sexta-feira, 7 de julho de 2017

Quem São os Nossos Heróis do Coração

Esta semana os Estados Membros das Nações Unidas, reunem-se em Genebra, com o objetivo de debater a cooperação internacional sobre migração, enquanto parte do processo consultivo, que conduz ao “Compacto Global sobre Migração de 2018”. Nos dois dias de debate, pretende-se identificar meios práticos, que permitam melhorar o estado corrente da governação da migração, através da identificação de áreas de consenso e de um trabalho conjunto, articulado, no sentido de se incorporarem vários princípios e, sobretudo, implementá-los, tais como: a Agenda de 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, a Conferência do Cairo de 1994 (capítulo 10), bem como a Agenda para a Gestão da Migração-Iniciativa de Berna. 

A Agência para a Migração das Nações Unidas (IOM) faz três recomendações, no sentido de se melhorar a Governação Global sobre Migração. A primeira recomendação, dá enfase, de que os Estados, devem implementar as convenções e os tratados que já foram assinados. Todos os instrumentos dos direitos humanos precisam de implementação, já que foi realizado um bom trabalho. Na segunda recomendação, refere que se torna importante que os Estados prossigam uma abordagem de “todo um governo” e de “toda uma sociedade” para a governação da migração. A terceira recomendação, salienta, que elaborar uma boa política de migração, pode ser extremamente difícil, face ao presente clima negativo. Deve-se melhorar o modo como se recolhe, analisa e se utiliza a informação sobre migração e os dados da migração. Pode ser fortalecida. A comunidade internacional só necessita de tomar medidas práticas para o conseguir alcançar.

Inesperadamente, na minhas pesquisas, deparei-me com uma narrativa de Paolo Gallo do Concelho Económico Mundial que me muito sensibilizou, que não resisto a referir, na qual questionava, se a sociedade moderna, ainda tem heróis à luz do nosso coração, onde reservamos um lugar para uma pessoa que nos é muito querida, que pode não ser famosa, mas que constitui o nosso herói pessoal. Acrescentava ainda, que um herói, é aquela pessoa de meia-idade, que perde o trabalho, mas que não desiste em recomeçar, se preciso do nível zero, com dignidade, até se conseguir reerguer. Um herói, é também aquela mãe só, viúva ou divorciada, que com um enorme sentido de responsabilidade, luta cada dia, para conseguir prover um futuro melhor para as suas crianças. Heróis, são os jovens que lutam por conseguir um emprego, ou para conseguir permanecer nos estabelecimentos de ensino, ou para abrir um negócio ou uma start-up, apesar da elevada taxa de desemprego, que contrai os seus corações… Os imigrantes, que vêm de lugares longínquos, que desenvolvem as suas atividades menores com orgulho, mesmo quando possuem elevadas qualificações tais como advogados, professores, nos seus países de origem, e que enviam à família tudo o que auferem constituem igualmente heróis…

Não querendo ser exaustiva, mas, na realidade, não posso estar mais de acordo com esta narrativa que acabei de referir. Também possuo uma heroína. Alguém que veio de longe à procura de um futuro melhor, que lutou arduamente no seu-dia-adia, desenvolvendo várias atividades menores, para se sustentar e enviar dinheiro à família. Contudo, uma doença grave, atraiçoaria os seus projetos de vida. Recordo, que nas suas conversas, referia que adorava Portugal, onde queria ficar a viver, mas que não esquecia o seu país. Queria que a sua família viesse para Portugal, logo que tivesse condições. Lembro-me, como falava-me com emoção da beleza ímpar das noites brancas de São Petersburgo. Mas a vida tem destas coisas. No seu funeral, tomei conhecimento de que era licenciada. Os poucos presentes, que a acompanharam, nesta fase final da sua vida, constituíram a sua família alargada. Descansa agora em paz, no país de acolhimento, como era seu desejo. Na realidade, foi uma heroína. Permanecerá eternamente no meu coração. Daí a necessidade de acompanhar e divulgar, o que acontece a nível mundial, numa época cada vez mais global, onde tudo tem influência em nós, onde nós também podemos influenciar e dar o nosso contributo pela positiva, face à experiência e conhecimentos práticos adquiridos no terreno.

Termino recordando a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do refugiado de 2017, em que enfatizava a vulnerabilidade das crianças e dos adolescentes que não têm voz, acrescentando ainda, que as migrações deixaram de ser um fenómeno limitado a algumas áreas do planeta, assumindo cada vez mais as dimensões de um problema dramático mundial. No sentido de dar uma resposta a esta realidade, o Papa Francisco apontou dois passos principais. Torna-se necessário tomar consciência de que a migração está presente na história da salvação, bem como, apostar na proteção, na integração e em soluções duradouras. 

Maria Helena Paes



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