terça-feira, 8 de agosto de 2017

Tempos malucos ou uma insane ausência de escrúpulos?


A questão da eutanásia não tem nada a ver com religião, com fé ou ausência dela e muito menos se pode considerar um preconceito. Esta matéria ainda que cada vez mais politizada e mediática, por outros motivos que não os habituais da medicina, do direito e da família, está toda ela relacionada com uma profunda crise de valores e também com alguns interesses económicos aparentemente camuflados sob a roupagem da pena que este estado final de vida provoca, o que para alguns, será ausência de dignidade e de esperança.

Numa época em que a medicina consegue quase banir o sofrimento das doenças terminais, qual será a necessidade de tão ferinamente quererem legislar para poder matar legalmente?

 Bom, à partida, e sem complexos de demagogias e verborreias apelativas para confundir e baralhar, com ar de quem é bom e está simplesmente a pensar em minorar o sofrimento dos que sofrem, vê-se logo que há outra estratégia implícita e que a questão tem muito de escondido, pois não é pela compaixão nem por amor que querem liberdade para matar. 

Qualquer cidadão que não esteja intoxicado pela desinformação que lhe é dirigida e pense por si próprio chega a essa conclusão e não duvida que lhe estão a impingir uma meia verdade ou antes, uma mentira embrulhada numa capa de morte digna, o que na realidade quer dizer poder ser morto por outra pessoa da forma mais vil e inimaginável. Ao longo de tantos séculos de história e civilização recheados de sucessos e descobertas médicas com avanços perfeitamente surpreendentes, nomeadamente desde meados do século XX, como é possível pensarem e avançarem com sugestões mortais deste calibre?

No fim da vida e em estado de doença o que importa é tratar, cuidar, acompanhar e ajudar a serenar, mas nunca matar nem descartar…

Que tristeza, que mau estar, que infeliz lembrança esta de despachar matando, uma barbaridade para quem está fragilizado, doente, sofrido e muitas vezes, pouco amado. E é aqui que reside o cerne da questão: nesta sociedade há falta de amor, de partilha, de afecto, de compreensão e de acompanhamento.

Matar é sempre um retrocesso civilizacional, legislar para tal brada aos céus, é mesmo consequência da força dos tempos em que minorias assopradas e pseudomodernas se lembram do impensável.

Por isso é imperioso e urgente que o cidadão adulto, normal e culto pense pela sua própria cabeça, não vá atrás de argumentos e conversas sedutoras, de programas pré-fabricados e manipulados para convencer e vencer.

Protagonismos políticos, brincadeiras de vida e de morte, pequenez de valores, de sentimentos e de alicerces afectivos que se refletem numa total ausência de competências para saber conduzir estas situações. Hoje mais do que em outros tempos, podem recorrer aos serviços especiais e próprios para minorarem o sofrimento, cuidados continuados, cuidados paliativos e todos os outros cuidados que o ser humano merece e lhe são devidos no fim da vida, pela sociedade da qual faz parte, da família a que pertence e do sistema de saúde que alimentou ao longo dos anos de trabalho e de descontos. 

O problema do sofrimento em fim de vida trata-se cuidando, confortando e amando e nunca eliminando quem sofre no corpo ou na alma.

«Só quer morrer, quem tem falta e não recebe amor».

Suzana Maria de Jesus



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