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terça-feira, 15 de maio de 2018

Vivamos a vida do Espírito


1 – O Senhor dispersou-os por toda a superfície da terra, e eles deixaram de construir a cidade. Por isso lhe chamam Babel, porque lá o Senhor confundiu a linguagem de todo o mundo, e de lá dispersou os habitantes por toda a superfície da terra (Gn 11,8-9). Assim, com esta dispersão provocada pela confusão das línguas, termina a primeira leitura da Vigília do Pentecostes, no próximo sábado.

Quando chegou o dia do Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar (At 2,1). Assim começa a primeira leitura da missa do próximo domingo, a qual continua descrevendo a vinda do Espírito Santo em línguas de fogo que se iam dividindo e poisando uma sobre cada um deles. Os apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar onde e quando o Espírito Santo desceu sobre eles. E será precisamente o Espírito que os dispersará pelo mundo para anunciarem o Evangelho. Para isso, todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem (At 2,4). Ao contrário da Torre de Babel onde o Senhor dispersou os povos dando-lhes novas linguagens que impediam a sua compreensão, ali o Espírito Santo concedeu àquela multidão de muitas raças e povos a graça de entenderem perfeitamente, em suas línguas diversas, as palavras dos apóstolos que lhes anunciavam as maravilhas de Deus.

2 – Mas Quem é o Espírito Santo? No Pentecostes, Jesus e o Pai enviaram sobre os discípulos o Espírito Santo. Não se tratou apenas de uma energia que os qualificasse para desempenharem uma tarefa concreta, como acontecia no Antigo Testamento, mas de uma Pessoa Divina pela qual o Pai e o Filho vêm morar no coração daqueles que O recebem. Sim, o Espírito Santo é Deus, é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é o amor do Pai e do Filho em Pessoa, é a alma da Igreja.

Na Solenidade do Pentecostes a Igreja, animada por Ele, apareceu anunciando ao mundo o Mistério de Cristo. De facto, no Pentecostes cumpre-se o mistério da Páscoa! Glorificado à direita do Pai, Cristo realiza a Sua promessa de enviar o Espírito Santo aos discípulos, à Igreja nascente. E, naquela manhã, Ele encheu os corações dos Apóstolos, tirou-lhes o medo e suscitou neles a Palavra, o Primeiro Anúncio que, escutado, faz nascer a fé e a vida cristã. Com o Pentecostes surge no mundo uma vida nova, aparece uma nova Criação, manifesta-se a Igreja nascida do lado de Cristo, novo Adão adormecido na Cruz!

3 - A leitura do Evangelho de S. João apresenta-nos Jesus, no dia da sua Ressurreição, soprando sobre os discípulos e dizendo-lhes: como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo! Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos (Jo 20,21-23). O sopro de Jesus sobre a Igreja nascente lembra-nos o sopro criador de Deus nas narinas de Adão, dando-lhe a respiração e a vida. Assim os apóstolos ficaram possuídos pela Vida Nova do Espírito Santo que os fez passar do medo à alegria e da timidez acerca do que as pessoas poderiam pensar deles à coragem para anunciarem com firmeza o Evangelho de Cristo.

O Evangelho que os discípulos de Jesus, movidos pelo Espírito Santo, são por Ele enviados a anunciar ao mundo inteiro, é o perdão dos pecados. Jesus Ressuscitado não só perdoou os pecados aos seus discípulos, mas deu-lhes o poder de perdoar. Deu-lhes não apenas o poder de anunciar o perdão, mas também o poder divino de o conceder a todos e a cada um que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e recebe o Batismo em Seu nome. Isto implica o reconhecimento de Cristo como o único Salvador que carregou na cruz com o pecado do mundo e morreu dando a sua vida por amor de todos e por cada um, como S. Paulo afirma: Cristo amou-me e entregou-Se a Si mesmo por mim (Gl 2,20). Isto supõe também que Jesus Se identifica com os seus discípulos ao confiar-lhes a sua mesma missão profética, sacerdotal e pastoral, não faltando Ele com a Sua parte, tal como o evangelista S. Marcos sublinha, na conclusão do seu evangelho: O Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. E eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam (Mc 16,20). Passaram já tantos séculos e ainda hoje, no século XXI, é na evangelização que podemos encontrar-nos com Cristo Ressuscitado, fonte da Vida.

4 – Ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor”, a não ser pela ação do Espírito Santo (1Cor 12,3b), como nos diz S. Paulo na segunda leitura da missa do próximo domingo. Dizer Jesus é o Senhor é anunciar o Evangelho. Mas é também celebrar a exaltação de Cristo e lançar o fio de prumo às nossas obras. Sem o Espírito Santo não há Igreja nem vida Cristã. De facto, a diversidade de dons espirituais brota do mesmo e único Espírito e tem em vista o bem comum deste único Corpo que é a Igreja. Podemos assim reconhecer como profundamente verdadeira esta afirmação: a prática da vida cristã tem como único objetivo a aquisição do Espírito Santo, para podermos viver a vida nova do Espírito, a vida do Filho de Deus. Pois sem o Espírito permanecemos escravos da carne, com as suas paixões e apetites, procurando em vão satisfazer-nos sem a esperança da Vida Eterna, para a qual fomos criados. Mas com o Espírito podemos começar já a viver as Bem-aventuranças e a experimentar a alegria de sermos participantes da vitória de Cristo sobre a morte.

5 – Que falta nos faz o Espírito em nossas vidas pessoais e na vida das nossas paróquias e comunidades para nos podermos amar uns aos outros e para sermos os discípulos missionários que dão testemunho firme do Evangelho!

Recebamos, irmãos, o Espírito de Jesus! Deixemo-l’O permanecer em nós, e nós permaneçamos e vivamos n’Ele! E começaremos a saborear, já aqui na terra, a vida divina!

+ J. Marcos



1 comentário:

  1. Sejamos dóceis ao Espírito Santo e consagre-mo-nos a Ele.
    Santas festas do Espírito Santo. P M.Martins

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