradutora





sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O Natal do Jubileu e a misericórdia no tempo novo

A solenidade de hoje traz o dom da alegria simples e exigente de amar, deixando-se amar pelo Deus que se faz próximo na pequenez de uma criança


Se o Natal, para aqueles que acreditam, é sempre a festa de um Deus que não se cansa da humanidade, o deste ano se colore do carácter do Jubileu da misericórdia, convocado pelo papa Francisco para que a Igreja viva uma experiência renovada da misericórdia divina e a anuncie com entusiasmo e convicção a cada homem.
 

"Misericórdia - escreve o papa - é o ato último e supremo com que Deus vem ao nosso encontro... A misericórdia é o caminho que une Deus e o homem, porque abre o coração à esperança de ser amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado" (Misericordiae vultus, bula do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 11 de Abril de 2015, 2).
 

Para ajudar aqueles que o desejam a viver este Natal como um tempo de misericórdia, abrindo-se ao significado mais profundo dessa palavra, gostaria de reflectir sobre os termos usados na Bíblia para dizer "misericórdia". A "língua santa" (leshon ha-qodesh), o hebraico da Bíblia, tem um número muito limitado de termos (5750), mas é capaz de expressar a realidade vasta e complexa da experiência humana fazendo uso de imagens que tornam densamente evocativa a ideia que se quer comunicar: por exemplo, para dizer "misericórdia", o hebraico usa "rachamim", termo que designa o ventre materno, o útero em que toda vida tem início.
 

É a ideia de uma gratuitidade originária (a vida não somos que nós que nos damos: ela nos é dada!), de uma custódia primordial que acolhe, nutre e protege, e das trevas em que a criatura concebida vive em simbiose com quem a carrega em si e de quem recebe alimento, impulso e protecção. Dentro das relações que nos fazem humanos, a imagem lembra o sentimento íntimo de comunalidade que liga o concebido à mãe, o vínculo originário do amor que faz viver entre quem dá a vida e quem a recebe: sentimento de ternura e comoção profunda ("Meu coração se comove e sinto por ele uma profunda ternura": Jeremias 31,20).
 

A misericórdia assim compreendida evoca o mundo dos afectos originários, o amor visceral que une o gerado a quem lhe dá vida, o amor que, por natureza, é livre e não condicionado pela reciprocidade, movido unicamente pela vontade de bem pelo outro. Neste sentido, São Bernardo pode dizer que "Deus não nos ama porque somos bons e belos, mas nos torna bons e belos porque nos ama".
 
O outro termo que o hebraico usa para a ideia de misericórdia é "chesed": similar em significado a "rachamim", difere dele em sua génese. Enquanto o amor visceral é originário e espontâneo, "chesed" é o resultado de uma deliberação e tem uma relação caracterizada por direitos e deveres: é o bem devido, ou, pelo menos, o que se espera como tal. É o amor com que o Senhor se destina ao seu povo, quase obrigando-se a isso, e pelo qual o salmista pode dizer: "Lembra-te, Senhor, da tua misericórdia e do teu amor, que são eternos" (Sl 25, 6).
 

É a bondade que se expressa no perdão, na compaixão e na piedade, com base na fidelidade a um compromisso que envolve dedicação plena, com vínculos de natureza ou por dever livremente assumido. Neste contexto, é compreensível que a ideia de misericórdia no Antigo Testamento se conecte à de aliança, promessa e cumprimento: todo o mundo espiritual da aliança entre o Senhor e seu povo traz o signo da misericórdia, de um amor que é livremente escolhido e querido até o fim, na fiel realização do projecto que implica para o bem do amado.
 

Expressa de uma forma intensa o profeta Oseias: "Farei de ti minha esposa para sempre, no direito e na justiça, no amor e na bondade; farei de ti minha esposa na fidelidade e conhecerás o Senhor" (2, 21s). É a segurança que no exílio e na difícil volta à terra dos pais o último Isaías testemunha: "Eu quero lembrar os benefícios do Senhor, as glórias do Senhor, quanto Ele tem feito por nós. Ele é grande em bondade para com a casa de Israel. Ele nos tratou segundo a sua misericórdia, de acordo com a grandeza da sua graça" (63,7).
 

O grego do Novo Testamento é o herdeiro do vocabulário hebraico da misericórdia: a expressão equivalente a "rachamim" é "splánchna", que literalmente significa "vísceras". Dela deriva o verbo usado na parábola do filho pródigo para expressar a reacção do pai ao ver seu filho que retorna: "esplanchníste" - "teve compaixão" (Lucas 15,20). Ele é um Pai de "vísceras" maternas! Um Deus de amor livre e radiante, sempre pronto para começar de novo com aqueles que voltam a Ele de coração arrependido e com necessidade de misericórdia. Ele é um Deus "visceralmente" enamorado da sua criatura, como a mãe o é pelo filho do seu ventre, em um nível de perfeição e de pureza de amor que só o Criador e Redentor do homem pode alcançar.


A misericórdia evoca, assim, as ideias de gratuitidade, custódia e confiabilidade incondicional, baseadas numa relação de amor originário, fonte de vida sempre nova, que todos, sem excepção, ansiamos e necessitamos.

O augúrio para este Natal do Ano Jubilar da Misericórdia, então, eu gostaria de formular desta maneira: que seja, para todos, um novo tempo da misericórdia recebida como dom e oferecida gratuitamente, na alegria singela e exigente de amar, deixando-nos amar pelo Deus que se aproxima de nós na pequenez de uma criança.


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