sábado, 5 de agosto de 2017

Rússia e Fátima cem anos depois

O que mudou na Rússia depois do colapso do comunismo? Aura Miguel, a jornalista da Rádio Renascença fez esta e outras perguntas a Mons. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, capital do Cazaquistão. Durante a entrevista, narrou as experiências da sua família durante o comunismo e como a fé católica dos seus pais os ajudava a suportar a fome e sofrimentos passados. 

Já no exílio, na Áustria, D. Athanasius tornou-se crúzio, isto é,  cónego regrante de Santa Cruz, a ordem originária de Coimbra. Fez o noviciado em Fátima e foi ordenado no Brasil. Essa a razão pela qual a conversa foi mantida em português.

Após o desmembramento da URSS em diversos países, alguns dos quais já existentes antes da revolução russa, o novo bispo auxiliar encontrou o seu país muito diferente. Havia mais sacerdotes por já estarem em liberdade e podia-se viver a fé em privado e em público. Havia liberdade, mas a sua cidade ainda não tinha uma catedral. Existia apenas uma pequena igreja, na verdade era apenas um barracão fora da cidade, na qual se reuniam os fiéis para celebrações clandestinas. Iniciou uma campanha, angariando fundos e contratando voluntários, para a construção de uma catedral que já existe e foi dedicada a Nossa Senhora de Fátima, devoção que conhecia bem desde o seu noviciado em Fátima onde tinha lido e ouvido a mensagem de Nossa Senhora aos pastorinhos. A sua diocese era um dos lugares onde o comunismo mais se fizera sentir. Agora era chegado o momento de combater e reparar os erros dessa ideologia pela oração, expiar os crimes e manter a memória dos mártires do gulag que existiu próximo da cidade. 

O centenário das aparições foi vivido de modo especial no Cazaquistão. Durante mais de um ano, fizeram-se procissões com uma imagem da Virgem de Fátima em todas as paróquias do país como preparação para o centenário. No dia 13 de Maio de 2017, todos os bispos da Rússia e dois núncios, após a Missa e comunhão, de joelhos, renovaram a consagração dos seus países, nomeadamente a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria, na Basílica de Nossa Senhora.

Monsenhor Schneider considera que a mensagem de Fátima continua actual. Os erros da Rússia espalharam-se pelo mundo na forma de um neo-comunismo que se caracteriza por ataques à família: o aborto, o divórcio, a homossexualidade, a retirada das crianças e dos idosos do lar familiar, a eutanásia... Nossa Senhora pediu para não se ofender mais Nosso Senhor que já está muito ofendido. Já no ano anterior, o Anjo de Portugal tinha dado a sagrada comunhão às crianças, pedindo-lhes que consolassem Jesus tão horrivelmente ofendido. É de notar a reverência manifestada a Deus pelos gestos do anjo perante a Eucaristia: deixa a Hóstia e o Cálix suspensos no ar, ajoelha-se, inclina-se e reza. Depois dá a comunhão aos meninos. O bispo de Astana receia que se esteja a perder a noção da verdadeira presença de Cristo nas espécies consagradas. Em vários países as pessoas já não se ajoelham, comungam pela sua própria mão, deixando cair no chão migalhas de partículas consagradas que depois são pisadas porque já não se usam bandejas para as recolher.

O mês de Agosto, que agora começa, e no qual festejamos a Assunção da Virgem Maria ao Céu, pode ser propício ao aumento da nossa devoção à Eucaristia, demonstrando pela dignidade dos gestos e do vestir, dignos e honestos, que acreditamos que na Hóstia que vamos receber está o verdadeiro Deus.

Isabel Vasco Costa



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