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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O Grito do Fundo do Coração

Procuro aparentar calma, serenidade, tranquilidade, ainda que no fundo do coração um certo desassossego esteja latente. Penso na minha Mãe do Céu. Penso igualmente em Jesus. Eles sabem o que se passa, são os primeiros a saber. Certamente não vão ficar alheios a tanto sofrimento, a tanta ansiedade e vão ajudar. Às vezes os acontecimentos parecem não fazer sentido. Quando tudo aparentava começar a encaixar, surge o imprevisto, o que estava latente mas adiado sine die com a esperança que nunca viesse a acontecer. Mas os milagres acontecem. Peço-te, Virgem Maria, mais este favor. Tu, que és Mãe, sabes que os teus filhos estão sempre necessitados do teu apoio, da tua intercessão. Não é verdade que se diz que a Jesus se vai por Maria? Ainda há poucos dias terminou a Novena da Imaculada Conceição; estamos no Advento, logo, posso pedir-te esta prenda com muito amor. Por favor intercede junto do teu Filho para que tudo corra pelo melhor. Lembra-te desta tua filha que não te merece mas que ousa pedir o teu apoio. No teu regaço deixo as minhas preocupações. Sei que não me encontro só nesta caminhada que não me vais abandonar. Mas faça-se, cumpra-se, a amabilíssima vontade do Teu Filho.

O vento sopra com força. Chove. Por toda a parte surgem árvores caídas, pequenos acidentes provocados pela tempestade. Ao menos, depois dos terríveis incêndios deste ano, da seca severa e extrema, agora chove e nalgumas zonas neva. Quase tudo tem um lado positivo versus um negativo. O que é bom para umas coisas tem um lado negativo para outras. E a vida continua, imparável, impiedosa, apesar de todos os acontecimentos. O relógio não para, tem de cumprir a sua missão de dar horas. Jerusalém o que vai ser de ti, agora que alguns se lembraram de te reconhecer enquanto capital de Israel? Torna-se necessário sermos semeadores de paz. Não fomentar a guerra, as divisões. Tudo me faz recordar o quadro o grito do pintor norueguês Edvard Munch, uma obra expressionista, que o Museu Albertina alberga, em Viena de Áustria. Impressionou-me tanto esta pintura, por simbolizar magistralmente o ar de desespero, de conflitos, de dor, de angústia, das dificuldades da vida, de melancolia, de ansiedade, traduzidos num grito que vem do fundo do coração. Edvard Munch referiu: “A natureza não é só o que é visível ao olhar…, inclui também as pinturas interiores da alma”. Muito sofrido, na sua vida familiar, as suas pinturas deixam transparecer a fragilidade e a transitoriedade da vida.

Mas precisamente, porque depois da tempestade vem a bonança, com algum grau de frequência, esta parece tardar em aparecer. Há alguns dias, veio-me ao pensamento a importância da oração, mais precisamente a oração em cadeia com um objetivo determinado. Isto porque tinha recebido um email dos Estados Unidos, em que um movimento católico salientava a importância de se congregarem esforços, de se apoiarem as famílias, através da oração, em prol de uma intenção comum, recorrendo à intercessão de Nossa Senhora de Fátima. Fiquei a refletir sobre o assunto. A invocação de Nossa Senhora de Fátima ultrapassou as fronteiras, é universal, venerada em todo o mundo! A devoção ao terço enquanto uma força insubstituível para se obterem graças criou diversos movimentos. Veio-me ao pensamento a comunhão dos santos. Por ironia do destino, conhecia a pessoa que liderava o movimento. Pareceu-me bastante séria, credível, com boas intenções. Ainda bem que surgem coisas boas. Ajudam muito, particularmente quando se vivenciam momentos mais difíceis e em que nos falta alguma energia para rezarmos tão bem conforme gostaríamos. Mas Deus é Pai e compreende a nossa dificuldade. Mas também é bom saber que há outras pessoas que rezam por nós. Assim, o pedido que fazemos, através da oração, tem mais força. O próprio Jesus disse: “ Se dois ou mais se reunirem em meu nome, sobre qualquer coisa que queiram pedir, meu Pai que está no Céu o concederá. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei ali no meio deles”.

Concluo, referindo que o grito do fundo do coração, pode bem vir a ser de alegria, por uma graça concedida. Como já atrás referi, a Jesus vai-se por Maria, Rainha da Família. O terço tem muito poder para obter as graças que necessitamos. Os milagres acontecem…

Maria Helena Paes



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