quinta-feira, 6 de julho de 2017

Os Refugiados são Pessoas como Nós

Celebrou-se no passado dia 20 de Junho de 2017 o Dia Mundial dos Refugiados decretado pela Assembleia das Nações Unidas em 4 de Dezembro de 2000. Segundo dados da mesma Instituição, 1 em cada 113 pessoas são deslocadas ou refugiadas. A cada momento 24 pessoas deixam tudo para fugir à guerra, à perseguição e ao terror. Segundo dados do Parlamento Europeu, em 2016 havia 1.2 milhões de pedidos de asilo. A migração continua a ser um problema difícil para a União Europeia. Mais de 5.000 pessoas foram reportadas como mortas ou desaparecidas tentando alcançar a União Europeia.

Na sua mensagem para o Dia Mundial dos Refugiados, António Guterres, Secretário-geral das Nações Unidas salientou que era necessário restabelecer a integridade do regime internacional de proteção aos refugiados e trabalhar no sentido de lhes conceder a oportunidade de construir um futuro melhor para todos. Num video António Guterres reconheceu a dor e a valentia destas pessoas que enfrentam o sofrimento, a separação e inclusivamente a morte. Acrescentou: “conheci tantas pessoas que perderam tudo mas nunca perderam os sonhos para as suas crianças, nem o desejo de fazer do nosso mundo um lugar melhor. Pedem-nos pouco, a nossa solidariedade e apoio no momento que mais necessitam”. Acrescentou ainda que se torna inspirador observar como os países que têm menos recursos são os que mais fazem pelos refugiados.

Por outro lado o porta-voz da Agência da ONU para os refugiados (ACNUR), William Spindler deu ênfase à importância de apoiar estas nações. “Mais de 80% dos refugiados encontram-se em países em desenvolvimento, não na América do Norte nem na Europa. Esses países precisam de apoio para continuar a acolher os refugiados. Os refugiados são pessoas como nós, são pessoas que se viram numa situação em que foram obrigados a deixar tudo, a sua casa, a sua família para salvar as suas vidas e é uma situação que afeta pessoas de todos os âmbitos sociais e pode afetar qualquer um. A solução só pode ocorrer se em conjunto trabalharmos para procurar decisões para os conflitos que constituem a principal causa do deslocamento.

Alain Touraine questionou: “a nossa sociedade ainda é capaz de agir sobre si própria, através das suas ideias, dos seus conflitos, das suas esperanças?” Também Maurice Merlau referiu: “Tomamos o destino em nossas mãos e convertemo-nos em responsáveis da nossa história, mediante a reflexão, mas também, mediante uma decisão, na qual empenhamos a nossa vida”. 

Quanto a mim, esta batalha reveste-se da maior importância em prol da ordem no mundo. Sei do que falo, mais precisamente, em relação à migração. Vivenciei histórias de vida que não vou agora descrever, mas que exigiram muito mais do que poderia eventualmente descrever. Quantas vezes, terei sentido que de algum modo, constituía a família alargada, já que não existia outra, pelo menos por perto. Se virmos oportunidades de crescimento nas dificuldades que vivenciamos presentemente, especialmente as qua causam enormes constrangimentos às famílias, apesar da sua dureza, aconteça o que acontecer, sairemos sempre a ganhar. Torna-se necessário fomentar a união, a coesão, promover a integração, através de uma sociedade empreendedora, inovadora, solidária que restaure os laços de solidariedade, de confiança, com um sentimento de cidadania ativa num equilíbrio harmonioso entre aquilo que damos à sociedade e o que dela recebemos. Numa sociedade cada vez mais multicultural e multiétnica, é necessário aprender a viver com a diferença e com o outro, promovendo uma sociedade mais justa e democrática. Todos temos conhecimento, de que por esse mundo fora, há Instituições, Pessoas Singulares e Movimentos que se esforçam, no seu dia-a-dia, por ajudar as populações, muitas vezes em situações de risco, de guerra, ajudando assim a construir um mundo melhor. Nalgumas situações é possível que os próprios povos venham a ser, com o apoio destas Instituições, os motores de desenvolvimento dos seus países, evitando, sempre que possível, o seu desenraizamento, uma vez que transportá-los para outros países, não constituirá certamente a melhor solução. 

Portugal tem constituído um bom exemplo no acolhimento e integração dos refugiados. De acordo com o Conselho Europeu para os Refugiados, a Europa tem desempenhado um papel modesto e os refugiados reinstalados no mundo, atualmente tem ficado aquém das necessidades identificadas pela ACNUR, raramente ultrapassando os 10% dos pedidos. Acredito sinceramente que a nossa Europa solidária, irá encontrar mecanismos próprios e inverter, a curto prazo, se Deus quiser, toda esta situação. Termino citando o Santo Padre que refere as consequências dramáticas “da avidez de poucos e da indiferença generalizada”.

Maria Helena Paes



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