terça-feira, 15 de maio de 2018

Sociedade adolescente

Foi há 50 anos “o maio de 68”, a revolta estudantil e juvenil que nasceu duma crítica destrutiva contra a educação, os valores, a cultura e o saber. Para muitos defensores deste movimento era “opressor educar”, impor normas e regras. Consideravam a família uma realidade burguesa, a religião um conceito retrógrado, praticado por menores em espirito, analfabetos, débeis e fracos. Instituíu-se o desrespeito pelo passado, pela tradição, pelas instituições.

Liberdade, muita liberdade, quanto mais soltos e desinibidos fossem os comportamentos, os afectos e as relações, tanto melhor. Era proibido proibir!

Consequência dum extenso movimento contra a cultura dominante, nascido em 1967-68 nos EUA, que passou rapidamente à Grã-Bretanha e França, esta ânsia de contestação defendendo os direitos das minorias, feminismo, amor livre e consumo de drogas. Estas manifestações de estudantes, como o Maio de 68 em Paris, foram o início de uma série de exigências sociais, educativas e políticas, que ainda dão frutos amargos, ou como dizem alguns autores, continuam a semear joio em pleno trigal.

A crise de cultura que em consequência alastrou por alguns países, originou um vácuo muito grande em que as novas gerações e não só, estão solitariamente isolados, ocos, vazios de ideias e de ideais, conectados, mas desprotegidos, desprevenidos ou alheios a todo um pulsar de violência física, psíquica e moral que prolifera em redor.

Foi um tempo de ausência das referências positivas e balizadoras que se foram deixando de praticar nos ambiente de ensino, nas famílias, nos espectáculos, nos programas de televisão, nas revistas, ou em algumas entidades posicionadas para a formação, mas que enveredaram por outros caminhos pela força das circunstâncias perversas das ideologias dominantes, que tão bem as souberam manobrar.

Quem não lê e não estuda não saberá pensar e será cada vez mais manipulável. Todo o ser humano por si só é muito débil, necessita de pais e educadores, bons orientadores, muita cultura, para que cresçam com referências e não alienados, com objectivos e não perdidos ou sem sentido para a sua vida.

A tecnologia é útil e necessária, mas só não chega, há que adquirir conhecimentos teóricos, interioriza-los, pensá-los e transmiti-los por palavras, quer dizer, crescer como ser pensante, amadurecer saber usar da sua razão para pensar sem papaguear o que ouve ou lhe dizem para repetir.

Hoje o grande perigo não está só no terrorismo, no aliciamento a dependências e em companhias perversas, mas também na formação duma mente oca, sem referências, volúvel, manobrável e influenciável.

Esta sociedade fabricou seres humanos deserdados duma cultura, débeis, fracos, manipuláveis e desagregados. Sozinhos no meio dum mundo virtual, que os seduz e engana, não cresceram, não amadureceram, privaram-nos dum passado balizador, por isso não estão reconhecidos a ninguém, nem agradecidos, nem integrados ou comprometidos com as circunstâncias, a vida, a sociedade, o futuro ou a felicidade.

Hoje o desafio que deixo ao leitor é PENSAR neste imenso joio que, paulatinamente, foi sendo semeado entre o trigo da nossa sociedade que cresceu mantendo-se uma eterna adolescente.



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