quinta-feira, 13 de julho de 2017

O oportuno perfil do Educador…

A complexa sociedade em que vivemos vem, desde há anos, a exigir um novo perfil de educador, confrontando os educadores atuais de duas maneiras: a primeira exige-lhes que reinventem a escola no sentido de uma eficaz ação educativa; a segunda exige a sua reinvenção como educadores. Isto significa que a prática docente tem de ser continuamente repensada visando responder às constantes transformações sociais que se repercutem na escola, suas conceções e formas de construção do saber, uma vez que a exigência do mundo moderno tende a tornar-se em cada dia mais forte e mais intensa.

O educador de qualquer nível de ensino, é um ser inserido num contexto social, portador de uma dimensão pessoal e de uma dimensão profissional devendo, por isso, assumir o seu ofício com sentido de responsabilidade na inteireza do seu ser.

Não há dúvida de que é grande o desafio!

Como deverá comportar-se? Deverá fazer-se imitar em vez de fazer-se admirar?


Ser admirado e ser imitado não são dois termos antagónicos! Antes pelo contrário, a natural admiração diante do que é bom, convida à imitação. Isto acontece, em primeiro lugar, quando o modelo não é frio, distante em que falta cordialidade ou humanidade no trato.

Na realidade o que se revela oportuno é o que oferece uma imagem realmente imitável, estimulante.

A primeira condição, portanto, é que o modelo seja cordial, humano, acessível. Em segundo lugar – com a prudência que cada situação concreta exija –, o modelo deve mostrar, com as próprias dificuldades, que a prática do bem, o exercício da virtude revela-se tarefa árdua para todos, exigindo contínuos vencimentos, o que nem sempre se consegue.

Neste sentido, ainda que os educandos advirtam algum defeito no educador, não se revelará negativo se a seguir vai transparecendo o esforço de retificação, procurando sempre, com naturalidade, dar bom exemplo. Para longe do educador o modo artificioso e postiço!... Antes pelo contrário, convém-lhe sempre uma atitude de verdade, autenticidade, laboriosidade e espírito de sacrifício com sentido dos outros, para ter realmente autoridade moral imprescindível para educar.

É importante reconhecer que as pautas de conduta ética que nos regem e que propomos não se fundamentam na nossa própria bondade, mas antes no que entendemos que é bom para todos e que a todos se nos apresentam como uma meta nobilíssima, acessível, ainda que difícil. Uma meta que é transitória, porque a definitiva encontrá-la-emos só em Deus no final do nosso caminho!

A experiência tem-nos demonstrado que resulta estimulante ver que o educador tem que se esforçar, ele próprio, que nem sempre consegue vencer-se, mas é vencido e não desanima, que volta a insistir e, continuamente, volta a começar. “Começar e recomeçar”, o lema que se impõe…

Numa sociedade permissiva como aquela em que vivemos, será possível que um adolescente se sinta livre quando se lhe exige que se adapte a algumas regras, normas de conduta e de disciplina?

É possível, fazendo-o perceber o sentido e a finalidade de cada uma dessas normas e dessa disciplina. Tratamos as pessoas como seres inteligentes e livres quando lhes damos a conhecer o porquê do ato que se lhes pede.

Uma imposição desmotivada converte-se, normalmente em repto, num convite à rebeldia, ao espírito de contradição!

Neste momento, não será demais recordar que a confiança, mais do que pedi-la, há que merecê-la.

É importante também fazer compreender que a disciplina é necessária em qualquer coletividade. E num plano mais concreto, ajudar as crianças e os jovens a entender a finalidade das regras a que devem sujeitar-se, de modo que nunca lhes pareçam arbitrariedade e abuso de poder.

Nunca esqueçamos que a educação deve administrar-se em clima de amizade, que é amor recíproco de benevolência, que supõe respeito pela liberdade.

Mas o educando, precisamente por sê-lo, ainda não é livre. A liberdade inaugura-se ao atingir o uso da razão. Não é possível determinar com precisão quando acontece na criança, mas acontece. Chega um momento em que há um uso de razão suficiente para que haja liberdade, capacidade de atos livres: quando se começa a entender que algo é bom e o seu contrário é mau, e que o bom deve fazer-se e o que é mau evitar-se. Trata-se de uma liberdade incipiente, mas que basta para fazer a pessoa responsável pelos seus actos, e que irá crescendo à medida que se vai exercitando.

É um facto da experiência: vemos, muitas vezes, inclusivamente em meninos muito pequenos, uma surpreendente capacidade de atos generosos, desprendidos, não condicionados pela apetência ou a necessidade. Crianças que a par da sua candura, da sua inocência, nos dão lições magistrais de liberdade, de bondade e generosidade, renunciando ao seu pelo bem de outro…

Maria Helena Marques



1 comentário:

  1. Oxalá este texto seja lido e relido por muitos, pois é um verdadeiro manancial de bem ser, bem fazer e bem querer.
    Que dê muitos e bons frutos...

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